A Periodontia é uma das áreas mais dinâmicas e, frequentemente, mais desafiadoras para os candidatos a concursos públicos em Odontologia. A complexidade dos tecidos de suporte, a etiologia multifatorial das doenças e, principalmente, a atualização constante das classificações e protocolos de tratamento exigem um estudo aprofundado e estratégico. Para descomplicar essa disciplina e garantir pontos preciosos nas provas de nível superior, o foco deve ser direcionado para a Classificação das Doenças Periodontais de 2018 e os Protocolos de Tratamento Não-Cirúrgico na atenção básica.
Até 2017, a classificação das doenças periodontais era baseada em um modelo que distinguia entre periodontite crônica e agressiva. No entanto, a nova classificação de 2018, desenvolvida pela American Academy of Periodontology (AAP) e pela European Federation of Periodontology (EFP), revolucionou a forma como diagnosticamos e planejamos o tratamento. Essa atualização é um divisor de águas e, por isso, é tema obrigatório em qualquer prova de concurso, exigindo do candidato o domínio de seus conceitos fundamentais .
O primeiro pilar da nova classificação é a distinção clara entre saúde periodontal, gengivite e periodontite. A saúde periodontal é definida pela ausência de inflamação clínica, com sangramento à sondagem inferior a 10%, podendo ocorrer tanto em periodonto íntegro quanto em periodonto reduzido, desde que estável. A gengivite, por sua vez, é a inflamação restrita aos tecidos moles, caracterizada por sangramento à sondagem superior a 10%, sem perda de inserção clínica.
A periodontite, a forma mais grave da doença, é caracterizada pela perda de inserção clínica (CAL) interproximal em dois ou mais dentes não adjacentes. A grande inovação da classificação de 2018 é a introdução dos conceitos de Estágios e Graus, que permitem uma avaliação mais precisa da severidade, extensão, complexidade e risco de progressão da doença, guiando o plano de tratamento de forma individualizada para cada paciente.
Os Estágios (I a IV) da periodontite refletem a severidade e a complexidade do caso. O Estágio I representa a periodontite inicial, com perda de inserção de 1-2mm. O Estágio II é a periodontite moderada (CAL 3-4mm). Já os Estágios III e IV indicam periodontites graves, com potencial para perda dental adicional (Estágio III, perda de até 4 dentes) ou perda de toda a dentição (Estágio IV, perda de 5 ou mais dentes), respectivamente. Questões de concurso frequentemente apresentam casos clínicos para que o candidato determine o estágio correto.
Os Graus (A, B e C), por sua vez, avaliam a taxa de progressão da doença e o risco de resultados adversos, considerando fatores modificadores como tabagismo e diabetes. O Grau A indica progressão lenta, sem perda de inserção em 5 anos. O Grau B, progressão moderada, com perda inferior a 2mm em 5 anos. O Grau C, progressão rápida, com perda igual ou superior a 2mm em 5 anos, ou em pacientes com fatores de risco como tabagismo (>10 cigarros/dia) ou diabetes descompensado (HbA1c ≥ 7%).
O Tratamento Periodontal Não-Cirúrgico (TPNC), também conhecido como terapia periodontal básica, é a primeira linha de defesa contra a periodontite e o foco principal da atenção básica. Seus objetivos primordiais são o controle do biofilme dental, a remoção de cálculo supragengival e subgengival (Raspagem e Alisamento Radicular – RAS) e a eliminação de nichos de retenção de placa. Este tratamento é a base para a estabilização da doença e a prevenção de sua progressão.
As etapas do TPNC são cruciais e frequentemente cobradas. Iniciam-se com a Orientação de Higiene Bucal (OHB), fundamental para o controle mecânico da placa pelo paciente. Seguem-se a raspagem supragengival e, posteriormente, a raspagem e o alisamento radicular subgengival, que visam desorganizar o biofilme e remover o cálculo aderido às superfícies radiculares. A reavaliação, geralmente realizada após 4 a 6 semanas, é um momento chave para verificar a resposta tecidual e decidir sobre os próximos passos do tratamento.
O uso de adjuvantes no TPNC é um tópico importante. A Clorexidina (digliconato), por exemplo, é um antisséptico bucal amplamente utilizado como coadjuvante na redução do biofilme, especialmente em casos de gengivite ou como parte do controle pós-RAS. Antibióticos sistêmicos, por outro lado, são reservados para casos muito específicos de periodontite agressiva (hoje Grau C) ou necrotizantes, e sua prescrição deve ser criteriosa para evitar a resistência bacteriana.
Nas provas, é comum encontrar questões que buscam diferenciar a gengivite da periodontite, exigindo do candidato o conhecimento dos critérios diagnósticos, especialmente a presença de perda de inserção. Além disso, a interpretação de radiografias para identificar a perda óssea e a correlação com os estágios da doença são habilidades essenciais. A compreensão dos fatores modificadores, como o tabagismo e o diabetes, e como eles influenciam o grau da periodontite, também é um ponto recorrente.
O domínio dos instrumentais específicos para a raspagem e o alisamento radicular, como as curetas Gracey, é outro detalhe que as bancas adoram cobrar. Conhecer a numeração e a área de atuação de cada cureta (ex: Gracey 5/6 para dentes anteriores, 11/12 para faces mesiais de posteriores, 13/14 para faces distais de posteriores) demonstra um conhecimento prático e aprofundado da disciplina, que vai além da teoria.
Em resumo, a Periodontia para concursos exige uma abordagem estratégica que contemple a nova classificação de 2018 em seus mínimos detalhes, a compreensão dos protocolos de tratamento não-cirúrgico e a capacidade de aplicar esse conhecimento em cenários clínicos. Descomplicar a Periodontia é, portanto, focar no que realmente importa: a saúde periodontal, a prevenção da gengivite e o manejo eficaz da periodontite, garantindo a sua aprovação e uma prática clínica de excelência.
| Característica | Saúde Periodontal | Gengivite | Periodontite |
| Inflamação Clínica | Ausente | Presente | Presente |
| Sangramento à Sondagem | < 10% | ≥ 10% | Presente |
| Perda de Inserção Clínica (CAL) | Ausente | Ausente | Presente (≥ 2 dentes não adjacentes) |
| Perda Óssea Radiográfica | Ausente | Ausente | Presente |
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