A importância de dar o primeiro passo

Marcelo Macintyre


19/10/2020 | 15:52 Atualizado há 362 dias

Ao longo desses 17 anos vivendo no mundo dos concursos públicos, pude notar que grande parte dos concurseiros iniciantes desanima ao ver o conteúdo de determinados editais. Alguns afirmam que “no tópico de Contabilidade, por exemplo, o candidato tem que ser contador, tamanha a dificuldade dos assuntos relacionados”. Outros insistem em falar que jamais irão zerar a quantidade de matérias e simplesmente nem começam.

A história que irei relatar neste artigo nos mostra a relevância de saber que, por mais que a jornada seja longa e extenuante, você precisa definir bem suas metas para que o seu objetivo se torne alcançável. Essas metas devem ser curtas (como bater a meta de estudos do dia), médias (como terminar um ciclo de seis dias de estudos) ou longas (zerar um edital, por exemplo).

Então, vamos lá! Guillormée era piloto de avião e voava sobre uma cordilheira quando seu pequeno monomotor entrou em pane e caiu. Felizmente ele não morreu. Porém, após passar a adrenalina da queda e sair da pequena cabine do avião, percebeu que suas dores eram absurdas e que não conseguiria andar. Nesse momento, Guillormée olhou à sua volta e se deu conta de que ali só havia gelo, montanhas e sua consciência.

Como piloto experiente, sabia que seria muito difícil chegar com vida em qualquer localidade onde houvesse pessoas capazes de ajudá-lo. Nessa hora, a depressão e o pânico de acreditar que seu fim estava próximo tomaram conta da sua cabeça. Guillormée pensou na família, nos amigos e em todos os sonhos que tinha e que não poderia realizar.

Algum tempo depois, já conformado com a situação, começou a pensar sobre quais medidas deveria adotar. Tomado pelo cansaço, acreditava que o melhor a ser feito seria simplesmente deitar e esperar perder a consciência para, enfim, morrer congelado.

Nesse momento, ele começou a lembrar dos filhos, que não veria crescer, e da esposa, que tanto amava, e pensou no quão difícil a vida deles seria sem a sua presença. Financeiramente, eles ficariam bem, pois Guillormée tinha providenciado uma apólice de seguros de vida para si, o que daria um conforto material razoável para sua família, mas havia um porém: eles precisariam apresentar um atestado de óbito para poder receber o seguro.

Naquele local de difícil acesso e isolado, provavelmente jamais alguém o encontraria e, dessa forma, seria dado como desaparecido. Sendo assim, a apólice não seria paga tão cedo. A família passaria por privações durante anos até que ele fosse declarado oficialmente morto.

Tomado pela dor, Guillormée se lembrou que, na parte baixa da cordilheira, havia um povoado e os moradores de lá costumavam caçar pela montanha. Ele sabia que a distância era longa, mas não havia sequer outra opção. Foi então que o piloto notou a necessidade de se colocar em pé. O esforço e as dores foram tão grandes que, no primeiro momento, ele apenas ficou parado.

Sabedor de toda a distância que deveria percorrer, tinha consciência da importância de dar início à caminhada. Foi então que Guillormée estipulou a meta de dar apenas um passo. E assim sucessivamente: “um passo de cada vez”, “só mais um”, e de novo, “só mais um passo”.

Com esse condicionamento mental positivo, percorreu um quilômetro após o outro e assim andou o dia todo. Ele não pensava na distância que ainda faltava, mas apenas em vencer cada passo. O foco dele estava na sua meta curta.

Em determinado momento, já totalmente exausto, desnutrido e praticamente sem sentidos, percebeu que havia à sua frente pessoas que o olhavam espantadas e pensou: “Agora já posso morrer tranquilamente”.

Guillormée ficou hospitalizado durante muitos dias até retomar suas forças e teve dedos dos pés amputados em função do congelamento que estes sofreram por causa da neve. A primeira pessoa que viu ao recobrar a consciência foi sua esposa. Por ter sobrevivido, pôde contar essa grande história de superação.

Essa grande lição nos mostra a necessidade de trabalharmos pensando no momento presente e sabermos que, para toda longa jornada, é imprescindível que seja dado o primeiro passo.

 

Marcelo Macintyre

Agente de Polícia da PCDF, pós-graduado em Investigação Policial e GranXpert
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