Um dos temas que mais provoca erros em provas e na escrita formal é o uso dos verbos haver e fazer quando indicam tempo decorrido. Apesar de serem verbos comuns, seu comportamento gramatical nesse contexto é especial e precisa ser dominado para evitar desvios da norma-padrão.
1. HAVER e FAZER como verbos impessoais
Quando haver e fazer indicam tempo passado, ambos são classificados como verbos impessoais. Isso significa que: não possuem sujeito (oração sem sujeito); devem permanecer sempre na 3ª pessoa do singular.
Observe:
Há duas semanas comecei o curso.
Faz três anos que trabalho aqui.
Mesmo que o termo que venha depois esteja no plural (duas semanas, três anos), o verbo não concorda com ele, porque esse termo não é sujeito — é apenas um objeto direto.
Por isso, são incorretas formas como:
Fazem dois meses.
Houveram dez anos.
O correto é:
Faz dois meses.
Há dez anos.
2. O erro comum com o verbo TER
Outro erro muito comum é tentar usar o verbo ter no lugar de haver ou fazer quando se quer indicar tempo.
Por exemplo:
Tem dois anos que estudo aqui.
Isso está errado porque ter só indica posse, nunca tempo decorrido. Ele não pode substituir haver nem fazer nesse valor temporal.
O correto é:
Há dois anos que estudo aqui.
Faz dois anos que estudo aqui.
3. “Há” e “faz” são equivalentes no tempo
Quando indicam tempo decorrido, há e faz são intercambiáveis:
Há uma semana assisto às aulas.
Faz uma semana que assisto às aulas.
Ambos são verbos impessoais; usados no singular; indicam tempo transcorrido.
4. Cuidado com o pleonasmo: “há … atrás”
Um erro clássico é usar “há” junto com “atrás”.
Por exemplo:
Há duas semanas atrás.
Há três anos atrás.
Isso é um pleonasmo vicioso, porque “há” já indica passado e “atrás” também. Usar os dois é repetir a mesma ideia.
O correto é:
Há duas semanas.
Duas semanas atrás.
Nunca os dois juntos.
5. O verbo HAVER indicando existência
Além de tempo, haver também pode indicar existência:
Há gente que tem medo de palhaço.
Nesse caso, “há” significa existe; continua sendo impessoal; não tem sujeito; e “gente” exerce função de objeto direto.
Por isso, dizemos:
Há pessoas na sala.
Nunca podemos usar:
Hão pessoas na sala.
Por fim, sempre que HAVER ou FAZER indicarem tempo decorrido, lembre-se de três regras fundamentais: são impessoais; ficam sempre no singular; e nunca podem ser substituídos por TER.
Espero ter ajudado mais um pouco. Até o próximo texto.
Um abraço do @Lucaslemos.pro
![[REINVENÇÃO 2026] Lote relâmpago – Cabeçalho](https://blog-static.infra.grancursosonline.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31124357/1238X216-1.webp)
![[REINVENÇÃO 2026] Lote relâmpago – Post](https://blog-static.infra.grancursosonline.com.br/wp-content/uploads/2025/12/31124859/730X150-1-1.webp)



Participe da conversa