A dissonância cognitiva é um conceito desenvolvido pelo psicólogo Leon Festinger para explicar o desconforto psicológico que surge quando uma pessoa percebe uma contradição entre aquilo que pensa, aquilo em que acredita e a maneira como age. No universo dos concursos públicos, esse fenômeno aparece com muita frequência. O concurseiro pode, por exemplo, afirmar que a aprovação é sua maior prioridade, mas passar dias adiando os estudos, negligenciando revisões ou mantendo hábitos incompatíveis com o objetivo que estabeleceu. Surge então uma tensão interna: “Se isso é realmente tão importante para mim, por que não estou fazendo aquilo que preciso fazer?”. Como reconhecer essa incoerência pode ser doloroso, a mente tende a procurar explicações capazes de diminuir o desconforto.
É justamente nesse momento que aparecem as justificativas e racionalizações. Em vez de modificar o comportamento, o concurseiro pode pensar: “A prova ainda está longe”, “Eu funciono melhor sob pressão”, “Hoje estou cansado demais para aprender”, “Quando sair o edital eu começo de verdade” ou “Não adianta estudar porque a concorrência está muito preparada”. Essas explicações podem proporcionar alívio imediato, mas existe um risco: quando utilizadas repetidamente, transformam a dissonância em um mecanismo de manutenção da procrastinação.
A pessoa preserva temporariamente uma imagem positiva de si mesma, porém continua se afastando do comportamento necessário para alcançar o resultado desejado. Quanto maior a distância entre o projeto que ela diz desejar e aquilo que efetivamente faz todos os dias, maior tende a ser o conflito psicológico.
Reduzir a dissonância cognitiva de maneira saudável exige aproximar comportamento, valores e objetivos, e não simplesmente criar argumentos para justificar a própria incoerência. Para o concurseiro, isso significa observar sem autoengano a diferença entre intenção e execução: quantas horas realmente estudou, quantas questões resolveu, quais revisões realizou e quais comportamentos estão sabotando sua preparação. A solução não está em esperar sentir motivação o tempo inteiro, mas em construir pequenas ações coerentes e sustentáveis. Quando o comportamento começa a acompanhar aquilo que a pessoa afirma ser importante, a tensão diminui e surge uma percepção maior de controle e consistência.
No longo prazo, portanto, uma pergunta pode ser especialmente poderosa para quem estuda para concursos: “As minhas escolhas de hoje estão coerentes com o futuro que digo querer? Fale de forma verdadeira como você!
No Divã com Juliana Gebrim | Saúde mental e as bets
🗓️01/09, às 18h30 no canal do YouTube
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