Manutenção do foco e estudo para a residência pós-COVID

Estamos vivenciando um período só conhecido no mundo através da História. Ouvíamos e líamos sobre a peste negra, a gripe espanhola, a varíola e a cólera, que dizimaram as vidas de milhares e milhões de pessoas desde o século XIV, entretanto, enfrentar esse período tem nos trazido inúmeras reflexões e situações.

“O que será da minha vida enquanto profissional ou estudante pós-pandemia? Como será a vida pós-isolamento social ou o assustador lockdown? O que faço para continuar minha preparação?”.

Não estudar ou não se planejar não é opção. O mundo não parou. Ele está em standby. Como nas guerras e tragédias ambientais, é preciso se reconstruir e planejar o futuro.

São muitas questões, mas hoje quero me dedicar aos formandos que estão com o objetivo de fazer uma seleção para residência nesse segundo semestre.

A residência multiprofissional ou a residência na área de Enfermagem é uma especialização diferenciada. É um programa lato sensu que qualifica o profissional em serviço para o atendimento em áreas específicas do Sistema Único de Saúde (SUS).

As residências multiprofissionais e em área profissional de saúde foram criadas a partir da promulgação da Lei n. 11.129 de 2005, como forma de pós-graduação. As portarias interministeriais n. 45/2007 e n. 1.077/2009 complementam a lei dispondo, respectivamente, a Comissão Nacional de Residência e os Programas de Bolsas; por fim, existe a portaria n. 320/2010, que define a estrutura e a organização da comissão nacional de residências. Todas as residências devem ser subordinadas às necessidades e realidades locais e regionais do SUS.

A Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde – CNRMS – é coordenada conjuntamente entre os Ministérios da Educação e da Saúde e tem como principais atribuições avaliar e acreditar os programas de residência em saúde de acordo com os princípios e diretrizes do SUS, atendendo às necessidades socioepidemiólogicas da população brasileira, credenciar novos programas, bem como instituições habilitadas a recebê-los e registrar os certificados dos programa, conforme especificação da categoria e ênfase no programa.

O programa de residência é regulamentado pela Resolução COFEN n. 0459, de 21 de agosto de 2014. Conforme a resolução, os programas de Residência Multiprofissional ou em Área Profissional de Saúde constituem modalidade de ensino de pós-graduação lato sensu destinados aos profissionais de saúde, sob a forma de curso de especialização com o ensino em serviço1.

No momento, as profissões de saúde se tornaram a “menina dos olhos” do país; mais precisamente, no caso da Enfermagem, vemos a necessidade de profissionais habilitados para a execução das funções técnicas e de gestão. Desde a atenção básica até as unidades especializadas hospitalares, existe a necessidade de profissionais cada mais especializados e é nesse ínterim que o curso de residência se encaixa perfeitamente.

Haverá certamente uma mudança de perspectiva social no mundo, e a percepção a respeito do profissional de saúde tende a seguir esse mesmo caminho. Nesse momento de isolamento, a continuidade dos estudos é vital para a participação das seleções dos diferentes programas de residência ofertados pelas universidades.

Como especialização em serviço, o programa de residência objetiva:

Proporcionar ao enfermeiro residente o acesso a um conjunto de atividades/ações que articulem os conhecimentos referentes à pesquisa, à assistência, à extensão e ao ensino de enfermagem, qualificando-o como profissional crítico e inserido no debate sobre o desenvolvimento técnico-científico2.

O enfermeiro residente é um profissional diferenciado, pois os cursos de residência têm duração de dois anos e carga horária de 60 horas semanais, perfazendo 5.760 horas, sendo 80% dessas horas destinadas a atividades práticas e os 20% restantes destinados às atividades teóricas, sempre com a companhia de um profissional da área a ser trabalhada e também de um tutor.

O residente recebe bolsa-auxílio mensal no valor R$ 3.330,43, não podendo desenvolver outras atividades profissionais no período. Essas bolsas são financiadas pelos Ministérios da Saúde e da Educação.

Após o Programa, o profissional terá a experiência profissional e também o certificado. Muitas seleções utilizam o período da residência como período de atividade profissional no currículo. Percebe-se que muitos egressos dos cursos de Enfermagem carecem de experiência para adentrar o mercado de trabalho, mas, após a residência, esse problema fica resolvido.

Além disso, como é uma formação teórico-prática, o egresso do curso de residência terá o conhecimento melhor estruturado, mais embasado, o que ajuda na participação de seleções simplificadas e concursos públicos.

Nesse sentido, defendo ferozmente a residência. Fui egressa de um programa. Ao sair da graduação, como muitos, não tive experiência para participar de seleções para a atividade hospitalar. Fui em busca de melhor me preparar para o mercado e, a partir da busca de informações, optei por fazer a seleção para a residência em Enfermagem Médico-Cirúrgica em Unidade de Terapia Intensiva.

Durante o curso, fui residente em dois grandes hospitais. Esse aprendizado me tornou Enfermeira. Antes do final da residência, já havia sido convidada para trabalhar em duas Unidades de Terapia Intensiva em dois grandes hospitais. Todo o aprendizado e experiência foram também de grande valia para a realização de concursos públicos. Hoje, olho para trás e vejo que a escolha pela residência foi a mais correta.

Então, como vamos voltar ao foco nesse momento de isolamento social? Nos primeiros dias, defrontamo-nos com uma realidade indescritível, entretanto, após o primeiro mês, o corpo pede uma disciplina, uma reconstrução dos processos.

Reorganizar a bancada de estudos, pesquisar as universidades e os programas de residência, criar uma tabela de datas de inscrição e datas prováveis de provas são atividades iniciais para planejar o percurso profissional pós-COVID-19.

Além disso, é possível criar pastas de arquivos com as provas publicadas e seus gabaritos, verificar os temas mais cobrados, estruturar o ritmo de estudo até a data de realização da prova.

É importante considerar também que os programas têm etapas para a realização da seleção. Alguns trabalham apenas com provas de conhecimentos gerais e específicos, podendo existir questão discursiva; também trabalham com análise do currículo e com entrevistas.

Além de responder às provas, é importante também treinar provas e questões discursivas, avaliar o currículo, refletir sobre a entrevista. Enfim, preparar-se completamente.

Ao fim do isolamento, você terá uma perspectiva bem fundamentada de futuro profissional, com foco e resiliência.

 

Referências:

  1. BRASIL. Resolução COFEN n. 0459 de 21 de agosto de 2014. Disponível em http://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-04592014_26170.html
  2. Guia de orientações para o enfermeiro residente: Curso de Pós-Graduação (Especialização), sob a Forma de Treinamento em Serviço (Residência) para Enfermeiros (Residência em Enfermagem) / [Beatriz Gerbassi Costa Aguiar (Coord.) et al.] – Brasília – Ministério da Saúde – 2005.

 

Ana Carolina Ayres. Enfermeira Intensivista e Emergencista. Pedagoga. Docente. Enfermeira assistencial da EBSERH no Eixo Crítico Emergencial no HUL-SE.

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Aprovada em concursos e processos seletivos da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia. Enfermeira, pedagoga e Coach do Gran Cursos Online.
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