Gran Mestre,
Há três mil anos, Salomão escreveu que “a palavra proferida no tempo certo é como frutas de ouro incrustadas numa escultura de prata” (Provérbios 25:11). De todas as imagens possíveis para uma frase dita na hora exata, ele escolheu ouro sobre prata.
Lemos essa passagem de sabedoria milenar pensando em vocês. Porque ensinar, no fim das contas, é isto: passar a vida procurando a palavra certa para a hora em que alguém precisará escutar aquilo, seja para obter conhecimento necessário, seja para obter o incentivo para não desistir.
Nossas palavras têm chegado a todos os cantos do país, a pessoas de todas as origens sociais. Paulo Ferreira Lopes é um exemplo disso. Infelizmente, ele foi deixado pela mãe aos quatro anos, cresceu de casa em casa na zona rural e chegou a dormir na rodoviária da própria cidade. Foi alfabetizado aos catorze anos. Terminou o ensino médio aos vinte e oito, estudando à noite depois de carregar caminhão de cimento a seis centavos o saco. Houve um tempo em que a única comida da casa era manga verde com sal, e nem sempre havia o sal. Ele chegou ao Gran com a base que a vida tinha permitido, e foi aqui, aula por aula, que encontrou os professores que construíram com ele a fundação que a escola não tinha construído.
Quando prestou a Polícia Penal de Goiás, avisaram que ele ia disputar com concurseiro de Brasília, gente com escola de qualidade desde criança. Ele nos disse, na entrevista: “eu estava estudando com os professores certos, então eu ia lá e ia passar.” Passou em Goiás e, duas vezes, no Espírito Santo. O menino da rodoviária hoje é policial penal, tem três filhos e um deles já estuda pelo Gran.
Foi por gente como o Paulo que o Gran nasceu. Em 2012, nós dois partimos de uma convicção simples: o conhecimento não pode continuar sendo privilégio de quem nasceu perto dele. Uma aula boa existia nas capitais, para quem podia pagar e morar perto, e faltava em Virginópolis, em Planaltina, no interior do Amazonas… A nossa missão sempre foi levar o melhor professor até a mesa da cozinha de qualquer pessoa, em qualquer cidade, a qualquer hora, por um preço que caiba no bolso de quem tem pouco. O concurso é a porta que não pergunta sobrenome e você ajuda a desenhar o caminho até ela.
Catorze anos depois, somos mais de seiscentos professores e oitocentos e trinta mil alunos em mais de 4.900 municípios. A tela e os nossos livros digitais chegam aonde a estrada não chega, e mesmo assim a tela e o PDF sozinhos não ensina ninguém. Quem ensina é quem está do outro lado: a que estudou a banca, gravou aos fins de semana, escreveu de madrugada, respondeu a dúvida no comentário às onze da noite e parou a matéria nos minutos finais para dar o conselho que não estava no edital. “Todo mundo pode” é o nosso lema, e vocês são o motivo de ele ser verdade em vez de propaganda.
Do outro lado há um Paulo em cada cidade, estudando à noite depois de um dia inteiro de trabalho, contando com vocês para construir a base que ninguém construiu antes. Um de nós foi criado por uma professora que deu aula por décadas, e sabe o que uma frase dita na hora certa faz com uma vida inteira. Outro foi criado por uma mulher que também sempre valorizou a educação e recentemente terminou sua graduação aqui, no Gran, conosco. Que orgulho!
Provérbios também diz que “quem dá alívio aos outros, alívio receberá” (11:25). Que este 15 de outubro devolva a vocês uma parte do que entregam o ano inteiro sem contar. Obrigado por cada aula, por cada correção, por cada palavra de ouro apoiada em prata. A missão é nossa. Quem a cumpre, todo dia, é você.
Vamos, sempre, juntos!
Gabriel Granjeiro e Rodrigo Calado, cofundadores do Gran
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