Cuidado com a necessidade de legitimação

Mudar, em regra, é um processo difícil. Como seres humanos, somos avessos a mudanças. Tendemos a nos sentir mais confortáveis no nosso próprio mundo do que nos arriscar e dar o salto no escuro, seja na vida afetiva, profissional ou no cotidiano. A parte mais difícil da mudança é abandonar o velho, ou seja, não abraçar a inovação. Porém, enquanto muitos resistem a mudanças, existem aqueles que as abraçam e enxergam no horizonte uma oportunidade. Toda mudança é isso, uma oportunidade, tanto para melhorar quanto para piorar, tudo depende de como você a trata.

Quando se trata de ideias pessoais ou opiniões, mudar depois de as haver formado é uma tarefa quase fora do comum. Isso porque temos a tendência de buscar apenas informações que confirmem nossa ideia preconcebida. Esse tipo de comportamento tem o nome de necessidade de legitimação. Ele consiste na tendência de darmos mais atenção àquilo que suporta nossas afirmações em comparação com o que busca falseá-las.

O psicólogo britânico Peter Wason[1] estudou esse fenômeno no ano de 1960. Ele realizou uma pesquisa com um grupo de pessoas que consistia em perguntar sobre a regra de formação de uma sequência de três números. Além disso, informava que a sequência 2-4-6 estava adequada à regra. Assim, as pessoas geravam suas trincas de números e recebiam o retorno se a trinca gerada estava ou não adequada à regra de formação. Com isso, podiam testar quantas combinações achassem necessário para poder enunciar a regra de formação da sequência.

A primeira constatação obtida por Wason foi a de que os participantes testaram apenas números positivos. Além disso, como a sequência 2-4-6 foi dada como ponto de partida, a grande maioria das trincas testadas era de números crescentes de dois em dois. O fato é que a regra de formação real da sequência exigia apenas que os números da trinca fossem crescentes, então 2-53-137 seria uma combinação válida.

O mais interessante observado por Wason foi que os participantes não testaram sequências que pudessem contrariar a formação inicial. Por exemplo, 6-4-5 não foi testado. Os participantes simplesmente tentaram apenas confirmar suas crenças.

Apesar da confirmação dessa teoria ter sido feita há quase 60 anos, ainda se trata de algo comum em nosso cotidiano. Trata-se de um problema sério. Mais ainda quando não é percebido, o que traz grandes riscos aos estudantes. Isso porque a necessidade de legitimação nos leva a interpretar apenas uma parte da informação como verdadeira (enquanto ignoramos a outra). Isso nos impede de analisar a situação como um todo.

Vou trazer uma citação bastante interessante sobre esse assunto:

Se as pessoas te falam o que você não quer ouvir – o que é desagradável –, há quase uma reação automática de antipatia. Você tem que treinar para mudar isso. Não é imutável que você seja assim. Mas você tenderá a ser assim se você não pensar sobre isso. – Charlie Munger.

Tomar cuidado com a necessidade de legitimação te leva a pensar por conta própria. No mundo dos concursos, isso pode ser traduzido pela nossa necessidade de termos de lidar com os ruídos adversos. Muitas vezes nos deparamos com “oportunidades” e seguimos em frente com essas situações, querendo justificar nossas decisões através de opiniões alheias. Muito cuidado nessa hora!

A sua experiência é unicamente sua. Sua vivência também é exclusivamente sua, assim as suas decisões também deveriam ser. Não se deve buscar legitimidade através de ensaios de terceiros.

Outro fato que pesa no aspecto da legitimação é a necessidade que muitos candidatos têm de se medir com a régua dos outros. Quantas vezes não queremos saber quanto tempo Fulano levou para passar em um concurso ou qual material Sicrano usou? O aluno deve ter confiança no material que está utilizando e no tempo que tem à sua disposição para estudar.

Não importa se você estuda duas ou seis horas por dia. Não é o tempo diário de estudo que vai ser crucial para a sua aprovação. A diferença entre um aprovado e um candidato é a dedicação e a devoção dedicados ao seu projeto. O tempo relevante é o tempo qualitativo usado em seu estudo. Não é quanto tempo você estuda por dia, e sim há quanto tempo você tem estudado de maneira efetiva e rotineira.

Concurso não é uma corrida de 100 metros, e sim uma maratona de quilômetros. Então por que precisar de justificações pífias quando as realidades são diferentes? Por que ceder dessa forma à ansiedade e ao desespero?

Conseguir separar as informações importantes de fato daquelas irrelevantes é uma tarefa árdua. Poucas coisas têm mais impacto em nossa vida pessoal e profissional do que a capacidade de nos concentrarmos no que é mais importante.

Quando pensamos no mundo dos concursos, existem dois tipos diferentes de informação, nas quais devemos prestar atenção: os sinais e os ruídos. Os primeiros indicam um movimento que tende a se prolongar ao longo do tempo. Por outro lado, os segundos são aquelas informações pouco relevantes, com impacto meramente transitório ou de conteúdo duvidoso – é aquele comentário, por exemplo, escrito em um blog ou nas redes sociais sobre determinada empresa, que, muitas vezes, não passa de mera suposição.

O sinal é a verdade. O ruído é o que nos distrai, afastando-nos da verdade. Com cada vez mais informações disponíveis, somos constantemente bombardeados com notícias que podem nos induzir a cometer inúmeros erros – elas são os ruídos.

Segundo o estatístico Nate Silver, “o cérebro humano é notável, sendo capaz de armazenar por volta de três terabytes de informação. No entanto, isso corresponde a apenas um milionésimo dos dados que, segundo a IBM (empresa americana de informática), o mundo produz diariamente”. O fato é que devemos ser extremamente seletivos a respeito daquilo em que escolhemos nos concentrar, sabendo diferenciar os sinais dos ruídos. Assim como devemos diferenciar o que é bom para o nosso projeto (passar em um concurso) do que é a nossa ansiedade falando.

Concentre-se em seu foco e as portas se abrirão para você!

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[1] Fonte: https://www.psychologytoday.com/us/blog/seeing-what-others-dont/201905/the-curious-case-confirmation-bias

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Thiago Paixão
Thiago Paixão
Delegado de Polícia Civil do Distrito Federal. Coach e professor de Direito Processual Penal.
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