O desafio da defasagem escolar

Carlinhos Costa


02/06/2021 | 13:01 Atualizado há 117 dias

Na prática, defasagem significa a diferença da idade própria e sua relação com cada série/ano. Ela contribui para um cenário escolar complexo, sempre está presente nas escolas e é presenciado pelos atores que nela atuam. Também podemos estar tratando da baixa aprendizagem se compararmos com os direitos mínimos de aprendizagem para cada ano da educação escolar. Existem dados que afirmam que no ensino fundamental, o segundo e o quarto anos são séries que possuem maior defasagem de aprendizagem, sendo neste último, verificado a maior defasagem entre idade e série.

 

Na escola pública o número de alunos com idade acima do esperado e recomendado para série é quatro vezes maior em relação às escolas privadas. Existem inúmeros fatores para essa conclusão. Um deles pode ser que nas turmas das escolas públicas têm um maior número de alunos e que estes passam menos tempo na escola em relação aos alunos da rede privada. Os dados são do Censo Escolar 2017, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ampliando ainda mais a desigualdade entre essas instituições.  Segundo dados do site Agência Brasil, a rede privada apresenta uma taxa de 5,1% alunos com idade acima do recomendado no ensino fundamental e 7,4% no ensino médio. Já a rede pública tem 20,7% de seus alunos com idade acima da série no ensino fundamental e 31,1% no ensino médio.

 

Apesar de ainda apresentar disparidade em relação à taxa da rede privada, os índices de defasagem do ensino público apresentaram queda nos últimos 10 anos. Em 2007, a taxa de distorção idade/série era de 30,1% no ensino fundamental e 46,5% no ensino médio da rede pública. O indicador de taxa de distorção idade/série utilizado no Censo Escolar indica o percentual de alunos que tem dois ou mais anos de idade acima do recomendado em determinada série, tendo como base a idade de seis anos estabelecida para ingresso no ensino fundamental. Os dados do INEP apontam que cerca de 14% dos estudantes brasileiros do Ensino Básico se encontram em quadro de defasagem.

 

A situação da defasagem idade x ano torna-se ainda mais difícil quando educandos apresentam defasagem de aprendizagem, o que se reproduz com aprovações sem critérios e que não coadunam com os objetivos mínimos para cada ano da educação básica, o que dificulta mais ainda a formação e por conseguinte, a capacidade do alunos em acompanhar o ritmo das turmas, deixando -os não apenas com a defasagem idade x ano, mas também com a frustração de não aprender, sendo o começo da indisciplina em sala de aula e da evasão escolar.

 

Se para os alunos a questão da defasagem escolar é causadora de grandes danos, também é para os educadores que estão à frente de salas de aulas com o misto de alunos em diferentes fases de desenvolvimento e com diferentes níveis de aprendizagem. O fracasso do aluno também pode ser entendido como um fracasso da escola por não saber lidar com a diversidade dos seus alunos. É preciso que o professor se atente também para as diferentes formas de ensinar e garanta variabilidade didática para alcançar o sucesso das aprendizagens, pois cada indivíduo aprende e entende de formas diferenciadas. Cabe ao educador compreender e aplicar de forma que o aluno consiga fazer parte da aprendizagem e do meio em que está inserido, devendo zelar para que todos os alunos aprendam e tenham sucesso na trajetória escolar. A defasagem escolar continua sendo um grande desafio enfrentado em salas de aulas, devendo ser mais trabalhado com práticas inovadoras para lidar com este problema, como as tecnologias aliadas ao ensino e conceitos mais criativos.

 

Considerando esses aspectos, a defasagem escolar está sempre presente no meio educacional, sendo em maior quantidade no ensino público. Isso tornou-se um dificultador da democratização do conhecimento e da redução da desigualdade. Cabe aos educadores e aos estabelecimentos de ensino, buscar maior sensibilidade ao lidar com alunos que apresentem tal defasagem, levando em conta que este é um dos principais problemas encontrados e produtores da indisciplina e infrequência dificultando o alcance das aprendizagens.

Carlinhos Costa

Especialista em Direito Educacional e Gestão/Orientação Educacional e Mestre em Metodologia do Ensino. Professor do Gran Cursos Online.
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