Os 10 erros de português que mais eliminam candidatos em concursos. Como evitá-los?

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Há um equívoco silencioso que acompanha grande parte dos candidatos a concursos públicos: a crença de que o fracasso, quando ocorre, está sempre ligado à falta de estudo ou à ausência de domínio de conteúdos complexos. No entanto, a experiência prática — de sala de aula, de correção de provas e de análise de desempenho — revela um cenário bem diferente. Muitos candidatos não são eliminados porque desconhecem a matéria, mas porque tropeçam em erros básicos de língua portuguesa, repetidos à exaustão e, pior, muitas vezes ignorados durante a preparação.

Esses erros não são difíceis. Não exigem teoria sofisticada, nem memorização excessiva. O que eles exigem é atenção, consciência linguística e, sobretudo, um treinamento direcionado. A prova de português, especialmente em concursos, não perdoa deslizes que denunciam falta de domínio da norma culta. E a banca examinadora, ao contrário do que muitos imaginam, valoriza menos o candidato que “sabe muito” e mais aquele que erra pouco.

Antes de avançarmos na análise detalhada, vale a pena observar, de forma objetiva, quais são esses erros que mais aparecem nas provas e que mais eliminam candidatos:

Os 10 erros mais comuns em concursos

  1. Uso incorreto da crase;
  2. Concordância verbal inadequada (especialmente com sujeito composto);
  3. Confusão entre “esse” e “este”;
  4. Emprego indevido do “onde”;
  5. Erros de regência verbal.
  6. Uso incorreto da vírgula (principalmente entre sujeito e verbo);
  7. Confusão entre “há” e “a”;
  8. Pleonasmos viciosos;
  9. Ambiguidade estrutural (especialmente com o “que”);
  10. Erros de ortografia e acentuação.

A partir dessa lista, torna-se mais fácil compreender por que tantos candidatos, mesmo bem preparados, acabam sendo prejudicados. Não se trata de desconhecimento profundo da língua, mas de falhas recorrentes em pontos que deveriam estar consolidados.

Um dos erros mais emblemáticos é o uso indevido da crase. Trata-se de um fenômeno simples, que envolve a fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a”. Ainda assim, é comum encontrar candidatos aplicando crase onde ela não existe, como em “vou à pé”, ou deixando de utilizá-la em contextos obrigatórios. O problema, nesse caso, não é apenas desconhecimento da regra, mas a ausência de um critério prático de verificação. Quem domina a lógica da substituição por “ao” dificilmente erra; quem tenta “intuir”, geralmente se confunde.

Outro ponto crítico é a concordância verbal, especialmente quando o sujeito não aparece de forma simples. Estruturas com “nem… nem”, “não só… mas também” ou sujeitos compostos mais extensos costumam induzir o candidato ao erro. O verbo, que deveria refletir a soma dos núcleos do sujeito, acaba sendo flexionado no singular por influência do termo mais próximo. Esse tipo de falha revela não apenas distração, mas uma leitura superficial da estrutura da frase.

A confusão entre “esse” e “este” também compromete a qualidade textual. Em produções mais elaboradas, como redações ou respostas discursivas, o uso adequado desses pronomes é essencial para garantir coesão e clareza. “Este” aponta para algo que ainda será mencionado; “esse”, para algo já dito. Ignorar essa distinção pode gerar imprecisão e prejudicar a progressão das ideias.

No campo da regência verbal, os erros são igualmente frequentes. Verbos como “assistir”, “visar” e “obedecer” exigem preposições específicas, que muitas vezes são ignoradas por influência da linguagem coloquial. Esse distanciamento entre o uso cotidiano e a norma padrão é um dos grandes desafios enfrentados pelos candidatos.

A pontuação, por sua vez, continua sendo um dos pontos mais sensíveis. O uso indevido da vírgula, especialmente entre sujeito e verbo, compromete a estrutura sintática da frase e revela desconhecimento das regras básicas de organização do período. Ao contrário do que muitos pensam, a vírgula não serve apenas para indicar pausas, mas para estruturar logicamente a informação.

Outro erro bastante recorrente é a confusão entre “há” e “a” em expressões temporais. Trata-se de um detalhe aparentemente simples, mas que exige atenção. “Há” indica tempo decorrido; “a”, tempo futuro ou distância. A troca entre essas formas compromete o sentido da frase e é facilmente identificada pela banca.

Os pleonasmos viciosos, embora comuns na fala, também aparecem com frequência em textos escritos. Expressões como “subir para cima” ou “descer para baixo” são desnecessárias e, em contextos formais, consideradas inadequadas. Esse tipo de construção pode transmitir a ideia de descuido linguístico.

A ambiguidade, por sua vez, é um problema mais sutil, mas igualmente prejudicial. Frases mal estruturadas, especialmente com o uso do pronome “que”, podem gerar múltiplas interpretações. Em uma prova, isso compromete a clareza e pode levar à perda de pontos importantes.

Por fim, a ortografia continua sendo um dos maiores filtros em concursos. Palavras de uso comum ainda são grafadas incorretamente, o que revela falta de prática e de revisão. A escrita correta não depende apenas de conhecimento teórico, mas de contato frequente com a língua escrita.

Diante de tudo isso, fica evidente que o domínio da língua portuguesa, em concursos, não está necessariamente ligado à complexidade dos conteúdos, mas à capacidade de evitar erros recorrentes. O candidato que desenvolve essa habilidade passa a competir em outro nível, pois elimina falhas que derrubam grande parte da concorrência.

Mais do que estudar, é preciso estudar com estratégia. E, nesse contexto, corrigir erros vale mais do que acumular teoria. Afinal, em prova, não vence quem sabe mais — vence quem erra menos.

Espero que continue contando comigo para aprofundar cada vez mais o estudo da Língua Portuguesa. Um abraço do @Lucaslemos.pro

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