Da carreira militar ao Legislativo Federal: conheça a história de Leonardo C.

Após quase 20 anos no Exército e uma rotina profissional intensa, Leonardo C. foi aprovado na Câmara dos Deputados e construiu uma nova etapa no Legislativo Federal com disciplina e estudo contínuo.

Por
Publicado em
4 min. de leitura

Leonardo C. conquistou uma trajetória de destaque no Legislativo Federal. Major da reserva do Exército, ele foi aprovado para a Câmara dos Deputados em 43º lugar, entre mais de 43 mil candidatos, após uma preparação construída com disciplina, renúncias e jornadas de trabalho superiores a dez horas, inclusive aos fins de semana.

A conquista se soma a uma trajetória marcada por estudo contínuo, reprovações, recomeços e aprovações em diferentes concursos públicos. Também inclui a aprovação para Analista de Processo Legislativo do Senado Federal, em cadastro reserva, e a posse como Analista Legislativo da Câmara dos Deputados, em 14 de junho de 2024.

Hoje, Leonardo atua em um ambiente diretamente ligado ao funcionamento do Poder Legislativo. Em setembro de 2025, também foi selecionado para trabalhar como assessor de Plenário da Câmara dos Deputados. Para quem começou a vida em uma família humilde e encontrou na educação o caminho para mudar o próprio destino, a possibilidade de escolher entre dois grandes cargos do Legislativo Federal representou uma conquista especialmente significativa.

Uma infância simples e a educação como projeto de vida

Leonardo perdeu o pai aos quatro anos. Sua mãe, que havia concluído apenas o ensino médio e enfrentava limitações financeiras, assumiu sozinha a criação dos filhos. Ainda assim, manteve uma certeza que acompanharia o filho por toda a vida: a educação poderia mudar o destino da família.

Ele estudou sempre em escola pública e, desde cedo, entendeu que precisaria se dedicar além da média para superar as limitações impostas pela realidade. Em 1995, foi aprovado para o Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar de Minas Gerais e para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército, escolhendo seguir a carreira militar.

Foram quase duas décadas de serviço às Forças Armadas. Como Major da reserva do Exército, Leonardo construiu uma formação baseada em disciplina, autodidatismo e capacidade de lidar com pressão, cansaço e pouco tempo disponível. Essas características seriam decisivas quando ele retomasse os estudos para concursos civis.

A decisão de mudar de carreira

Em 2011, Leonardo voltou a estudar com foco em órgãos federais civis, enquanto cursava Direito. No ano seguinte, foi aprovado para Analista Judiciário do TRE-SP. A aprovação veio acompanhada de uma espera: inicialmente em cadastro reserva, ele só tomou posse em 2015. Também foi aprovado para o mesmo cargo no TRE-ES, mas não chegou a ser convocado.

A experiência no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo trouxe estabilidade e amadurecimento profissional. Leonardo chegou a assessorar um dos membros da Corte, oportunidade que, segundo ele, foi decisiva para ampliar seu raciocínio jurídico e sua visão institucional.

Mas a estabilidade não encerrou o projeto de mudança. A defasagem remuneratória e as particularidades da carreira militar haviam influenciado a decisão de buscar uma nova direção. Em 2018, já como Analista do TRE-SP, ele passou a mirar o Legislativo Federal e escolheu a assinatura vitalícia do Gran para apoiar essa preparação.

Quando estudar precisou caber em uma rotina de mais de dez horas

A preparação para o Senado Federal aconteceu durante um período particularmente exigente. Leonardo trabalhava presencialmente na Justiça Eleitoral, vivia um ano eleitoral e enfrentava jornadas superiores a dez horas por dia, inclusive aos fins de semana. Ainda assim, manteve o projeto de estudo.

A rotina não era a de quem dispunha de longos períodos livres. Ao longo da vida, ele precisou conciliar os estudos com a escola, o trabalho, a faculdade de Direito e funções profissionais de alta exigência. A experiência no Exército ajudou a transformar essa limitação em método: estudar com qualidade em janelas curtas, preservar a constância e seguir o planejamento mesmo quando as circunstâncias não eram ideais.

As reprovações também fizeram parte do caminho. Em vez de tratá-las como ponto final, Leonardo as utilizou para ajustar estratégias, amadurecer emocionalmente e compreender que o processo até o resultado é feito de avanços, espera e correções de rota.

Uma preparação orientada pelas disciplinas específicas

Nos concursos do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, as matérias específicas tinham peso decisivo e também serviam de base para as provas discursivas. Como já apresentava bom domínio de disciplinas básicas, como Direito Constitucional e Direito Administrativo, Leonardo redistribuiu o tempo e concentrou esforços nos conteúdos específicos.

Para o concurso do Senado, o curso de Gabriel Dezen, do Gran, teve papel central. Leonardo destaca o detalhamento do conteúdo, o aprofundamento teórico e a sequência de exercícios. Depois de rever especialmente os temas de Regimento Interno, ele afirma que o material ficou praticamente memorizado.

A preparação também contou com a leitura de leis secas comentadas, o Guia do Aprovado, questões e simulados. Esses recursos ajudaram a organizar o estudo, medir a evolução, localizar pontos fracos e ajustar o ritmo de prova. Para ele, porém, o grande diferencial foi a qualidade do corpo docente da assinatura ilimitada, com professores como Pedro Lenza, em Direito Constitucional, e Carlos Elias, em Direito Civil.

“Essa combinação de excelência acadêmica, didática clara e profundidade teórica foi determinante para consolidar o conhecimento e transformar o estudo em resultado concreto”, afirma Leonardo.

O resultado que abriu duas possibilidades no Legislativo Federal

A aprovação no Senado Federal veio em cadastro reserva, em uma posição distante das vagas imediatas. Ainda assim, Leonardo relatou que existia expectativa concreta de nomeação ao longo de 2026.

Na sequência, com a autorização de um novo concurso para a Câmara dos Deputados e o ritmo de estudos já consolidado, ele decidiu seguir na preparação. O resultado foi a aprovação em 43º lugar, entre mais de 43 mil candidatos, figurando entre os 73 aprovados remanescentes após as provas discursivas aplicadas pela FGV.

A posse na Câmara, em junho de 2024, marcou uma virada profissional. Em vez de representar apenas uma mudança financeira, a nova função trouxe a oportunidade de trabalhar diretamente com processo legislativo e com o funcionamento do Poder Legislativo. Leonardo também destaca o aprendizado permanente, os cursos oferecidos pelo Centro de Formação da Casa e o contato diário com profissionais altamente qualificados.

Para ele, há um sentido adicional em atuar em um órgão no qual o trabalho pode contribuir para a construção de um país mais justo e igualitário. A conquista, portanto, não se resume ao cargo: representa a chegada a um ambiente profissional que dialoga com sua formação, sua experiência e seu projeto de vida.

O próximo desafio pode estar além da aprovação

Mesmo depois de alcançar a Câmara dos Deputados e manter uma aprovação no Senado Federal, Leonardo não se considera necessariamente no fim da caminhada. Ao comentar que fez um dos últimos Exames Nacionais da Magistratura quase como um teste, sem grandes pretensões, deixou aberta a possibilidade de novos projetos.

“E confesso: ainda não sei se pendurei as chuteiras’”, conta. A frase resume uma relação com os concursos que ultrapassa a busca por um cargo específico. Para Leonardo, estudar deixou de ser apenas uma etapa até a aprovação e passou a fazer parte da própria identidade.

O que Leonardo C. recomenda a quem ainda está na preparação

A experiência de Leonardo mostra que a preparação pode avançar mesmo quando o candidato precisa trabalhar em uma rotina exigente. Para quem está começando ou tentando retomar os estudos, ele recomenda construir um processo sustentável, sem depender de períodos extraordinários de produtividade.

“Se há algo que eu realmente posso destacar é que constância supera intensidade.”

A orientação vem acompanhada de um método objetivo: estudar um pouco todos os dias, fazer muitas questões e usar o edital anterior como referência antes da publicação de um novo. Depois do edital, o foco deve migrar para a banca responsável pela prova e para os padrões de cobrança específicos do concurso.

Leonardo também reforça que a preparação não pode negligenciar a escrita. O bom desempenho na prova objetiva não é suficiente quando há etapa discursiva. Por isso, recomenda treinar a organização do pensamento, estruturar respostas e escrever com frequência.

Na parte teórica, ele indica a leitura da lei seca, a passagem pela legislação comentada, a complementação com jurisprudência e o uso estratégico da doutrina. A combinação entre constância, escrita, questões, legislação, jurisprudência e aprofundamento teórico foi a base que o acompanhou até o Legislativo Federal.

Por
Publicado em
4 min. de leitura

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *