Tecnologias emergentes são inovações tecnológicas ainda em fase inicial de desenvolvimento ou de adoção, mas que apresentam elevado potencial de impacto nos campos econômico, social, político e cultural. Para fins de concursos, é importante compreender que não se trata apenas de novas ferramentas, mas de soluções capazes de alterar profundamente estruturas já consolidadas, inclusive no funcionamento do Estado.
Essas tecnologias possuem três características essenciais. A primeira é a novidade, pois representam ruptura ou evolução relevante em relação às tecnologias tradicionais. A segunda é o potencial transformador, já que podem modificar modelos de negócio, formas de organização institucional e hábitos sociais. A terceira é a adoção acelerada, uma vez que são incorporadas rapidamente por organizações e usuários, muitas vezes antes de atingirem plena maturidade técnica ou regulatória.

No setor público, o conceito de tecnologias emergentes ganha contornos próprios. Diferentemente do setor privado, a adoção tecnológica pelo Estado deve observar limites jurídicos, princípios constitucionais e a proteção de direitos fundamentais. Ainda assim, o poder público brasileiro vive um momento decisivo de transformação digital, rompendo gradualmente com a imagem de excessiva burocracia e lentidão administrativa.
Órgãos públicos estratégicos vêm incorporando tecnologias emergentes para modernizar processos internos, ampliar a eficiência administrativa e melhorar a prestação de serviços ao cidadão. Nesse contexto, a inovação deixa de ser episódica e passa a integrar a lógica permanente de funcionamento do Estado, alinhada a políticas públicas de governo digital e modernização administrativa.
Entre as tecnologias emergentes mais relevantes no setor público brasileiro, destacam-se a inteligência artificial, o blockchain, a internet das coisas, a automação de processos e o big data. Essas soluções são utilizadas de forma combinada para tratar grandes volumes de dados, integrar bases informacionais, reduzir fraudes e aumentar a segurança jurídica e administrativa das decisões estatais.
Exemplos de tecnologias emergentes aplicadas ao setor público:
- inteligência artificial para análise de dados e apoio à decisão administrativa
- big data para formulação de políticas públicas baseadas em evidências
- automação de processos para redução de tarefas repetitivas
- blockchain para aumento da segurança e rastreabilidade de informações
- internet das coisas para monitoramento de serviços e infraestrutura pública
- robótica avançada em atividades de inspeção e operação remota
A experiência de órgãos como a Receita Federal do Brasil demonstra o papel de protagonismo do Estado na adoção dessas tecnologias. O uso intensivo de análise de dados, cruzamento automatizado de informações e sistemas inteligentes tem contribuído para aprimorar a fiscalização, a arrecadação e o combate a ilícitos, evidenciando que a transformação digital no setor público possui impactos concretos e mensuráveis.

Contudo, a transformação digital não se resume à implementação de ferramentas tecnológicas. Ela exige profunda mudança cultural e organizacional, com investimento em capacitação de servidores, revisão de fluxos de trabalho e fortalecimento da governança pública. O desafio central não está apenas na tecnologia disponível, mas na capacidade institucional de utilizá-la de forma ética, estratégica e orientada ao interesse público.
No plano internacional, as tecnologias emergentes assumem relevância geopolítica. Em um cenário de disputas entre grandes potências e de aceleração tecnológica, soluções como inteligência artificial, nanotecnologia, genômica, biotecnologia e robótica avançada tornaram-se instrumentos estratégicos de poder, segurança e influência global.
Dentre essas tecnologias, destaca-se aquela com aplicações diretas nos campos da segurança e da defesa, como o controle de sistemas de armamentos autônomos, a defesa cibernética, a vigilância estratégica e a análise preditiva de ameaças. Sua importância decorre da capacidade de processar grandes volumes de dados em tempo real e de apoiar decisões em cenários complexos e dinâmicos.
À luz desse contexto, é correto afirmar que, no âmbito da segurança e da defesa contemporâneas, a tecnologia emergente de maior impacto geopolítico e militar é a inteligência artificial. Ela reúne todas as características descritas em provas de concurso: alto poder de processamento, apoio à tomada de decisões, automação de tarefas críticas e integração de múltiplos domínios operacionais.
No setor público brasileiro, a adoção da inteligência artificial insere-se em um movimento mais amplo de transformação digital do Estado, voltado à eficiência administrativa, à racionalização de recursos e ao aumento da capacidade de resposta às demandas sociais. A IA é utilizada especialmente em atividades que envolvem grandes volumes de dados, tarefas repetitivas ou necessidade de padronização decisória.
Por fim, é fundamental compreender que a inteligência artificial não substitui a atuação humana no poder público. Ela funciona como instrumento de apoio qualificado à tomada de decisões, devendo ser utilizada de forma regulada, transparente e responsável, em consonância com os princípios constitucionais da Administração Pública e com a centralidade da pessoa humana.
Tiago Carneiro Rabelo
Especialista em Direito Digital e Graduando CST em Inteligência Artificial.
Autor e Palestrante.
Professor no GRAN, JusPodivm e ESA/DF (OAB/DF).
@prof.tiagorabelo (redes sociais).
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