Andreia aprendeu a ler à beira do rio. O relógio da infância era a vazante do Juruá, o barulho da canoa encostando no barranco, o silêncio pesado das noites sem energia. A cidade mais próxima ficava a dois dias de viagem. A escola pública era luxo de quem aguentava o trajeto. Os pais, trabalhadores do mato e da água, não concluíram o ensino fundamental. Seis filhos, escadinha. De repente, uma decisão mudou o destino da casa: “Vamos para Cruzeiro do Sul; eles precisam estudar”.

Andreia não possui fotos da época em que morava em uma comunidade ribeirinha. Sua casa era bem parecida com essa, localizada no Seringal Alegria. Na época, sequer havia eletricidade na região.
Chegaram com atraso e pressa. Andreia pulou série, pegou o fio do conteúdo no ar, sempre na ponta dos pés. Terminou o ensino médio e fez o que se pode fazer quando o vestibular parece um muro alto demais: pegou a estrada para Manaus, ficou na casa de uma tia e apostou num curso técnico em radiologia. A promessa era clara: “emprego rápido, trabalho digno, portas abertas”. Vieram, em vez disso, as primeiras lições do Brasil real: processo seletivo sem nomeação; a carteira de trabalho fechada; a conta que não fecha.
Voltou para casa quando a prefeitura abriu concurso. A faculdade ainda era um sonho caro. Havia vaga de apoio escolar. Andreia passou em primeiro lugar para merendeira e vestiu o avental com orgulho. Foram três anos servindo comida quente e ouvindo a algazarra do recreio — e, de quebra, descobrindo um caminho: estabilidade não era mito; concurso não era lenda urbana. Era, sobretudo, imparcial, coisa rara onde indicação manda muito e oportunidade custa caro.
Da cozinha da escola, ela foi chamada, anos depois, para um cargo efetivo na área da saúde do Estado. No meio do caminho, abriu outra porta que diziam não ser dela: a faculdade. Graduou-se em Agroecologia. “Nada a ver com tribunal”, ela brinca hoje. Tem a ver com resistência, ela poderia dizer.
Veio o tempo de mirar mais alto. Os problemas: concurso federal, prova na capital, Rio Branco, a centenas de quilômetros, passagens caras, estradas que desaparecem na chuva. Andreia ia de ônibus quando o dinheiro faltava; fazia conta até para o lanche. Acertava uma ou outra questão, ficava em cadastro de reserva, não era nomeada. E insistia.
Em 2016, um amigo trouxe uma notícia que parecia exagerada: “Assinatura ilimitada do Gran! Experimenta!”. Pela primeira vez, um cardápio completo: aulas, PDFs, questões, tecnologia de ponta. Quando o edital da Funai apareceu, ela fez o que dava: fechou as básicas com o Gran, estudou todos os dias depois do expediente, varou noites, anotou, revisou. Não passou. Mas a nota alta nas disciplinas de base acendeu um farol: “Eu consigo”.
Um tropeço grande veio com o TRF-1. A primeira prova com a banca Cebraspe. Cortes, pegadinhas, o famigerado “uma errada anula uma certa”. Andreia não bateu a mínima. Ficou um mês de luto estudantil. Achou que não era para ela. Superado o luto, persistiu nos estudos. A vida e os concursos a levaram para Tarauacá, um interior ainda mais interior, com poucas opções de lazer e com a família longe, mas que a permitiu tomar posse no Instituto Federal do Acre. Foi lá que montou um “quartinho de guerra”: mesa simples, cadeira confortável, parede forrada de metas. Andreia percebeu que tinha a capacidade de ir além. Diante disso, ficou com muita vontade de trabalhar em um tribunal. O marido, já formado em Agronomia, sentou-se ao seu lado. “Sem alarde, sem contar para ninguém. A gente só avisa quando vierem os resultados”, combinaram.
No meio do caminho, a vida testou o plano. Andreia engravidou. Sonhou o sonho inteiro. Faltando menos de um mês para uma prova importante, veio o aborto. Quem já passou sabe que não há palavras suficientes. Ela desligou as aulas, afastou-se do trabalho, viveu o luto. Uma semana depois, o marido insistiu: “Vamos a Rio Branco, só para tentar”. Ela foi. Sem expectativa, sem autopressão, e passou na primeira fase. Pouco depois, outra prova, outra cidade, mais um resultado que a colocou no mapa. Não era a aprovação definitiva, mas era combustível. “Dá para chegar.”
Veio, então, um amor à primeira vista: o TJ-AM. Andreia já conhecia Manaus, sabia o que significava aquele prédio de vidro onde ela passava na calçada, imaginando o ar-condicionado, o respeito, a rotina. “Vou focar nesse”, decidiu. Não havia orçamento para “tour de edital” Brasil afora. O plano era simples e duro: ou dá, ou dá.
Ela fechou o mundo. Acordava cedo para o trabalho, estudava à noite e virou frequentadora assídua dos professores que destrincham o que a banca realmente cobra. Transformou processo em checklists, fez súmula virar mapa mental e repetiu jurisprudência até dormir. Enquanto isso, apareceu um concurso administrativo na UFAC. Ela fez e foi nomeada. Agradeceu, respirou fundo e recusou: o resultado do TJ-AM tinha acabado de sair. O coração já tinha endereço.
A aprovação chegou sem fanfarra, como chegam as coisas importantes: num e-mail, num PDF, no nome que você procura linha por linha até achar o seu. Do barranco do Juruá à lista do Tribunal, há uma ponte feita de anos, ônibus, noites, negativas, PDFs riscados, videoaulas aceleradas, uma cozinha de escola, um luto profundo, um quartinho de guerra em Tarauacá — e uma teimosia mansa que não grita, mas também não desiste.

O tribunal proporcionou a Andreia sonhos antes inatingíveis: plano de saúde para a família, casa própria, carro quitado e qualidade de vida com propósito.
Hoje, está trabalhando no TJ-AM e também foi aprovada para analista, cargo que, em breve, poderá nomeá-la. Com a chegada dos filhos, a vida ficou mais completa, e Andreia olha para trás e entende a frase que repete sempre que alguém a procura desanimado: “O impossível, para mim, era uma opinião que eu tinha antes de aprender a trabalhar direito.”
Como ela, você também pode reinventar completamente a sua vida. E neste dia 5 de janeiro, você terá a melhor oportunidade do ano para dar esse passo, pelo menor preço.
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Andreia e seu esposo seguem estudando com o Gran, mas agora com estabilidade e mirando alvos ainda maiores, como a Câmara dos Deputados, que abriu o edital recentemente.
Gabriel Granjeiro – CEO e sócio-fundador do Gran, maior Edtech do Brasil em número de alunos, com mais de 800 mil discentes ativos pagantes. Reitor e professor da Gran Faculdade. Acompanha o universo dos concursos desde a adolescência e ingressou profissionalmente nele aos 14 anos. Desde 2016, escreve artigos semanais para o blog do Gran, que já somam milhões de leitores.
Formou-se entre os melhores alunos em Administração e Marketing pela New York University Stern School of Business. Foi incluído na lista Forbes Under 30 (2021), eleito Empreendedor do Ano pela Ernst & Young (2024) e reconhecido pela MIT Technology Review como Innovator Under 35 no Brasil e na América Latina. Autor de quatro livros best-seller na Amazon Kindle.
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