Minha trajetória nos concursos públicos

Sempre ouço falar que “passar” em um concurso público é algo que requer muito esforço – verdade – e que vai exigir de você isolamento total, que se você não se fechar para tudo e para todos, se não abdicar de milhares de coisas da sua vida, você não irá conseguir.

Será?

Nunca fui a favor desse “terrorismo”. Sempre acreditei no estudo de forma sustentável, com qualidade de vida.

É importante termos consciência de que o tempo perfeito não chega e precisamos adaptar o estudo para concursos públicos ao nosso cotidiano, principalmente à nossa rotina.

Não que isso signifique você estudar de forma descomprometida ao longo de muito tempo. Pelo contrário, você deve manter o foco, mas é diferente de “deixar de viver”.

Comecei a estudar para concursos depois de estar casada (casei-me aos 20 anos, em 2006) e de já ser mãe (tive meu primeiro filho em 2008). Antes de vir para Brasília, ao me casar, eu nunca tinha pensado nisso, mesmo tendo um servidor público como marido.

Aquela regra de “estudar primeiro, casar depois, ter filhos adiante” nunca foi uma perspectiva em minha vida. Se faz sentido para você, tudo bem, mas se não é a sua realidade, estou aqui para lhe dizer que, se você acha que não está no momento “mais apropriado” – se é que ele existe –, não será isso que irá determinar o seu sucesso.

Concluí a graduação em Administração de Empresas grávida do meu primeiro filho (2007). Nessa época, me dedicava aos negócios da minha mãe, atuando de forma autônoma, com flexibilidade de horários, mas com uma carga de trabalho bastante expressiva.

Não satisfeita com a minha formação em Administração, quando meu filho fez 6 meses de idade, coloquei-o na creche e dei início à minha graduação em Pedagogia. Sem drama, nem remorso. Afinal, eu seria uma mãe feliz ou uma mãe frustrada?

Quando decidi estudar para concurso público, comecei fazendo cursinho presencial. Não tínhamos essa excelente oferta de cursos a distância como temos hoje. Teria sido maravilhoso para a minha realidade!

De manhã eu estava na faculdade, meu filho na creche e meu marido no trabalho. À tarde, duas vezes por semana, eu deixava o meu bebê com a diarista, uma pessoa de confiança, que ficava em nossa casa fazendo faxina, passando a roupa e olhando o bebê. Quando possível, à noite, eu saía para o cursinho também.

Estudar nunca foi algo que me impossibilitou vivenciar a maternidade. Hoje, quando penso se sou uma boa mãe, acabo chegando à conclusão de que, sim, sou uma ótima mãe! Sempre fui!

Durante a faculdade de Pedagogia, obtive minhas primeiras aprovações em concurso público e a minha primeira nomeação que, meses mais tarde, foi tornada sem efeito devido ao fato de que eu ainda não possuía o diploma para assumir o cargo de professora.

  • 2010 – COFEN – Conselho Federal de Enfermagem – Analista de Pessoal (Classificação: 14º) APROVADA
  • 2010 – CFP – Conselho Federal de Psicologia – Supervisor do Apoio Administrativo (Classificação: 3º) APROVADA
  • 2010 – GDF – Professor de Educação Básica – Atividades (Classificação: 16º) APROVADA E NOMEADA

Em 2011, ainda na universidade, fui aprovada e nomeada em um cargo da área de Administração: Analista de Correios Jr. da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, os Correios.

  • 2011 – TSE – Analista Judiciário – Pedagogia (Classificação: 51º) APROVADA
  • 2011 – ECT – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – Analista de Correios Jr – Administrador (Classificação: 93º) APROVADA E NOMEADA

Ingressei nos Correios com a faculdade de Pedagogia em andamento e… grávida! Isso mesmo: eu estava grávida do meu segundo filho – e era por opção.

Cheguei bastante satisfeita no meu primeiro dia de trabalho num cargo público, mas não pude deixar de perceber os olhares curiosos e até de reprovação.

“Grávida? Pode tomar posse grávida?” – imagino que seja o que se passava pela cabeça de muita gente, principalmente homens.

Meu dia de carteiro(a)! Curso de formação profissional nos Correios

Enquanto eu estava nos Correios, outras duas aprovações e nomeações aconteceram pra mim, mas optei por permanecer no cargo em que me encontrava, pois eram opções bem equivalentes e, naquele momento, achei melhor não fazer movimentos bruscos.

  • 2010 – GDF – Analista de Gestão Educacional (Classificação: 4º) APROVADA E NOMEADA
  • 2011 – Embratur – Instituto Brasileiro de Turismo – Administrador (Classificação: 14º) APROVADA E NOMEADA

Trabalhei nos Correios até o meu filho nascer. Após a licença-maternidade, que fora de seis meses, pedi exoneração. A remuneração não era tão atrativa, meu bebê ainda estava muito pequeno e eu realmente queria atuar na área educacional.

Foi uma decisão complexa, mas tranquila, para o espanto e críticas de muitos.

Você se casa – há críticas;

Você tem filhos – há críticas;

Você deixa o filho na creche para estudar – mais críticas;

Você assume cargo público grávida – críticas;

Você pede exoneração – críticas e mais críticas…

Você já viu aquela frase de efeito nas redes sociais: “Não importa o que você faça: faça! Você será criticado de qualquer jeito”? É exatamente isso que acontece.

Se eu vivesse a minha vida pautada naquilo que as pessoas achavam de mim e das minhas decisões, eu estaria por aí andando em círculos até hoje.

É muito importante que nós tenhamos convicções a respeito do que queremos e, não menos importante, do que não queremos para as nossas vidas.

Essas “certezas” nem sempre estão conosco desde o início, podem ser construídas ao longo do caminho e não há problema nenhum em, por exemplo, mudar de ideia. Permita-se!

Devemos ouvir, sim, as pessoas, mas a nossa rede de apoio não é formada por TODO MUNDO.

A opinião de TODO MUNDO não nos interessa. Temos que nos centrar em nossas próprias convicções e nas opiniões das pessoas que realmente querem o melhor para nós.

Engana-se quem pensa que essas “melhores opiniões” sempre estão presentes no âmbito familiar. Mesmo entre as pessoas da nossa família há processos conscientes e inconscientes que não necessariamente vão fazer com que nossos entes queridos nos recomendem aquilo que é melhor para nós.

Pode acontecer, inclusive, de alguém que te ama muito dar-lhe conselhos que vão de encontro aos seus propósitos, seus objetivos.

E aí? O que fazer com isso?

Paciência. Tempo. Reflexão. Aprendizado.

Eu sempre procurei me associar com pessoas que estavam estudando para concursos, principalmente amigas. Amigas da faculdade, amigas do próprio trabalho… Elas foram muito importantes – e ainda são – pra mim!

Na maioria das vezes, partilhávamos o desejo de aprovação num mesmo concurso público. Mas isso, ao invés de nos afastar, fazia era nos unir cada vez mais.

***

Enquanto cuidava do meu segundo filho, em casa, cheguei a escrever uma coleção de livros didáticos na área de Educação Musical, além de continuar desenvolvendo atividades administrativas relacionadas às empresas da minha mãe.

É claro que eu tinha um suporte financeiro que me garantia certa tranquilidade, mas eu nunca deixei de ter a minha própria renda e, em geral, era eu quem cuidava das crianças em casa.

Muitas vezes estudei sentada naquele tapete emborrachado com letrinhas de A a Z (as mãezinhas me entenderão), entre uma troca de fraldas e um momento de amamentação. Noites sem dormir… Sim ou com certeza?

Meu segundo filho, inclusive, pelo fato de eu estar em casa “sem trabalhar”, foi para a escola mais tarde que o primeiro. Também passei a cuidar, desde 2013, do meu enteado que viera morar conosco.

Veja quem está aprontando enquanto a mamãe está estudando…

Segui firme e confiante e obtive outros resultados:

  • 2012 – INEP – Técnico e Pesquisador (Classificação: 118) APROVADA
  • 2012 – Caesb – Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal – Analista de Suporte ao Negócio – Pedagogia (Classificação: 1º) APROVADA E NOMEADA
  • 2013 – Ministério da Fazenda – Pedagogo (Classificação: 2º) APROVADA e NOMEADA – Lotação: Receita Federal
  • 2015 – Sebrae – Analista Técnico II – Formação exigida: Curso Superior em Pedagogia e pós-graduação em Educação (Classificação: 2º) APROVADA

Você pode até estar pensando:

Nossa, como ela conseguiu passar em tantos concursos?

A resposta é simples, bb: estudando.

Não há nada mais que eu possa dizer que seja verdade. É isso mesmo: eu estudei bastante e estudo até hoje!

Além disso, é importante que você observe que eu pontuei aqui nesse artigo as minhas aprovações e nomeações.

Veja: nem sempre que fui aprovada em um concurso público eu fui nomeada. Na maioria das vezes, eu ficava só na expectativa mesmo, no cadastro reserva.

Além disso, essa listagem não mostra os concursos que fiz e não passei. E foram muitos, alguns para os quais estudei bastante.

Ainda não consegui consolidar uma listagem dos concursos em que não obtive êxito, mas pretendo fazê-la para apresentar juntamente com as minhas conquistas, pois certamente as minhas reprovações também me trouxeram até aqui.

Eu fico feliz de ter histórias para contar, até mesmo histórias engraçadas.

Quem me conhece sabe que não faz muito o meu estilo, mas já pulei a grade de uma faculdade aqui no DF depois de chegar atrasada para uma prova de concurso. Pulei a grade, debaixo de chuva, junto a outros candidatos, mas não pude fazer a prova. Fui expulsa do local! Que vergonha, hein?!

Ou seja: já passei por todos os perrengues de um concurseiro, inclusive o de perder uma prova para a qual estudou.

***

O segundo cargo público que assumi foi na área educacional, como eu sonhava. Ingressei como Pedagoga na Receita Federal em 2014 até ser nomeada na Caesb (2015) – Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal, também como Pedagoga, onde permaneço.

Na Divisão de Desenvolvimento de Competências da RFB – Unidades Centrais

O interessante é que eu fui aprovada na Caesb antes de prestar o concurso da Receita Federal, mas só fui trabalhar lá 3 anos depois, mesmo tendo sido aprovada na primeira e única vaga do cargo.

Se eu tivesse parado de prestar concursos, depois de ser aprovada dentro do número de vagas, aguardando uma nomeação que era “certa”, eu não teria passado no concurso do Ministério da Fazenda (RFB) e não teria trabalhado lá por um ano, uma oportunidade da qual tenho excelentes memórias e muito orgulho.

Eu costumo dizer aos meus coachees, considerando essa minha experiência:

Se está dando errado, continue;

Se ainda não deu certo, continue;

Se está dando certo, continue;

Se já deu certo, continue.

Continue.

Mesmo na posição em que me encontro, eu continuo:

  • 2016 – SEEDF – Professor Atividades (Classificação: 51º) APROVADA E NOMEADA
  • 2016 – SEEDF – Professor de Educação Básica – Administração (Classificação: 8º) APROVADA

Educação Ambiental na Caesb

Hoje o concurso público é mais do que um meio para minha própria realização profissional. É também a realidade em que pauto a minha atuação profissional enquanto Coach. Continuo na ativa e pode ser que nos encontremos por aí!

Se me vir em algum certame, venha me dar um abraço e falar comigo, ok? Já recebi mensagens de pessoas no Instagram que não o fizeram:

Te vi lá na prova, mas não tive coragem de ir falar com você…

Que bobagem! Não seja tímido(a)!

E lembre-se: as críticas sempre estarão presentes!

Mesmo com uma trajetória que eu considero exitosa, eu recebi muitas críticas – recebo até hoje. E elas vêm de todos os lados, às vezes até de pessoas que amamos.

É por isso que eu fico bastante satisfeita em atuar no Gran Cursos Online como Coach para concursos públicos, porque acredito que tudo o que passei e aprendi pode, verdadeiramente, ser utilizado em favor da aprovação de outras pessoas.

Gravando as mentorias da área de Educação para os Assinantes Ilimitados do Gran

O seu caminho, por exemplo, não precisa ser tão longo quanto o meu.

Pode ser que você tenha como foco um único concurso, o concurso dos seus sonhos, e isso é maravilhoso!

Com planejamento é possível minimizar a energia dispendida e maximizar os resultados.

Talvez você ainda não tenha encontrado o seu caminho… não tem problema! Continue caminhando. A vida pode nos surpreender positivamente em muitos aspectos!

E é possível estudar e trabalhar, estudar e ter filhos, estudar fazendo faculdade… Sim, é possível!

Não é mimimi: ouça sempre o seu coração.

O que tem condições de lhe fazer feliz não é aquilo que lhe traz dúvidas e insegurança. É aquele projeto que, quando você pensa nele, seus olhos brilham e seu sorriso aparece.

É isso que lhe desejo: brilho nos olhos!

Associe-se às pessoas que te amam e que te apoiam!

Se você se empenhar, todo esforço será recompensado.

E você não está sozinho(a): conte comigo e com toda a equipe do Gran Cursos Online!

Érika Radespiel

Analista de Suporte ao Negócio – CAESB. Aprovada em diversos concursos: Pedagoga do Ministério da Fazenda, Analista técnica II no SEBRAE/NA, Técnico e Pesquisador do INEP, Administrador na EMBRATUR, Analista de Correios Jr. – Administrador da ECT, Analista Judiciário – Pedagogia – TSE, Analista de Gestão Educacional do GDF, Professor de Educação Básica – Atividades do GDF, Supervisor de Apoio Administrativo do CFP, Analista de Pessoal do COFEN, Professor de Educação Básica – Administração e Atividades SEDF.

 

 


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3 Comentários

3 Comentários

  1. Karina Bassan

    20/06/2019 10:23em10:23

    Sim, persistência, continuidade são muito importantes! Tem dias que estudamos melhor, outros em tanto. Mas o negocio é estudar sempre mesmo! Parabens pela historia inspiradora! Vou ali estudar mais um pouco!

  2. Simone

    20/06/2019 14:17em14:17

    Que história inspiradora, principalmente para nós que somos responsáveis por multitarefas. Importante perceber que iremos sim chegar lá, mesmo que o caminho seja um pouco diferente, basta querer e ter dedicação.

  3. Thaís

    20/06/2019 17:13em17:13

    Que história linda! O negócio é nunca parar de estudar, a nossa hora vai chegar! Parabéns pela dedicação e obrigada por nos inspirar… 😍👏🏼

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