Engenheiros no Mar: Requisitos, Salários e a carreira como Engenheiro Naval

Você sabe como funciona a carreira de Engenheiro Naval da Marinha do Brasil? Saiba mais!

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Quando se pensa na Marinha do Brasil, a imagem imediata costuma ser a de navios de guerra patrulhando o oceano ou marinheiros em treinamento. No entanto, por trás de cada embarcação, radar de última geração e submarino em operação, existe uma inteligência técnica indispensável: o Corpo de Engenheiros da Marinha (CEM).

Um Engenheiro da Marinha (integrante do Corpo de Engenheiros da Marinha — CEM) é o profissional responsável pela pesquisa, projeto, construção, manutenção e gerenciamento das tecnologias, embarcações e infraestruturas militares da Marinha do Brasil. Ele atua na interface entre a excelência técnica de engenharia e a estratégia militar de defesa.

Navegue pelos índices abaixo para saber mais:

Engenheiros na Marinha: Formatura do Serviço Militar Temporário 2026 – Imagem: Marinha da Brasil Fonte: Agência Marinha de Notícias Acesse: https://www.agencia.marinha.mil.br/

Principais Áreas de Atuação e Projetos

  • Construção e Manutenção Naval (PROSUB e Frota): Projetam, constroem e mantêm submarinos (incluindo o Álvaro Alberto, de propulsão nuclear), fragatas, corvetas, navios de patrulha e embarcações de pesquisa polar.
  • Sistemas de Defesa e Eletrônica: Desenvolvem softwares de comando e controle, inteligência artificial militar, radares, sistemas de telecomunicações e defesa cibernética para proteção da Amazônia Azul.
  • Engenharia Nuclear: Atuam diretamente no desenvolvimento do reator nuclear e da tecnologia de propulsão dos submarinos brasileiros.
  • Infraestrutura e Logística: Administram bases navais, portos e estaleiros históricos de grande porte, como o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ).
  • Gestão de Projetos e Pesquisa: Lideram equipes de cientistas e técnicos em institutos de pesquisa marinha, desenvolvendo patentes e inovações para a defesa nacional.

Campos de atuação

O Corpo de Engenheiros não é formado apenas por Engenheiros Navais. A Marinha recruta diversas especialidades, tais como:

⚓ Especialidades de Engenharia — Corpo de Engenheiros da Marinha (CP-CEM)

Áreas do conhecimento aceitas no edital e suas frentes de atuação militar

Área de Engenharia Principais Frentes na Marinha
Engenharia Aeronáutica Manutenção e engenharia da aviação naval (helicópteros e caças).
Engenharia Cartográfica Mapeamento hidrográfico, cartas náuticas e geoprocessamento da Amazônia Azul.
Engenharia Civil Obras de infraestrutura portuária, bases navais, diques e estaleiros.
Engenharia de Armamento Desenvolvimento, integração e teste de mísseis, torpedos e balística.
Engenharia de Materiais Pesquisa de ligas metálicas anticorrosivas e compostos para cascos blindados.
Engenharia de Produção Gestão de processos industriais em arsenais de marinha e logística militar.
Engenharia de Sistemas de Computação Sistemas de comando e controle, cyberdefense e inteligência militar.
Engenharia de Telecomunicações Redes de comunicação satelital e criptografia para navios e bases.
Engenharia Elétrica Sistemas de geração, distribuição de energia onboard e propulsão elétrica.
Engenharia Eletrônica Desenvolvimento de radares, sonares e instrumentação de bordo.
Engenharia Mecânica Sistemas propulsores, turbinas, turbocompressores e usinas térmicas de navios.
Engenharia Mecânica de Aeronáutica Estruturas dinâmicas e sistemas mecânicos aplicados às aeronaves da Marinha.
Engenharia Mecatrônica Automação naval, veículos subaquáticos não tripulados (ROVs) e robótica.
Engenharia Nuclear Atuação no reator e no desenvolvimento do Submarino de Propulsão Nuclear (PROSUB).
Engenharia Química Controle de biocombustíveis, tratamento de resíduos de bordo e tecnologias defensivas.
Fonte: Marinha do Brasil / Gran Concursos

Como é a Rotina?


A rotina combina o trabalho técnico/científico em escritórios de projetos, laboratórios e estaleiros com os deveres de um Oficial da Marinha (liderança de tropas, rígida hierarquia, disciplina e funções administrativas no meio militar).

Formas de ingresso

Para aqueles que já possuem diploma:

O Concurso do Corpo de Engenheiros da Marinha (CP-CEM) é o principal concurso de carreira militar (efetivo e estável) para engenheiros formados no meio civil.

  • Vínculo: Estável (carreira com possibilidade de chegar ao oficialato-general).
  • Requisitos: Brasileiro nato, diploma reconhecido em engenharia/arquitetura e menos de 35 anos de idade.
  • Curso de Formação: Cerca de 9 meses no Centro de Instrução Almirante Wandenkolk (CIAW), no Rio de Janeiro, ingressando como Guarda-Marinha e formando-se como Primeiro-Tenente.
  • As Fases da Seleção (Etapas do Concurso):
    • Prova Escrita Objetiva (PO), Prova Discursiva de Conhecimentos Profissionais (PD), Redação e Tradução de Texto – Eliminatória e Classificatória;
    • Procedimento de Heteroidentificação Complementar à Autodeclaração (PH) – Eliminatória;
    • Verificação de Dados Biográficos (VDB) – Eliminatória;
    • Inspeção de Saúde (IS) – Eliminatória;
    • Teste de Aptidão Física de Ingresso (TAF-i) – Eliminatória;
    • Prova de Títulos (PT) – Eliminatória;
    • Avaliação Psicológica (AP) – Eliminatória;
    • Verificação de Documentos (VD) – Eliminatória;
    • Resultado Final da Seleção (RF) – Eliminatória e Classificatória;
    • Período de Adaptação (PA) – Eliminatória;
    • Curso de Formação propriamente dito (CFO) – Eliminatória e Classificatória.

Confira aqui o link para saber mais sobre o último edital publicado para vagas de Engenheiro na Marinha: Edital Engenheiros da Marinha 2027: 26 vagas; até R$ 9,6 mil!

Para quem deseja formar-se Engenheiro pela Marinha

  • Escola Naval (EN) + Concurso Interno para a USP: Estudantes que entram na Escola Naval (nível médio/graduação inicial) podem migrar para a área de engenharia militar durante o curso.

Como funciona: O jovem ingressa na Escola Naval como Aspirante e, por meio de seleção interna por mérito acadêmico, realiza o curso de graduação em Engenharia na Universidade de São Paulo (USP) — com todas as custas cobertas pela Força —, retornando ao Corpo de Engenheiros após a formatura.

  • Quadro complementar de Oficiais (Seleções Internas de Praças e Oficiais): Militares que já pertencem aos quadros operacionais da Marinha (como praças e sargentos) e concluem a graduação civil em Engenharia durante o serviço podem prestar concursos internos de mudança de quadro para ingressar no Corpo de Engenheiros.

Serviço Militar Voluntário (SMV) para Oficiais Temporários.

O Serviço Militar Voluntário (SMV) é a opção ideal para engenheiros que desejam vivenciar a engenharia de defesa sem necessariamente assumir um compromisso vitalício com a carreira militar, ou para aqueles que ultrapassaram o limite de idade do concurso de carreira.

Como Funciona o SMV:

  • Vínculo Temporário: O contrato inicial é de 1 ano, podendo ser renovado anualmente por até 8 anos (limite máximo de permanência).
  • Limite de Idade Ampliado: Permite a inscrição de candidatos com até 40 anos de idade no ano da incorporação.
  • Seleções Regionais: Diferente do concurso de carreira, os Avisos de Convocação do SMV são lançados individualmente por cada um dos 9 Distritos Navais do país, atendendo às demandas locais de bases, estaleiros e capitanias.
  • Processo Seletivo Simplificado: A seleção costuma ser composta por Prova Objetiva de Língua Portuguesa e Formação Militar-Naval, seguida por Inspeção de Saúde, Teste de Aptidão Física (TAF), Verificação Documental e Prova de Títulos.

Confira aqui mais informações sobre o último edital publicado para vagas de SWV: Edital Marinha SMV Oficiais: SAIU! 374 vagas e R$ 12,2 mil iniciais.

Carreira

Plano de Carreira e Pós-Graduação: Possibilidade de mestrado/doutorado custeados pela Força, atuações internacionais e progressão de patentes (do posto de Primeiro-Tenente a Vice-Almirante).

Progressão de carreira

Confira na tabela abaixo os postos da carreira de Engenheiros da Marinha, assim como o tempo mínimo exigido em cada posto:

NívelPostoTempo de Posto
Oficiais Subalternos(GM) – Guarda-Marinha9 meses
(1T) – Primeiro Tenente5 anos 
Oficiais Intermediários(CT) – Capitão-Tenente6 anos
Oficiais Superiores(CC) Capitão de Corveta6 anos
(CF) Capitão de Fragata6 anos 
(CMG) Capitão de Mar e Guerra6 anos 

Após o último ano como Capitão de Mar e Guerra (CMG), o engenheiro pode se candidatar para pleitear uma promoção ou ainda, por escolha de uma Comissão de Avaliação, chegar até o posto de Contra-Almirante e Vice-Almirante, tornando-se um Oficial General – o mais alto do Corpo de Intendentes da Marinha.

Não havendo interesse na promoção ou tendo completado a idade limite para permanência no serviço ativo ele irá para a reserva remunerada e continuará recebendo o mesmo soldo mensal até o fim de sua vida (aposentadoria integral).

Remuneração

A remuneração básica na carreira militar é denominada soldo, portanto esta é a nomenclatura correta a ser utilizada. Confira na tabela abaixo os postos e soldos da carreira de Engenheiros da Marinha:

NívelPostoNovo Soldo (Vigente)
Oficiais Subalternos(GM) – Guarda MarinhaR$ 7.988,00
(1T) – Primeiro TenenteR$ 9.004,00
Oficiais Intermediários(CT) – Capitão TenenteR$ 9.976,00
Oficiais Superiores(CC) Capitão de CorvetaR$ 12.108,00
(CF) Capitão de FragataR$ 12.285,00
(CMG) Capitão de Mar e GuerraR$ 12.505,00
Concurso Engenheiros da Marinha: soldos atualizados

Durante o curso de formação, o aluno ocupa o posto de Guarda-Marinha, após a aprovação no curso e no estágio de aplicação, o militar ingressa no Corpo de Engenheiros da Marinha no posto de Primeiro-Tenente, podendo evoluir na carreira militar até Capitão de Mar e Guerra – com soldo de R$ 12.505,00 mais os adicionais militares.

Os oficiais-alunos terão os seguintes benefícios (durante o curso de formação):

  • Auxílio para aquisição de uniformes;
  • Assistência médico-hospitalar;
  • Alojamento e alimentação, entre outros benefícios.

Para o posto de Guarda-Marinha (durante o curso) os adicionais acrescidos no soldo de R$ 7.644,00 são:

  • R$ 1.637,40 – Adicional militar; e
  • R$ 382,20 – Adicional de compensação por disponibilidade militar.
  • Remuneração total de: R$ 9.663,60

Além do valor financeiro, o aluno também tem direito a assistência psicológica, social e religiosa durante o período do curso.

Para o posto de Primeiro Tenente (após o curso) os adicionais acrescidos no soldo de R$ 9.004,00 são:

  • R$ 1.710,76 – Adicional militar; e
  • R$ 581,66 – Adicional de compensação por disponibilidade militar.
  • Remuneração total de: R$ 11.296,42

Sobre a Escola Militar:


Os Oficiais do Corpo de Engenheiros são admitidos em diversas áreas de atuação por meio de concurso público. Os Oficiais também podem ser oriundos da Escola Naval (EN) e que, por meio de seleção interna da Marinha do Brasil, finalizam sua graduação na Universidade de São Paulo.

O curso de formação para ingresso no Corpo de Engenheiros da Marinha acontece no Centro de Instrução Almirante Wandenkolk (CIAW), localizado na Baía de Guanabara, Rio de Janeiro.

O Centro de Instrução Almirante Wandenkolk tem o objetivo de capacitar os Oficiais dos diversos Corpos e Quadros da Marinha do Brasil para o exercício das funções previstas nas Organizações Militares.

É no CIAW que são ministrados Cursos de Formação para Oficiais da ativa e da reserva, que lhe forem especificamente determinados e Cursos de Especialização e de Aperfeiçoamento, em nível de pós-graduação, e de outras modalidades.

O CIAW possui uma área com cerca 50.000m², divididos entre edificações, áreas de esportes e muita fauna e flora. Além disso, o lema por lá é: Aqui se formam os profissionais do mar!

Engenheiros na Marinha: Centro de Instrução Almirante Wandenkolk (CIAW) (Foto: Ministério da Defesa- Gov.br)

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