Boa parte das pessoas que decidem estudar para concurso público está em busca de qualidade de vida. Geralmente, o foco é ser tratado com respeito no trabalho, ter senso de propósito no que faz e, nesse processo, ganhar melhor, ter estabilidade e um pouco de paz e sossego nas finanças… Para Graziela, porém, essa decisão foi motivada por uma necessidade ainda mais básica. O que ela buscava não era qualidade de vida; era a vida em si.
Nascida em São Paulo, mas criada em Pirassununga, Graziela cresceu em uma família com tradição no serviço público. Os tios e padrinhos que ajudaram a criá-la eram policiais militares, de modo que essa carreira sempre esteve no seu radar. Sua história como concurseira, no entanto, começou longe de qualquer cenário ideal.
É que Graziela foi mais uma entre tantas mulheres vítimas de relações abusivas. Em pouco mais de um ano de relacionamento com o ex-marido e pai de sua filha, ela se viu perdendo tudo, inclusive – e principalmente – o emprego no banco Itaú e a faculdade de Direito, que precisou trancar.
Sua tábua de salvação, ela logo lembrou, seria o concurso público. Dentro de casa, porém, que deveria ser refúgio, o espaço era de medo. Graziela enfrentava sabotagens diárias e controle constante do então “companheiro”, o que incluía monitoramento de sua rotina por meio de videochamadas. Ela não tinha sossego. Até mesmo quando apenas ouvia as aulas, ele interferia, desligando os aparelhos.
Dado momento, a violência escalou, e Graziela sofreu severas agressões físicas, mesmo quando estava grávida. Nem o celular e o computador escaparam à fúria do homem, abalado em sua “masculinidade”. O abuso também era emocional. Palavras de desestímulo eram constantes e minavam a autoestima da mulher, numa técnica bastante comum entre pessoas tóxicas. Quando ela chegou perto de ser aprovada no concurso do TJSP, as ofensas se intensificaram, com frases como “você é burra”, “você não tem capacidade” e “você está ficando louca se acha que vai conseguir”.
Por muito tempo, Graziela teve vergonha de relatar esses eventos, sentimento comum às mulheres em contextos similares, mas hoje compreende que a culpa era exclusivamente do agressor. Felizmente, para ela as marcas deixadas pelo homem que deveria cuidar dela e da filha, embora permanentes, serviram como “mola propulsora” na busca por independência.

Graziela perdeu as contas de quantas vezes estudou com a filha bebê no colo.
E o que lhe dava força? O apoio e o exemplo da mãe, que venceu na vida graças ao concurso público. Graziela se lembrava bem dela, já na maturidade, estudando no ônibus onde trabalhava como cobradora até ser aprovada no cargo de agente educacional, aos 50 anos. A partir dessa memória, Graziela compreendeu que sua chance de escapar daquele ciclo de violência não viria de concessões, mas de ações concretas.
A caminhada foi longa, e Graziela, como a maioria dos concurseiros, colecionou reprovações antes de ter sucesso. Bateu na trave em diversas ocasiões, ficando a apenas dois pontos da nota de corte para Escrevente do Tribunal de Justiça de São Paulo e por uma única questão para Agente de Telecomunicações da Polícia Civil. A sensação era de que todas as portas permaneciam fechadas.
Mas ela insistiu.
No Gran, encontrou professores que explicavam com clareza, e, então, as aulas se tornaram presença constante, inclusive nos dias em que só conseguia ouvi-las. Mesmo com certas pessoas tentando atrapalhar seus estudos ou convencê-la de sua incapacidade, ela persistia, acumulando conhecimento, ainda que silenciosamente.
Quando saíram os editais do TJSP, da Polícia Militar e da Polícia Civil, ficou claro que as provas exigiriam muito mais que conteúdo. Exigiriam que ela lidasse com o próprio emocional e que avançasse apesar das sabotagens e do medo. Estudar continuava sendo a única alternativa.
E era urgente. Para o concurso da Polícia Civil de São Paulo, Graziela estudou como nunca. Nos seis meses de preparação, enfrentou madrugadas de estudo intensivo. Não tinha mais fins de semana ou feriados; afinal, aquela prova representava a chance de voltar à liberdade.
A aprovação veio, e com margem, embora, ao abrir o Diário Oficial, Graziela estivesse tão nervosa que não conseguiu encontrar seu nome na lista de aprovados. Acreditando que havia falhado, entrou em desespero. Foi a mãe, mais experiente nas pesquisas na imprensa oficial, quem salvou o dia. Achou o nome da filha, enviou o print a ela e lhe devolveu a confiança perdida.
A reação de Graziela foi visceral, com muito choro. Os gritos de alívio foram tantos que a vizinhança até se alarmou. Mas era tudo justificável. Aquela conquista encerrava um ciclo ruim e abria outro bem diferente, no qual ela poderia traçar caminhos bem mais promissores.

Primeiro sonho realizado: policial civil de São Paulo!
Agora agente da Polícia Civil, Graziela enfim conquistou o próprio espaço, passou a sustentar a filha, Mirella, e a cuidar da mãe. As marcas do passado de violência permaneciam, mas já não ditavam rumos. E ela seguiu o que havia definido para si.
Seu maior sonho era ser delegada na mesma instituição onde já estava trabalhando, e levou alguns anos, mas ela conseguiu, novamente com o apoio e orientação do Gran. Livre do antigo relacionamento abusivo, tomou posse no cargo ao lado do novo companheiro, colega de turma, que a apoia em tudo. A vida ganhou outros contornos. Voltou à normalidade.

Outro sonho realizado: posse como Delegada de Polícia, na mesma turma do namorado. O novo relacionamento é bem diferente do anterior.
A história de Graziela não se resume aos concursos públicos que prestou, é claro, mas esse recorte serve para reforçar duas coisas que toda vítima de abusos deve saber: primeiro, sua situação atual não define quem você é; segundo, é perfeitamente possível sair de um lugar onde o medo impera e ir para outro onde o autocuidado se impõe.
Para Graziela, estudar foi um ato de resistência que garantiu não apenas uma carreira, mas a chance de existir com liberdade. Encontre você também sua própria motivação. Ela pode ser a sua mola propulsora, o impulso que estava faltando para a sua guinada.
Gabriel Granjeiro – CEO e sócio-fundador do Gran, maior Edtech do Brasil em número de alunos, com mais de 800 mil discentes ativos pagantes. Reitor e professor da Gran Faculdade. Acompanha o universo dos concursos desde a adolescência e ingressou profissionalmente nele aos 14 anos. Desde 2016, escreve artigos semanais para o blog do Gran, que já somam milhões de leitores.
Formou-se entre os melhores alunos em Administração e Marketing pela New York University Stern School of Business. Foi incluído na lista Forbes Under 30 (2021), eleito Empreendedor do Ano pela Ernst & Young (2024) e reconhecido pela MIT Technology Review como Innovator Under 35 no Brasil e na América Latina. Autor de quatro livros best-seller na Amazon Kindle.
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