A Farmacologia Aplicada é, sem dúvida, um dos temas mais recorrentes e decisivos nos concursos públicos para Cirurgião-Dentista. O domínio desta área transcende a mera memorização de doses e nomes; ele reflete a capacidade do profissional de atuar com segurança e eficácia dentro dos protocolos do Sistema Único de Saúde (SUS). O foco das bancas examinadoras é claro: avaliar o uso racional de medicamentos e o conhecimento aprofundado da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME), que é o guia prático para a atenção básica.
O ponto de partida para qualquer estudo em Farmacologia no contexto do SUS é a RENAME, estabelecida pelo Decreto nº 7.508/2011. Esta lista não é apenas um rol de substâncias, mas um instrumento de política pública que garante o acesso a medicamentos considerados essenciais para atender às necessidades prioritárias de saúde da população. Para o dentista da atenção básica, conhecer os medicamentos disponíveis e suas indicações é crucial para uma prescrição alinhada com os recursos e diretrizes do sistema.
O conceito de Uso Racional de Medicamentos (URM) é o pilar ético e técnico que permeia todas as questões de prova. O URM implica que o paciente receba o medicamento apropriado para sua necessidade clínica, na dose e período adequados, ao menor custo para si e para a comunidade. Em Odontologia, isso se traduz, principalmente, na luta contra a resistência bacteriana, evitando a prescrição desnecessária de antibióticos, e na prevenção de interações medicamentosas graves.
Para simplificar a preparação, é possível identificar cinco classes de medicamentos que são o cerne da atuação odontológica na atenção básica e, consequentemente, o foco das provas. Estes são: Amoxicilina (antibiótico), Ibuprofeno (anti-inflamatório não esteroidal – AINE), Paracetamol e Dipirona (analgésicos/antipiréticos) e Lidocaína com Epinefrina (anestésico local). Dominar o mecanismo de ação, a posologia e as contraindicações destes cinco grupos é o primeiro passo para a aprovação.
A Amoxicilina é o antibiótico de primeira escolha para a maioria das infecções odontogênicas na atenção básica, sendo um dos medicamentos mais cobrados. As questões geralmente exploram a profilaxia da endocardite bacteriana e o manejo de infecções agudas. O candidato deve estar atento aos protocolos de dose e duração, que visam a erradicação da infecção e a minimização do risco de resistência, um tema de saúde pública de extrema relevância.
No manejo da dor e inflamação, o Ibuprofeno e o Paracetamol são os protagonistas. O Ibuprofeno, como AINE, é eficaz no controle da inflamação pós-operatória, mas exige cautela em pacientes com histórico de problemas gastrointestinais ou renais. Já o Paracetamol é o analgésico padrão, frequentemente questionado por sua segurança em gestantes e por seu potencial de hepatotoxicidade em doses elevadas ou em associação com álcool.
A Dipirona (Metamizol) complementa o arsenal analgésico e antipirético, sendo amplamente utilizada no SUS para dor moderada a intensa. Embora sua segurança seja objeto de debate em alguns países, no Brasil ela é considerada segura e eficaz, e as questões de concurso tendem a focar em sua potência e na sua interação específica com a Clorpromazina, que pode levar à hipotermia grave, um detalhe que as bancas adoram explorar.
O uso da Lidocaína com Epinefrina é fundamental, mas a presença do vasoconstritor é o ponto nevrálgico das provas. A Epinefrina, apesar de potencializar e prolongar o efeito anestésico, exige atenção redobrada em pacientes com doenças cardiovasculares, como hipertensão e angina. O conhecimento da dose máxima permitida e a técnica de aspiração são protocolos de segurança que caem repetidamente nos exames.
As interações medicamentosas são o teste final do conhecimento do candidato. Uma das mais críticas e recorrentes é a associação de AINEs (como o Ibuprofeno) com anti-hipertensivos (como inibidores da ECA ou diuréticos). Esta interação pode reduzir o efeito anti-hipertensivo, elevando a pressão arterial do paciente, ou aumentar o risco de toxicidade renal, demonstrando a necessidade de uma visão sistêmica do paciente.
Outra interação clássica e de alto risco é entre AINEs e anticoagulantes orais, como a Varfarina. O AINE pode deslocar o anticoagulante das proteínas plasmáticas, aumentando sua concentração livre no sangue e, consequentemente, o risco de sangramento. O dentista deve saber identificar o risco e, se necessário, substituir o AINE por um analgésico sem efeito antiplaquetário, como o Paracetamol.
Finalmente, a interação entre a Epinefrina do anestésico e os betabloqueadores não seletivos (como o Propranolol) é um tema obrigatório. Essa combinação pode levar a uma crise hipertensiva seguida de bradicardia reflexa, um evento potencialmente fatal. O candidato deve saber que, nestes casos, a preferência é por anestésicos sem vasoconstritor ou com vasoconstritores alternativos, ou ainda, limitar a dose de Epinefrina a um mínimo seguro.
Em suma, o sucesso em Farmacologia no concurso de Odontologia do SUS reside na compreensão dos protocolos de atenção básica e no domínio dos cinco medicamentos essenciais e suas interações críticas. O estudo deve ser focado na aplicação clínica e no uso racional, transformando o conhecimento teórico em segurança para a prática e, mais importante, em pontos decisivos para a sua aprovação.
| Medicamento Essencial (RENAME) | Classe Terapêutica | Uso Odontológico Principal | Interação Crítica (Exame) |
| Amoxicilina | Antibiótico | Infecções Odontogênicas | Anticoncepcionais Orais (redução de eficácia) |
| Ibuprofeno | AINE | Dor e Inflamação | Anti-hipertensivos (redução de efeito) e Varfarina (risco de sangramento) |
| Paracetamol | Analgésico/Antipirético | Dor Leve a Moderada | Álcool (aumento de hepatotoxicidade) |
| Dipirona | Analgésico/Antipirético | Dor Moderada a Intensa | Clorpromazina (risco de hipotermia) |
| Lidocaína + Epinefrina | Anestésico Local | Procedimentos Cirúrgicos | Betabloqueadores Não Seletivos (risco de crise hipertensiva) |
Referências[1] Brasil. Ministério da Saúde. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME). Edição 2024. Disponível em: [URL da RENAME 2024].
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