15 temas de farmácia relacionados ao Covid-19

Pollyana Lyra


03/04/2020 | 08:28 Atualizado há 536 dias

Não pode sair uma notícia que as bancas organizadoras de concursos já estão relacionando aos temas das mais diversas áreas para cobrar em provas. A tendência de questões transversais e que misturam os temas de específicas com atualidades é uma certeza que temos e em 2020 não tivemos notícia mais presente nas mídias do que a PANDEMIA DE COVID-19.

Acompanhando diariamente o avanço da transmissão do vírus pelo mundo, fui avaliando as falas dos presidentes, dos ministros, da OMS e relacionando com nossos saberes….Então, colega Farmacêutico, venha comigo elencar esses 15 possíveis temas que podem ser cobrados em prova de concursos e residências e que tem TUDO a ver com o nosso conteúdo. Vamos lá!

  1. Biossegurança

Sabendo que se trata do conjunto de ações voltadas para a prevenção, proteção do trabalhador e\ou paciente, precisamos nos atentar para quais ações de proteção foram tomadas pelos governos contra o novo Coronavírus (com ênfase no Brasil).

  1. Exames sorológicos x moleculares

É preciso reforçar as diferenças entre técnicas, sensibilidade, momentos de aplicação e custo entre exames sorológicos e moleculares e como eles foram aplicados no combate à pandemia.

  1. Ensaios Clínicos

Esse assunto foi super polêmico!! Tudo começou quando o presidente dos EUA anunciou que a cloroquina seria testada em pacientes graves com covid-19. Formos obrigados a lembrar das etapas do Protocolo OMS para desenvolvimento de um novo medicamento e comparar com o Uso Off-Label, feito muitas vezes em emergências.

  1. Portaria 344 de 1998

Influenciada pela notícia do uso off-label de cloroquina em pacientes com covid houve uma busca descomunal de Cloroquina nas drogarias do Brasil, isso refletiu na inclusão de necessidade de receituário de Controle especial (branco, em duas vias) para dispensação de Cloroquina (visando evitar a auto medicação)…A sociedade não conseguiu entender que o uso era emergencial, a nível de teste e ainda para tratamento de pacientes graves e não para prevenção! Somente restringindo o acesso (com a receita branca) foi possível controlar a avalanche de consumidores nas drogarias atrás do medicamento.

  1. Farmacovigilância

A observação, por meio da ANVISA, do consumo do medicamento no mercado após o registro e as tomadas de decisões sobre o nível de restrição do mesmo aos usuários permitiu frear a automedicação e o esvaziamento da cloroquina do mercado farmacêutico.

  1. Regulação em Medicamentos

Precisamos ter um olhar regulatório sobre todo o processo. Você reparou quantas normas tiveram que ser elaboradas ou alteradas para se adequar ao combate a pandemia? Só para citar algumas: Norma para boas práticas de distribuição, transporte e armazenamento de medicamentos; Simplicação de regras para dispositivos médicos; Simplificação de regulação de EPIs; Simplificação de autorização para produtos de higiene; Alternativas para certificação de BPF para registro e pós registro de medicamentos….Ah, Lembra da ação do governo federal em congelar os preções dos medicamentos no País por 60 dias? Pois bem, relacione com a Decreto 4.766, de 26 de Junho de 2003 que Regulamenta a criação, as competências e o funcionamento da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos – CMED.

  1. Farmacologia (fármacos do sistema respiratório)

Nem preciso comentar o quanto devemos revisar os principais mecanismos de ação de fármacos que agem no sistema respiratório com o foco em tratamento de pneumonias e síndromes respiratórias agudas, não é mesmo?

  1. Interações Medicamentosas e Reações Adversas (Ibuprofeno)

Outra polêmica durante a pandemia é o uso do ibuprofeno interferindo negativamente na evolução do paciente com COVID-19. Muito se falou sobre a ação do mesmo sobre a ECA que aumenta a ativação de angiotensinogênio em angiotensina aumentando a pressão. Será que não vale a pena aprofundar nesse também tema?

  1. Farmácia Clínica (atuação em UTIs)

A atuação do farmacêutico em diversos níveis de atenção será muito mais vista após a pandemia, porém o profissional dentro da UTI tem um papel relevante porque é onde estão concentrados os pacientes mais graves e com tempo de hospitalização maior. Além disso, o principal problema de políticas de saúde é a preocupação com o esgotamento de leitos de UTI. Vale a pena pensar como o Farmacêutico pode atuar ajudando a desafogar esse sistema. Olha aí a Farmácia Clínica crescendo de vez no cenário mundial!

  1. Atuação do Farmacêutico no Sistema Único de Saúde

É o que eu falo há mais de dez anos, desde que me formei. Sou fã dessa profissão porque estamos no laboratório realizando exames, estamos nos hospitais suprindo de materiais o sistema, nas unidades de assistência fazendo intervenções em prescrições, na indústria produzindo o medicamento, nas ruas dispensando, no mercado regulando os produtos de saúde. Enfim, como nos encaixamos nos vários níveis de assistência à saúde, desde os cuidados básicos no posto de saúde até as UTIs.

  1. Gestão de insumos em hospitais (Aquisição e suprimento de EPIs)

Outro problema mundial: suprimento de EPIs, Equipamentos, medicamentos, Respiradores para o bom funcionamento dos hospitais. Alguém aí se lembra da etapa de aquisição, armazenamento, distribuição de medicamentos e outros materiais hospitalares? Vale a revisão!

  1. Padronização de Medicamentos (Cloroquina)

Ok, cloroquina será testada, Maravilha! mas porque essa notícia completou uma semana e ela ainda não chegou ao meu hospital? Foi preciso lembrar que um medicamento só é ofertado pelo SUS se ele é antes PADRONIZADO! Daí entra nosso estudo sobre RENAME, Relação Estadual de Medicamentos essenciais, relação municipal de medicamentos essenciais e aí por diante….

  1. Farmacoeconomia (saúde x economia)

Finalmente o mundo inteiro parou para se preocupar com o nosso eterno paradoxo. Para nós, essa preocupação de equilibrar o melhor para a saúde do paciente e saúde financeira das instituições é uma constante. A diferença é que dessa vez estamos preocupados com a saúde financeira e social de um PAÍS…. Bom, respeitadas as proporções, por meio da farmacoenomia, nós farmacêuticos somos responsáveis por equilibrar esses dois aspectos, no microambiente chamado hospital ou unidade de saúde. Daí eu ressalto tanto os cálculos farmacêuticos, cálculos de gestão de estoque, métodos para seleção de medicamentos e outras tecnologias em saúde como também a questão de medicamentos excepcionais.

  1. Automedicação e riscos de Intoxicação (cloroquina)

A desinformação somada ao desespero levaram a um fenômeno social de compra em massa da cloroquina para uso fora de indicação (tratamento de covid-19 em domicílio), como já falamos. Só faltou comentar que essa onda rendeu morte! Houve relato de intoxicação que evoluiu para óbito devido a essa conduta de se automedicar. Portanto, esse tema também deve ser muito valorizado daqui em diante.

  1. Farmacognosia (reconhecimento de núcleo fundamental de alcaloides Quinólicos)

Ahhh, os alcaloides! Grupo de susbtâncias do metabolismo secundário dos vegetais que DESPENCAM em prova de Farmacognosia! E olha como é a vida…. Veio a calhar que logo ela, a cloroquina, é um derivado de alcaloide quinolínico e com certeza lembrar as principais características desse grupo, entre elas, seu anel fundamental vai ser bem útil nas próximas provas de gnosia hein?

 

Então é isso queridos colegas. Espero que essa pequena lista possa te auxiliar tanto na formação de opinião com base técnica sobre o assunto como também na sua preparação para provas de concurso e residência daqui pra frente. Nunca esquecendo, é claro, que todo conteúdo abordado aqui no artigo é discutido em nossos diversos cursos de Farmácia! Confere lá no site!

Pollyana Lyra

Farmacêutica, Especialista em Farmacologia, Professora Universitária e Analista da Fundação Hemocentro de Brasília.
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