Não corra para pegar trens!

(Analisando oportunidades)

Thiago Paixão


11/06/2021 | 15:04 Atualizado há 130 dias

“Perder um trem só é doloroso se você correr para pegá-lo” (Nassim Nicholas Taleb). A lógica do cisne negro.

Em nossa vida inteira, estamos correndo. De algo ou para algo. Sempre somos empurrados a tomar algum tipo de decisão ou a adotar alguma atitude. E sempre tudo é para agora. Haja estresse! Não é à toa que o grande mal do nosso século é a ansiedade. Em um mundo em que a informação viaja e se transforma de maneira quase instantânea (aqui o “quase” é apenas para a transformação, porque as notícias nunca voaram tão rápido quanto hoje), não é difícil aceitar que um dia todos infartaremos, seja de desespero ou por frustração por não termos conseguido atingir patamares impossíveis. Padrões pré-estabelecidos por “deuses” que se põem acima de qualquer limite humano. E aí vêm as “oportunidades”.

Por que gosto de usar aspas quando trato desse tema? Porque eu gosto sempre de pensar em uma frase muito inteligente que ouvi um dia: “toda oportunidade é boa, mas nem toda oportunidade será boa para você”.

Vou me usar como parâmetro. Eu sou formado em Direito e tenho duas pós-graduações em Ciências Jurídicas. Após anos de atuação como advogado, um dia resolvi estudar para concurso. Pela lógica, e uma vez que iria trocar uma bem sucedida carreira na advocacia privada por um cargo público, teria de escolher um cargo que fizesse uso das minhas conquistas acadêmicas e profissionais; além disso, eu precisaria de um salário condizente com essas conquistas, algo que fizesse valer a pena a troca de carreira e o esforço.

Nesse caso, optei pela carreira de membro do Ministério Público, pois esta preencheria todos os requisitos já afirmados, além de também me trazer a possibilidade de realizar as demais provas para as outras áreas jurídicas, uma vez que o conteúdo de estudo é similar. O destino me quis como Delegado de Polícia, cargo no qual eu me encontrei, e só foi possível alcançá-lo por se tratar de um concurso de carreira jurídica – logo, englobado na preparação trilhada por mim.

Moral da história: prepare-se para os concursos de sua área.

Infelizmente, nem todos seguem essa lógica. Durante meu percurso, foram lançados alguns concursos cujos “barulhos” de oportunidade poderiam ser interessantes se eu os tivesse escutado, mas ainda bem que os encarei como distrações, o que eram de fato. Por exemplo: enquanto eu estudava, saíram os editais de Agente e de Escrivão da Polícia Federal. São concursos excelentes, com ótimos salários e carreiras. Também saiu o edital da Polícia Rodoviária Federal – outro cargo excelente e ótima carreira. Mas não fiz nenhum desses concursos, e a razão para isso, apesar de ter sido óbvia para mim, não era para muitos de meus colegas, assim como não o é para muitos candidatos de hoje.

Nos concursos para o cargo de Agente da PF e da PRF, caem “Noções de Direito Administrativo”, “Noções de Direito Constitucional” e demais noções de outras disciplinas jurídicas. A palavra-chave é “noções”. Isso significa que o conteúdo jurídico será deixado de lado, dando margem a que outras disciplinas sejam cobradas, e quais são? Estatística, Contabilidade, Física, Português, Informática, Raciocínio Lógico, dentre outras. A razão disso (descobri posteriormente ao ingressar na Polícia Civil) é que a Polícia precisa de outros saberes que não apenas os de Direito, mas também precisa de profissionais de diversas áreas. Logo, a maneira de a carreira policial especializar seu corpo de recursos humanos foi criar concursos com menos atenção em áreas jurídicas, uma vez que apenas um cargo necessita ser jurídico, o de Delegado.

A minha jornada acadêmica e profissional foi estritamente jurídica. Meu conteúdo estudado e especializado é jurídico. Nesse caso, por que eu iria me meter a fazer uma prova composta, em sua maior parte, por disciplinas que eu apenas vi na escola, além de outras que nunca vi na vida? Pensando dessa forma, não faz muito sentido. Por isso, o risco é sempre oculto, razão pela qual deixo a pequena história a seguir.

Harry Houdini (1874-1926) foi um dos mais famosos ilusionistas da história. Conhecido por suas performances – em que, mesmo amarrado por algemas ou camisas de força, conseguia se desprender –, ele levava o público à euforia. Um dos seus truques mais famosos era permitir que homens grandes batessem em seu estômago o mais forte que pudessem. Houdini dizia que podia flexionar seus músculos de forma a absorver qualquer golpe.

Certo dia, em 1926, depois de se apresentar para um grupo de estudantes no Canadá, ele fez uma pausa no camarim. Um dos estudantes entrou nos bastidores e inesperadamente desferiu três socos no abdômen do ilusionista. Poucos dias depois, Houdini morreu devido à ruptura do apêndice – ocasionada pelos golpes do estudante. Em seu livro The Edge of The Unknown, o escritor e médico britânico Arthur Conan Doyle escreveu: “Houdini imediatamente depois (do soco) afirmou que não teve oportunidade de se preparar contra os golpes, pois não achava que o estudante o golpearia tão repentinamente como o fez e com tanta força”. O mais arriscado é sempre o que você não vê chegando. O risco é complexo, por isso não somos bons em lidar com ele. Por sua vez, o tamanho do risco depende do preparo do alvo.

Em nosso cotidiano, esses socos que Houdini tomou vêm no formato de um edital lançado com muitas vagas. Uma excelente “oportunidade”! – anunciam. Se o candidato (que já sofre uma considerável pressão pela frustração e ansiedade no desejo de passar logo) escuta isso de maneira incauta e vai correndo com sede ao pote, ele é induzido ao erro de enxergar nessa manchete uma oportunidade verdadeira.

O que acontece quando analisamos uma situação de forma equivocada? Nós erramos. E erramos feio. Com isso, vêm consequências. Um erro na tomada de decisões acerca de um concurso pode te levar a um atraso de meses ou anos em sua nomeação. Se você cair no barulho de uma “oportunidade”, pode jogar fora meses de estudo continuado e, depois, levar mais meses para se recuperar do baque para voltar à performance anterior. Por isso, analise de maneira fria todos os barulhos que vêm até você. Analise atentamente as oportunidades, porque algumas são golpes disfarçados, prontos para te levar a consequências desastrosas.

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Thiago Paixão

Delegado de Polícia Civil do Distrito Federal. Coach e professor de Direito Processual Penal.
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