A folha em branco assusta. Para muitos alunos, ela parece maior do que realmente é, mais exigente do que deveria, quase como um espelho que revela falhas antes mesmo de qualquer tentativa. O medo da redação nasce, em geral, dessa sensação de julgamento antecipado: a ideia de que cada frase será avaliada, cada palavra pesada, cada erro transformado em prova de incapacidade. No entanto, escrever não é um teste de genialidade; é um exercício de construção.
Não é a inspiração que constrói a obra, mas a persistência que molda cada linha. Escrever bem é um ato de repetição consciente e disciplinada. Além disso, um bom escritor será, antes de tudo, um bom leitor.
Por isso, é preciso começar dizendo o óbvio que quase nunca é dito ao aluno: ninguém escreve bem de primeira. Nem escritores, nem professores, nem jornalistas, nem candidatos aprovados em concursos. A boa redação não surge pronta; ela é resultado de um processo que envolve pensar, escrever, errar, revisar e reescrever. Quando o aluno entende isso, a escrita deixa de ser um campo minado e passa a ser um terreno possível.
O medo de escrever, muitas vezes, está ligado à falsa crença de que a redação exige palavras difíceis, frases longas e um vocabulário rebuscado. Essa ideia cria um bloqueio imediato, pois o aluno sente que não domina esse “nível de língua” e, por isso, já se considera derrotado antes mesmo de começar. Mas escrever bem não é complicar: é tornar claro. Um texto simples, bem organizado e coerente vale infinitamente mais do que um texto confuso cheio de palavras bonitas.
Outro fator que paralisa é a tentativa de acertar tudo de uma vez. O aluno olha para o rascunho como se ele fosse a versão final, definitiva e intocável. Isso gera ansiedade e trava o pensamento. É fundamental compreender que o rascunho existe para errar. Ele é o espaço da liberdade, da tentativa, da bagunça inicial das ideias. Escrever é organizar o caos, e o caos não se organiza sozinho: ele precisa aparecer primeiro.
Quando se entende a redação como processo, o erro muda de status. Ele deixa de ser inimigo e passa a ser sinal de caminho. Errar não significa não saber escrever; significa estar aprendendo a escrever melhor. Cada correção aponta uma possibilidade de avanço. Cada comentário do professor é uma ponte, não uma sentença. O aluno que aceita o erro como parte do percurso escreve com mais coragem e, consequentemente, evolui mais rápido.
A estrutura do texto também costuma ser vista como um obstáculo, quando, na verdade, é um apoio. Introdução, desenvolvimento e conclusão não são prisões; são guias. Elas ajudam o aluno a saber por onde começar, o que desenvolver e como finalizar. Sem estrutura, a ideia se perde; com estrutura, o pensamento ganha direção. Ter um “esqueleto” do texto dá segurança e reduz o medo de não saber o que fazer.
Outro ponto essencial é perceber que ninguém escreve do nada. A redação não nasce apenas da técnica, mas também do repertório. Ler, ouvir, observar, refletir sobre o mundo são atitudes que alimentam a escrita. Quanto mais o aluno pensa sobre temas diversos, mais material ele tem para escrever. A folha em branco assusta menos quando a cabeça está cheia de ideias.
É importante, ainda, desconstruir a noção de que escrever bem é privilégio de poucos. A escrita não é dom; é habilidade. E toda habilidade pode ser desenvolvida com prática orientada. Quem escreve com frequência perde o medo porque se familiariza com o processo. O texto deixa de ser um monstro desconhecido e passa a ser um exercício possível, repetível e aprimorável.
Por fim, escrever é também um ato de voz. A redação não é apenas uma exigência escolar ou de prova; é uma forma de organizar pensamentos e posicionar-se diante do mundo. Quando o aluno entende que o texto é um espaço de expressão — e não apenas de cobrança —, algo muda. A escrita ganha sentido, o medo diminui e a confiança começa a surgir.
A boa redação não é aquela que nasce perfeita, mas aquela que nasce escrita. Começar é sempre o passo mais difícil, mas também o mais importante. Depois da primeira frase, o caminho se abre. E, aos poucos, o aluno descobre o que sempre esteve ali: escrever não é um bicho de sete cabeças. É um processo humano, possível e transformador.
Para ajudar você, escreverei, nas próximas linhas, algumas dicas valiosas para a construção de uma boa redação.
1. Quando receber sua prova, vá direto para o tema;
2. Busque, na própria prova, elementos jurídicos, filosóficos, sociais para lastrear os seus dois argumentos;
3. Anote os esboços de argumentos no cantinho do caderno de provas ou da folha de rascunho;
4. Decida seus dois argumentos que consubstanciarão seu posicionamento;
5. Escreva a sua introdução e se lembre de que ela é o seu mapa.
Agora é só você praticar e correr para o abraço… Continue me acompanhando neste blog para sempre temos bons conteúdos de nossa Língua Portuguesa.
Um abraço do @Lucaslemos.pro
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