O conteúdo de Banco de Dados para o concurso da Dataprev merece atenção especial do candidato, principalmente porque a banca organizadora é a FGV, uma banca que costuma cobrar conceitos de forma objetiva, mas com alternativas tecnicamente muito próximas. Em Tecnologia da Informação, a FGV não se limita a perguntar definições decoradas; ela costuma apresentar situações práticas envolvendo modelagem, SQL, normalização, integridade e funcionamento de SGBDs.

O primeiro ponto do edital trata de modelagem de dados, abrangendo os níveis conceitual, lógico e físico. Essa divisão é muito importante porque a FGV gosta de verificar se o candidato sabe em que etapa cada decisão acontece. A modelagem conceitual representa a visão do negócio; a modelagem lógica aproxima essa visão da estrutura de banco de dados; e a modelagem física trata da implementação concreta no SGBD.
Na modelagem conceitual, o candidato deve lembrar do modelo entidade-relacionamento, das entidades, dos atributos, dos relacionamentos e das cardinalidades. É nessa etapa que se busca compreender a realidade do negócio, sem preocupação direta com comandos SQL ou tipos específicos de dados. Por exemplo, em um sistema previdenciário, poderíamos ter entidades como beneficiário, requerimento, benefício e pagamento.
Na modelagem lógica, o modelo conceitual é transformado em uma estrutura mais próxima do modelo relacional. Nesse momento, entidades podem virar tabelas, atributos podem virar colunas, identificadores podem virar chaves primárias e relacionamentos podem ser implementados por meio de chaves estrangeiras. A FGV pode cobrar justamente essa transformação, perguntando como representar corretamente um relacionamento entre duas entidades.
Já a modelagem física envolve decisões de implementação. Nessa fase, o candidato deve pensar em tipos de dados, índices, restrições, particionamento, armazenamento, desempenho e comandos de definição de dados. É aqui que entram decisões como usar VARCHAR, DATE, NUMBER, criar índices para melhorar consultas ou definir restrições de integridade no banco.
O segundo grande bloco é a abordagem relacional. O modelo relacional organiza os dados em relações, normalmente representadas por tabelas. Cada tabela possui linhas, colunas, domínios e chaves. A FGV pode cobrar esse tema perguntando a diferença entre tupla, atributo, domínio, relação, chave primária, chave candidata e chave estrangeira.
Um ponto que costuma confundir candidatos é a diferença entre chave primária e chave estrangeira. A chave primária identifica de forma única cada registro de uma tabela. A chave estrangeira, por sua vez, estabelece vínculo com a chave primária de outra tabela, permitindo a implementação de relacionamentos. Em uma prova da FGV, uma questão pode apresentar duas tabelas e pedir a identificação correta desses elementos.
A integridade referencial aparece exatamente nesse contexto. Ela garante que uma chave estrangeira aponte para um registro válido na tabela referenciada. Por exemplo, um pagamento não deveria estar associado a um beneficiário inexistente. A banca pode explorar situações de inserção, exclusão ou atualização que violam essa regra.
Outro assunto central é a normalização das estruturas de dados. Normalizar significa organizar as tabelas para reduzir redundância e evitar anomalias de inserção, atualização e exclusão. A FGV costuma cobrar esse tema tanto de forma conceitual quanto por meio de pequenas tabelas que apresentam problemas de dependência funcional.
Na Primeira Forma Normal, ou 1FN, os atributos devem conter valores atômicos, sem grupos repetitivos ou listas dentro de uma mesma coluna. Se uma tabela possui uma coluna chamada “telefones” com vários números separados por vírgula, há uma violação da 1FN. Esse tipo de exemplo é muito comum em questões introdutórias sobre normalização.
Na Segunda Forma Normal, ou 2FN, a tabela deve estar na 1FN e todos os atributos não chave devem depender da chave primária inteira. Esse problema aparece principalmente quando há chave primária composta. Se um atributo depende apenas de parte da chave composta, temos uma dependência parcial, o que viola a 2FN.
Na Terceira Forma Normal, ou 3FN, a tabela deve estar na 2FN e não deve apresentar dependência transitiva entre atributos não chave. Um exemplo clássico ocorre quando uma tabela armazena código do curso e nome do curso junto com dados de matrícula. Se o nome do curso depende do código do curso, e não diretamente da matrícula, há dependência transitiva.
A linguagem SQL é outro ponto altamente cobrável. O candidato precisa diferenciar comandos de consulta, definição e manipulação de dados. A FGV pode apresentar comandos SQL e perguntar qual será o resultado, qual comando está correto ou qual comando pertence a determinada categoria da linguagem.
A DDL, Linguagem de Definição de Dados, envolve comandos como CREATE, ALTER, DROP e TRUNCATE. Esses comandos tratam da estrutura dos objetos do banco. Criar uma tabela, alterar uma coluna, excluir uma tabela ou criar um índice são exemplos de operações relacionadas à DDL.
A DML, Linguagem de Manipulação de Dados, envolve comandos como INSERT, UPDATE, DELETE e, em alguns contextos, MERGE. Esses comandos alteram os dados armazenados nas tabelas. A FGV pode cobrar, por exemplo, o efeito de um UPDATE sem cláusula WHERE, que afetaria todos os registros da tabela.
Além de DDL e DML, o candidato deve dominar consultas com SELECT. São muito importantes os filtros com WHERE, ordenações com ORDER BY, agrupamentos com GROUP BY, filtros de grupo com HAVING e junções com JOIN. A diferença entre WHERE e HAVING é um ponto clássico: WHERE filtra linhas antes do agrupamento; HAVING filtra grupos depois do agrupamento.
Em provas da FGV, é comum a banca cobrar comandos SQL com alternativas muito parecidas. O candidato precisa observar detalhes como uso de alias, agregações, junções internas e externas, condição de filtro e presença de agrupamento. Pequenos erros de sintaxe ou de lógica podem tornar uma alternativa incorreta.
Também é essencial compreender o papel do SGBD, o Sistema Gerenciador de Banco de Dados. O banco de dados é o conjunto organizado de dados; o SGBD é o software que gerencia esses dados. Oracle, PostgreSQL, MySQL, SQL Server e MariaDB são exemplos de SGBDs relacionais.
O SGBD oferece recursos como controle de concorrência, recuperação após falhas, segurança, controle de acesso, gerenciamento de transações, otimização de consultas e manutenção da integridade dos dados. Em uma prova da Dataprev, esse tema pode aparecer associado à necessidade de garantir confiabilidade, disponibilidade e segurança em sistemas críticos.
Outro ponto importante são as propriedades ACID das transações. Atomicidade significa que a transação ocorre por completo ou não ocorre. Consistência significa que o banco sai de um estado válido para outro estado válido. Isolamento significa que transações concorrentes não devem interferir indevidamente umas nas outras. Durabilidade significa que, depois do COMMIT, os dados persistem mesmo em caso de falha.
Para a FGV, o candidato deve estudar Banco de Dados com foco em comparação e aplicação. Não basta saber que uma chave estrangeira existe; é preciso entender o que acontece quando ela é violada. Não basta saber que GROUP BY agrupa; é preciso saber quando usar HAVING. Não basta decorar as formas normais; é preciso reconhecer problemas em uma tabela.
Portanto, para a Parte I do conteúdo de Banco de Dados no concurso da Dataprev, a prioridade deve ser dominar modelagem, abordagem relacional, normalização, integridade referencial, SQL, DDL, DML, SGBD e propriedades transacionais. Esses assuntos formam o núcleo tradicional da disciplina e são muito compatíveis com o estilo de cobrança da FGV.
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