Como lidar com a pressão familiar durante os estudos?

No processo de estudos para concursos públicos, ocorre muita pressão em torno do estudante, principalmente da família e dos amigos, que criam expectativas e desejos de que o estudante alcance a aprovação o mais rápido possível. De fato, é muito comum aumentar exageradamente o estado de ansiedade e de angústia no sentido de obtenção de resultados positivos o quanto antes.

No entanto, o período quase sempre muito extenso de estudo exige dedicação e tempo, ensejando a necessidade de desenvolver um equilíbrio emocional e muita paciência para percorrer a longa e dispendiosa jornada.

Enfrentar a pressão familiar no período de estudos é realmente desafiador e requer enorme uso de inteligência emocional e relacional. Para entender melhor como funcionam estas duas inteligências, há que se falar antes do contexto antropológico, social e econômico atual, bem como especificar certos acontecimentos mundiais que impactam os relacionamentos entre pais, filhos, amigos, assim como incertezas e toda ansiedade e angústia que envolvem este momento familiar.

Primeiro: Estamos vivendo a 4ª Revolução Industrial – era de mudanças extremas, inserção de inteligência artificial e evolução exponencial da tecnologia em tudo que praticamos diariamente. Ressalta-se, também, a existência dos conflitos entre gerações baby boomers, “X”, “Y” e “Z”, em que a formação socioeducacional é calcada em diversas origens, interesses em valores e expectativas bem distintas. Quer dizer que hoje as famílias possuem perspectivas absolutamente diferentes entre elas? Exato!

  • Baby boomers: nascidos após 1945, possuem foco na segurança, na hierarquia, na estabilidade e na constituição de uma família duradoura. Foram criados e acreditavam em empregos permanentes.
  • Geração X: nascidos aproximadamente entre 1965 e 1985, criados para vencer e criar novos modelos de negócios que fixassem bases de sucesso e limites mais flexíveis e de forma bem rápida. Preocupam-se com aparência e status Começaram a ter contato com tecnologias relativas a computador, a internet e a smartphones durante a maturidade. É a geração que vive transformações e rupturas de modelos com muita dificuldade, pois seus valores se pautam em vivências com respeito à hierarquia e na estabilidade em empregos tradicionais, mesmo com sacrifícios de suas jornadas de vida. São geralmente conhecidos por tenderem a serem workaholics.
  • Geração Y: nascidos entre 1985 e 1995, retrata uma força de trabalho que não tem perspectivas e atração aos atuais modelos de trabalho, não faz sentido para eles a hierarquia sem respeito mútuo, buscam viver intensamente todos momentos e não se comprometem com trabalhos que não lhes motivam. Cresceram convivendo com tecnologias e seus avanços, possuindo uma velocidade imensa no aprendizado e adaptação à moderna cultura laborativa. Carregam uma característica muito particular em relação ao senso de urgência, a ponto de se sentirem extremamente impacientes para aguardarem a maturação natural das coisas. Provavelmente viverão intensamente as rupturas que acontecerão no mercado corporativo, a exemplo do que já registramos com as mudanças ocorridas nos modelos de mercados de transporte, hospedagem, compras, informações e comunicação, tais como: Uber, Airbnb, Instagram, Netflix, Alibaba, Mercado livre, Facebook, Snapchat e Youtube.
  • Geração Z: nascidos a partir de 1995, são conhecidos como “nativos digitais”, possuem comportamentos interativos maciçamente na forma virtual, intensificaram características da geração Y em relação à velocidade dos acontecimentos sociais e corporativos. Acostumados com a lógica dos games, tendem a ficarem mais interessados em estar e não em ser, extremamente propensos à ansiedade, principalmente por ausência de limites e facilidade de conexão demasiadamente rápida e virtual, sem paciência de esperar as coisas acontecerem.

Segundo: As relações vividas pelos estudantes junto ao ambiente familiar são afetadas por muitas variáveis sociais, educacionais, comportamentais e de origens de gerações. Daí os estudantes enfrentam diversas formas de comunicação entre seus familiares, formas que comumente geram estresse e desentendimentos. Essas comunicações são entendidas no sentido de como eles interagem e expressam seus afetos e suas expectativas, ou seja, como se relacionam no dia a dia. De certa forma, a ação e a reação nesse contexto pode ser insuportável ou mesmo gerar desequilíbrio emocional – depressão, síndromes diversas e ansiedade. Nesta hora, buscar técnicas e recursos para administrar este lado emocional se faz indispensável para saúde mental e física.

O principal vilão do aluno quando submetido a uma pressão familiar por certo é a ansiedade.

Confira os principais sintomas da ansiedade, de acordo com artigo publicado na revista Psicologia Escolar e Educacional[1]:

“ansiedade, segundo Dalgalarrondo (2000), pode ser compreendida como um incômodo desagradável interno, que interfere no humor, deixando a pessoa com uma sensação desconfortável, uma inquietação interna junto às percepções negativas sobre o futuro e manifestando sintomas somáticos e fisiológicos, como sudorese, tensão muscular, tonturas, entre outros, e sintomas psíquicos, por exemplo, apreensão e desconforto mental. Além disso, a ansiedade é considerada um estado psicológico e fisiológico, caracterizada por aspectos cognitivo, somático, emocional e comportamental (Seligman, Walker, & Rosenhan, 2001; Craske & cols., 2009). Trata-se de uma condição orientada para o futuro, acompanhada de uma apreensão relacionada com a percepção de falta de controle e previsão de eventos potencialmente aversivos (Barlow, 2002). Conforme pontuado por Oliveira e Sisto (2002), essas manifestações da ansiedade podem estar relacionadas a eventos passageiros ligados a algo específico ou ser uma forma permanente do indivíduo lidar com as situações do dia a dia, como parte da sua própria constituição da personalidade.”*

*http://www.scielo.br/pdf/pee/v20n3/2175-3539-pee-20-03-00427.pdf

E como desenvolver as inteligências emocionais e relacionais? Identificar e lidar com as suas próprias emoções, mesmo que não sejam positivas, convivendo bem com todos esses sentimentos, bem como saber se relacionar socialmente e emocionalmente nos ambientes sociais, familiares e profissionais. Buscar se autoconhecer e se habituar com reflexões, blindando-se das crenças limitantes e negativas – ressignificá-las auxilia imensamente nessa jornada contra a ansiedade e outros sintomas gerados pela pressão familiar. Existem no mercado diversos produtos que auxiliam esse estado reflexivo, inclusive sem custo, em especial no Youtube.

Em conclusão, para melhor lidar com essa pressão familiar e a ansiedade gerada pelo processo de estudo, faça uso de algumas ações que aplicam os conceitos de inteligências emocionais e relacionais:

  1. Comunique-se, explique o processo de estudo para sua família, exponha que será uma jornada longa e que precisa da compreensão dela quanto ao apoio e ao respeito às escolhas feitas, mostre-se exercendo um trabalho de estudo com metas e objetivos a longo prazo;
  2. Pratique atividades físicas e, principalmente, meditação e controle da respiração;
  3. Organize e planeje suas rotinas e metas de resultados, busque um mentor para auxiliar e cobrar de você suas ações e progressos no andamento dos estudos; e
  4. Desenvolva a percepção das diferentes formas de comunicação e valores existentes entre as gerações quanto às expectativas, aos ritmos e aos valores.

Pratique o autoconhecimento! Viva seu propósito de vida!

[1] São Paulo, volume 20, número 3, setembro/dezembro de 2016

Bárdia Tupy

Atualmente Analista Judiciária no Superior Tribunal de Justiça – STJ. Foi Secretária de Órgãos Julgadores, Chefe de Gabinete e Assessora de ministros do STJ. Foi Secretária de Gestão Estratégica do TRF1ª Região e Secretária Nacional de Desenvolvimento de Pessoas da PGR. É Master Coach, Practitioner e coautora de 4 livros. Atua como Master Coach de carreira, inclusive para concursos públicos, com diversos cases de sucesso de aprovações e exerce o cargo de Analista Judiciário do STJ.

 

 

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Bárdia Tupy
Analista Judiciária do STJ e coach do Gran Cursos Online
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