Olá, pessoal! Como vocês estão? Eu sou a professora Débora Juliani, farmacêutica especialista em Análises Clínicas, e faço parte do time do Gran Concursos.
Hoje vamos conversar sobre um tema muito comum na prática clínica e que sempre rende dúvida em prova: a intolerância à lactose. Todo mundo conhece alguém que “passa mal com leite”, mas o nosso papel no laboratório é entender se existe realmente intolerância, como investigar e quais exames ajudam nesse diagnóstico.
Primeiro, vamos alinhar os conceitos. A lactose é o açúcar do leite e, para ser digerida corretamente, precisa da enzima lactase, produzida no intestino delgado. Quando essa enzima está reduzida ou ausente, a lactose não é quebrada como deveria, e aí começam os sintomas.
Esses sintomas costumam aparecer após a ingestão de leite ou derivados: distensão abdominal, gases, dor, náusea e diarreia. O problema é que esses sinais são pouco específicos e podem confundir com outras condições gastrointestinais. É aí que entra a investigação laboratorial.
Um dos testes mais antigos e conhecidos é o teste de tolerância à lactose, também chamado de curva glicêmica da lactose. O raciocínio é simples: o paciente ingere lactose e, se ela for digerida, a glicose resultante será absorvida, elevando a glicemia sanguínea.
Na prática, o exame funciona assim: mede-se a glicemia em jejum, o paciente ingere uma solução de lactose e novas glicemias são dosadas em tempos definidos. Se a glicemia não sobe de forma adequada, isso sugere que a lactose não foi digerida — um indicativo de deficiência de lactase.

Outro exame bastante utilizado é o teste do hidrogênio expirado. Esse é um queridinho da gastroenterologia moderna. Quando a lactose não é digerida, ela chega intacta ao cólon, onde é fermentada pelas bactérias, produzindo gases — entre eles, o hidrogênio.
Esse hidrogênio é absorvido, chega à corrente sanguínea e é eliminado pelos pulmões. Então, valores elevados de hidrogênio no ar expirado após a ingestão de lactose indicam má digestão da lactose. É um teste não invasivo e bastante sensível.
Em crianças pequenas, especialmente lactentes, outra possibilidade é a pesquisa de substâncias redutoras nas fezes. Quando há má digestão da lactose, açúcares não absorvidos aparecem nas fezes, tornando esse exame útil como triagem nessa faixa etária.
Também podemos encontrar pH fecal reduzido, já que a fermentação dos carboidratos produz ácidos orgânicos. Sozinho, esse achado não fecha diagnóstico, mas ajuda a compor o quadro quando associado a sintomas e outros exames.
Nos últimos anos, ganhou espaço a investigação genética, com a pesquisa de polimorfismos associados à persistência ou não da lactase na vida adulta. Esse exame ajuda a identificar a intolerância primária à lactose, que é a forma mais comum e tem base genética.
Mas atenção: exame alterado não é tudo. A intolerância à lactose pode ser secundária, causada por lesões da mucosa intestinal, como em doença celíaca, gastroenterites ou doenças inflamatórias intestinais. Nesses casos, tratar a causa de base pode melhorar a tolerância à lactose.
Outro ponto importante é diferenciar intolerância à lactose de alergia à proteína do leite. A intolerância envolve deficiência enzimática; já a alergia (tema do nosso próximo artigo) é mediada pelo sistema imunológico. Os exames e a abordagem são completamente diferentes (e isso cai bastante em prova).
Por isso a investigação laboratorial da intolerância à lactose precisa sempre estar alinhada ao quadro clínico. Não existe um exame “isolado” que resolva tudo. O laboratório entra como um grande aliado para confirmar suspeitas e evitar exclusões alimentares desnecessárias.
Aqui no Gran Concursos, a gente sempre reforça isso: mais do que decorar exames, é entender quando pedir, por que pedir e como interpretar. Se você domina a lógica por trás da intolerância à lactose, fica muito mais fácil acertar a questão e cuidar melhor do paciente, claro!
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