Olá pessoal! Tudo bem? Sou a professora Débora Juliani, farmacêutica, especialista em Análises Clínicas e faço parte da equipe do Gran Concursos.
Normalmente, não por acaso, apareço por aqui trazendo temas de Análises Clínicas para Concursos e Residências. Mas dessa vez farei uma abordagem um pouco diferente! Vamos correlacionar a farmacologia com as alterações laboratoriais que podem surgir nos pacientes em uso deste medicamento que tem estado em todos os lugares — consultórios, congressos, redes sociais e, claro, cada vez mais nos exames laboratoriais: a tirzepatida, a famosa “canetinha emagrecedora”, cujo nome comercial é Mounjaro®.
Nos últimos meses ficou difícil não ouvir falar dela. Possivelmente conhece alguém que faz ou já fez uso do medicamento e pode até ser que você mesmo já tenha utilizado (espero que com boa indicação clínica e acompanhamento!)
Indicada para diabetes tipo 2 e amplamente comentada pelos efeitos sobre perda de peso, a tirzepatida chamou atenção não só pelos resultados clínicos, mas também pelo impacto metabólico que pode ser percebido no laboratório.
Mas aí vem a pergunta que interessa pra gente: o que muda nos exames laboratoriais de um paciente em uso de tirzepatida? E a resposta é: bastante coisa, principalmente quando acompanhamos o paciente ao longo do tratamento.
A primeira alteração que costuma chamar atenção é a queda da glicemia. Como a tirzepatida melhora a resposta insulínica e reduz a produção hepática de glicose, os níveis glicêmicos tendem a diminuir. Por isso, glicemia de jejum e glicemia pós-prandial frequentemente apresentam melhora significativa.
Junto com isso, vemos também redução da hemoglobina glicada (HbA1c), que é um dos marcadores mais acompanhados nesses pacientes. Em muitos casos, a queda da HbA1c é bastante expressiva após algumas semanas ou meses de tratamento.
Outra mudança comum aparece no perfil lipídico. Alguns pacientes apresentam redução de triglicerídeos, queda discreta do LDL e melhora global do perfil metabólico. Não é uma medicação indicada especificamente para dislipidemia, mas esse benefício laboratorial costuma aparecer.
O peso corporal, que reduz consideravelmente, também influencia vários exames. Com a perda ponderal, podemos observar melhora indireta de marcadores como insulina basal, HOMA-IR e até redução de processos inflamatórios relacionados à obesidade metabólica.
Em alguns casos também vemos melhora de enzimas hepáticas, como ALT (TGP) e AST (TGO), especialmente em pacientes com esteatose hepática associada à resistência insulínica. Isso acontece porque a perda de gordura hepática acompanha a melhora metabólica global.
Mas nem tudo “são flores” (e reduções). Um ponto importante de atenção laboratorial é o trato gastrointestinal. Como a tirzepatida retarda o esvaziamento gástrico, alguns pacientes apresentam náuseas, vômitos ou menor ingestão alimentar, e isso pode impactar exames como eletrólitos, ureia ou até função renal, especialmente se houver desidratação.
Outro marcador que merece observação é a amilase e lipase. Embora nem sempre tenham relevância clínica isoladamente, alguns pacientes podem apresentar elevação dessas enzimas durante o acompanhamento, motivo pelo qual elas podem entrar no monitoramento em determinados cenários.
Também vale lembrar que a rápida perda de peso pode modificar outros parâmetros ao longo do tempo, como ferritina, vitamina B12, perfil nutricional e até ácido úrico, especialmente quando há mudança importante no padrão alimentar.
E aqui está a parte mais interessante para nós das análises clínicas: muitas vezes o laboratório acompanha essas mudanças antes mesmo de o paciente percebê-las clinicamente. Um hemograma, uma glicemia ou um perfil bioquímico podem contar a história metabólica inteira daquele tratamento.
Então, pessoal, quando um paciente em uso de tirzepatida chega ao laboratório, não estamos vendo apenas um pedido de exame. Estamos vendo um organismo passando por uma reorganização metabólica importante e os resultados laboratoriais ajudam a contar cada capítulo dessa transformação.
Para encerrar, convido você a conhecer nossas videoaulas! Nelas discutimos todos estes parâmetros laboratoriais e seus significados clínicos, para que você chegue com tudo nas suas provas! Um forte abraço e bons estudos!
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