Você não precisa estudar mais. Precisa esquecer menos.

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Oi, pessoal! Eu sou a Prof. Débora Juliani e hoje eu quero começar nosso bate-papo com uma pergunta: quantas horas você estudou ontem? Quatro? Seis? Oito? Agora vem uma pergunta ainda mais importante: quanto do que você estudou consegue lembrar hoje sem olhar o material? Pois é. Talvez essas duas respostas sejam bem diferentes… E é justamente sobre isso que precisamos conversar.

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Pra quem acompanha a área, sabe que isso é um marco. Existe uma ideia muito comum entre quem está se preparando para concursos: quanto mais horas eu estudar, maiores serão minhas chances de aprovação. Parece lógico, mas não necessariamente funciona assim. Se você passa oito horas por dia estudando e, alguns dias depois, tem a sensação de que esqueceu quase tudo, talvez o problema não seja falta de dedicação. Pode ser simplesmente a maneira como você está usando essas oito horas.

Nosso cérebro não funciona como um computador que recebe uma informação e a armazena para sempre. Depois que aprendemos alguma coisa, tendemos naturalmente a esquecer parte daquele conteúdo com o passar do tempo. Esse fenômeno é representado pela famosa curva do esquecimento, descrita a partir dos estudos do psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus.

E qual é a reação mais comum quando percebemos que esquecemos? Reler. Pegamos novamente o PDF, grifamos mais algumas frases, assistimos à mesma aula e temos aquela deliciosa sensação de “Ah, isso eu sei!”. O problema é que reconhecer uma informação quando ela está na nossa frente não significa necessariamente conseguir recuperá-la sozinho depois.

É aí que entra uma estratégia muito mais interessante: a prática de recuperação, ou active recall. Em vez de simplesmente reler o conteúdo, você fecha o material e tenta puxar aquela informação da memória. “Quais são as causas de anemia microcítica?” “Qual anticoagulante é utilizado nos testes de coagulação?” “O que acontece com a ferritina durante uma resposta inflamatória?” Tente responder antes de consultar a resposta.

Esse pequeno esforço para lembrar é justamente o que torna o estudo mais eficiente. Cada vez que você precisa recuperar uma informação, fortalece o caminho para encontrá-la novamente no futuro. E percebe como isso se parece muito mais com o que acontece na prova? Afinal, no dia do concurso, você não terá seu resumo aberto. Você terá uma pergunta e precisará buscar a resposta na memória.

Mas existe outra estratégia poderosa: a revisão espaçada. Em vez de estudar um assunto intensamente uma única vez e abandoná-lo, você volta a ele em intervalos ao longo do tempo. Quando aquela informação começa a ficar menos acessível, você a recupera novamente. Com isso, a tendência é que ela permaneça disponível por períodos cada vez maiores.

E sabe uma ferramenta excelente para juntar recuperação ativa e revisão? Questões de prova. Quando você resolve uma questão sem consultar o material, obriga o cérebro a procurar a informação. Quando erra, identifica exatamente o ponto que precisa revisar. Por isso, fazer questões não deveria ser algo reservado para “quando eu terminar a teoria”. Elas podem (e devem) fazer parte do aprendizado desde cedo.

Isso também muda a maneira como enxergamos a quantidade de horas estudadas. Talvez quatro horas bem distribuídas entre conteúdo novo, questões e revisão sejam mais produtivas do que oito horas seguidas de leitura passiva. Horas estudadas são uma medida de tempo, não necessariamente de aprendizagem.

E aqui vai um cuidado importante: transformar exaustão em sinônimo de dedicação pode ser uma armadilha. Virar noites, abrir mão constantemente do descanso e terminar todos os dias completamente esgotado pode até parecer um “crachá de esforço”, mas a prova não pontua o quanto você sofreu para estudar. Ela pontua quantas questões você consegue acertar.

Então, pessoal, a virada de chave é esta: em vez de perguntar apenas “quantas horas eu preciso estudar?”, comece a perguntar “o que eu consigo recuperar do que já estudei?”. Menos releitura automática, mais questões, recuperação ativa e revisões espaçadas.

É por isso que eu digo e repito: aqui no Gran Concursos, queremos ajudar você a estudar não apenas mais, mas melhor! Porque, no final das contas, aprovação não é uma competição de horas acumuladas, e sim de conhecimento que você consegue acessar quando a prova coloca você à prova.

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