Para que serve uma embaixada?

Quando se fala em diplomacia, logo vem à mente o trabalho de representação no exterior. Nenhuma pessoa de bom sendo pensará em ser diplomata se não achar interessante a ideia de morar fora do Brasil para representar nosso país. Isso parece óbvio, pois talvez seja o grande diferencial dessa carreira comparada às demais do serviço público, como vimos no último artigo. Mas não é só isso o que se faz no Ministério das Relações Exteriores (MRE): há outras numerosas funções desempenhadas também no Brasil, seja em Brasília, sede do Ministério das Relações Exteriores, seja em escritórios de representação do Itamaraty em outros Estados, ou mesmo em casos de cessão (empréstimo) a outros órgãos do governo, ou até em órgãos dos poderes nos mais diversos níveis (federal, estadual ou municipal). Hoje trataremos especificamente da atividade dos diplomatas em uma embaixada.

A rotina de um profissional da diplomacia em uma Embaixada depende do setor em que atua. Antes, nunca é demais repetir, vamos recordar a diferença entre o trabalho diplomático e o consular. Em uma embaixada ou em representações (missões) junto a organismos internacionais como a ONU, os diplomatas representam o Estado brasileiro. Já em um consulado, a tarefa é dar assistência aos brasileiros no exterior, com incumbências como emitir passaportes, visitar presos, realizar casamentos ou registrar nascimentos, entre outras atribuições.

Em uma embaixada, os principais setores são o político, o econômico (dentro do qual o de promoção comercial), o cultural (inclusive o educacional) e o administrativo. Analisemos um a um.

O setor político é responsável pelo acompanhamento das políticas governamentais do país onde está localizada a embaixada, assim como de outras que represente. Isso porque não é necessário ter uma representação na capital de um país com o qual se tem relações diplomáticas. Por exemplo, em Riga, capital da Letônia, não temos representação diplomática, mas nossa Embaixada em Estocolmo responde pelo Brasil na república báltica. Assim, os diplomatas do setor político de nossa Embaixada na capital sueca acompanham a política interna dos governos das duas nações e se reportam diariamente ao MRE em Brasília sobre o que se decide lá e interessa a nosso país. Para reunir elementos que os permitam elaborar esses relatórios, interagem com interlocutores locais e buscam interpretar as decisões do governo com base em sua experiência de vida no país.

Já o setor econômico faz trabalho semelhante, porém sobre os temas da economia, evidentemente. Um diplomata dessa área na Embaixada do Brasil em Washington, por exemplo, tentará entender e informar, se possível até antecipar, as decisões do Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos, mais conhecido como Fed, que é banco central norte-americano, responsável pela definição das taxas de juros do país. Esse assunto obviamente interessa muito ao Brasil, na medida em que o rumo da maior economia do mundo afeta todas as demais, inclusive a nossa.

Parte do setor econômico, o setor de promoção comercial, também chamado simplesmente de SECOM, ocupa-se de promover as exportações brasileiras para aquele mercado, bem como atrair investimentos dos países onde atua para o Brasil. Se o governo brasileiro resolve lançar um programa de concessões em infraestrutura, como o atual Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), e quer estimular a participação de fundos e empresas estrangeiras para investirem no Brasil, os diplomatas dos SECOMs divulgarão os respectivos editais junto a potenciais interessados em seus locais de atuação.

O setor cultural promove a cultura brasileira no país de representação da embaixada, assim como eventuais cooperações acadêmicas. Se um artista vai se apresentar em uma casa de shows no exterior, os diplomatas desse setor da embaixada poderão ajudar a abrir portas locais para viabilizar a apresentação. Em outros casos, as instalações da representação brasileira abrigam exposições de pintores brasileiros. Ainda em outros, o cultural promove a vinda de estudantes estrangeiros para estudarem no Brasil.

Finalmente, o setor da administração da embaixada cuida da contabilidade, da contratação de funcionários locais, alocação de recursos, como os veículos oficiais, pagamentos etc. Uma embaixada precisa ser administrada como uma empresa, talvez ainda com mais zelo, por lidar com recursos públicos. Ainda que interaja com autoridades do governo e participe de eventos que muitos consideram glamorosos, não podemos perder de vista que um diplomata é, antes de tudo, um funcionário do estado.

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Jean Marcel
Jean Marcel
Coordenador-científico do projeto Gran Diplomata, Primeiro-Secretário e Chefe da Divisão de Operações de Promoção Comercial (MRE).
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