Quando sobreviver já não basta

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Na última segunda-feira realizamos nossa Reinvenção, o maior evento educacional do Brasil, que alcançou nada menos que 3,7 milhões de visualizações. Entre tantas histórias marcantes que conhecemos nesse encontro, uma se impôs pelo peso e pela verdade. É sobre ela que escrevo agora. Prepare-se para ficar impactado.

Nossa protagonista se chama Dariane Batista. O pai era pedreiro e a mãe era doméstica e trabalhava na casa de uma servidora pública. Dariane a acompanhava no trabalho de vez em quando e observava, curiosa, aquela realidade que parecia tão distante…

A infância simples, dura, marcada por restrições claras e raríssimas concessões, foi sucedida por outra fase difícil que fez sua percepção de mundo mudar. Sabe aquele momento em que a pessoa entende, numa epifania dolorosa, que continuar como está não é mais uma opção? Que o custo se tornou alto demais? E que a reação é urgente? Foi o que aconteceu com Dariane.

Ela sempre soube que estudar era a única possibilidade concreta de mudar de vida. Em casa, cresceu ouvindo que é por meio dos estudos que as coisas podem tomar outro rumo. Dariane absorveu como poucos a lição dos pais. Acreditou neles. Guerreira, chegou a começar a universidade. Mas eis que a roda da vida girou e a fez adiar os planos de se graduar…

É que ela ficou grávida, e prematuramente. A nova responsabilidade exigia decisões difíceis – e urgentes –, como essa de abandonar temporariamente os próprios sonhos. Até aí, tudo bem. É o esperado. Contudo, no caso de Dariane, a maternidade se revelou mais do que desafiadora; mostrou-se verdadeiramente angustiante. 

Manuela, a primeira filha, foi diagnosticada com epidermólise bolhosa, doença genética rara, grave e dolorosa, que transforma o mais leve toque em ferida. É uma condição que exige cuidados constantes, alimentação especial e acompanhamento médico contínuo. Ou seja, o tratamento é caro. Bem caro.

Dariane com os filhos, Manuela, Kauan e Ruan. Dois deles são especiais.

Dariane não tinha recursos. Via a filha chorar de dor e chorava junto. Chorava por não conseguir oferecer tudo que a criança precisava. Chorava por amar demais e poder pagar de menos. Ser mãe solo, naquele contexto, significava sustentar sozinha o cuidado diário e, ao mesmo tempo, lidar com o medo permanente, a culpa silenciosa e a sensação constante de impotência.

Mais tarde, nasceram os gêmeos. Com eles, o amor e a responsabilidade triplicaram, e as dificuldades também. É que um dos bebês está dentro do espectro autista. Tal como a irmã, ele também precisa de terapias variadas, medicação e intervenções que lhe garantam desenvolvimento, qualidade de vida… e futuro.

Como Dariane poderia dar conta de tudo isso se mal conseguia se manter sozinha? Sem emprego fixo, morava com a irmã e dependia de doações para sustentar a si e aos filhos. Ela já havia tentado a iniciativa privada, mas não deu certo. Mães solteiras com filhos pequenos raramente passam da entrevista, não por falta de competência, mas porque o sistema não sabe lidar com quem carrega responsabilidades concretas.

Foi nesse cenário que ela entendeu que tinha de mudar a própria história. Não gradualmente, não quando as coisas melhorassem, não quando sobrasse tempo. Precisava mudar . A opção pelo concurso público, democrático por natureza, foi o movimento natural nesse contexto. Passar não era um sonho distante; dependia apenas dela. Dariane se lembrou da velha lição dos pais e decidiu investir nos estudos.

Veja o estado do colchão onde Dariane estudava. Alguma dúvida quanto à sua falta de condições?

A luta começou e não foi nada fácil. As crises constantes do filho ainda sem tratamento não ajudavam. Do outro lado, a mais velha queria apenas ser uma criança comum, brincar como as outras, mas não podia. Dariane sofria junto e passou por vários períodos de exaustão física e emocional, mas persistiu.

Um dos muitos momentos de cansaço. Dariane não se lembra por que tirou essa foto, mas sabe muito bem o motivo das lágrimas.

Foi então que ela começou a se preparar com o Gran, e isso virou o jogo. Dariane não tinha tempo para buscar material, organizar conteúdos ou testar caminhos. Ela precisava de agilidade, eficiência, organização, método, e encontrou tudo isso em nossa plataforma. 

Estudava quando era possível, muitas vezes de madrugada, enquanto os filhos dormiam. O sono acumulado doía, o corpo pedia descanso, o choro vinha, incontido, mas ela abria o material assim mesmo e seguia. Uma noite de cada vez.

Seis meses mais tarde, veio a primeira aprovação, para a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Não era o cargo dos sonhos, muito menos o ponto final da jornada, mas foi o primeiro avanço efetivo rumo à dignidade. O salário na conta todo mês era algo inédito para ela, que começou a comprar alimentação adequada para a filha e a pagar o tratamento do filho. Alugou uma casa e montou o quarto das crianças, oferecendo algo simples porém fundamental: segurança.

Ela respirou e, ao fazê-lo, percebeu que ainda havia espaço para avançar. Não por ambição vazia, mas porque filhos crescem, necessidades aumentam e pensar no futuro é parte da responsabilidade.

Mesmo trabalhando na UFMT, com rotina pesada e os três filhos pequenos demandando atenção, ela seguiu estudando com o Gran. Virar noites já não era mais possível, então foi preciso adaptar. Vídeos, PDFs, audioaulas… o formato importava menos que a constância.

Decidiu tentar a Defensoria Pública, um concurso mais concorrido. Havia apenas uma vaga na região escolhida. Aquela era uma aposta arriscada, que Dariane fez com medo mas também maturidade.

Novamente o cansaço, novamente a sensação de que o estudo às vezes não avançava, novamente a dúvida quanto à própria capacidade, novamente a vontade de desistir. Mas isso significaria retornar a um lugar do qual ela tinha acabado de sair, o que já não era mais aceitável. 

Quando saiu o resultado, a ficha demorou a cair.

Primeiro lugar.

Se a aprovação anterior lhe trouxe dignidade, a segunda trouxe algo ainda mais valoroso: confiança.

Dariane já está trabalhando na Defensoria Pública. Tem jornada reduzida, plano de carreira, tempo para os filhos e tranquilidade para planejar o futuro. Não estuda mais movida pelo desespero, e sim porque sabe que pode ir além.

Momento de vitória: agora servidora da Defensoria Pública.

Ela se tornou a primeira servidora pública da família. A mesma menina que, lá atrás, ficou fascinada pela realidade da patroa da mãe, por uma vida que parecia distante demais.

Não era.

A história de Dariane não romantiza a dor, não promete facilidade nem oferece atalhos. Ela apenas revela algo simples e verdadeiro: que sobreviver cansa e que viver exige tomada de decisão. Também mostra que, quando se encontram as ferramentas certas, como o estudo sério e estruturado, tudo muda. Primeiro, para permitir respirar. Depois, para continuar crescendo.

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Queremos contar a sua história. 🙂

O antes e depois registrado pela própria Dariane. O sorriso diz tudo.


Gabriel Granjeiro – CEO e sócio-fundador do Gran, maior Edtech do Brasil em número de alunos, com mais de 800 mil discentes ativos pagantes. Reitor e professor da Gran Faculdade. Acompanha o universo dos concursos desde a adolescência e ingressou profissionalmente nele aos 14 anos. Desde 2016, escreve artigos semanais para o blog do Gran, que já somam milhões de leitores.

Formou-se entre os melhores alunos em Administração e Marketing pela New York University Stern School of Business. Foi incluído na lista Forbes Under 30 (2021), eleito Empreendedor do Ano pela Ernst & Young (2024) e reconhecido pela MIT Technology Review como Innovator Under 35 no Brasil e na América Latina. Autor de quatro livros best-seller na Amazon Kindle.

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