Elias Santana

Casos especiais de crase (parte 3). Por: Elias Santana

Casos especiais de crase (parte 3)Nas duas últimas semanas, abordamos dois empregos especiais acerca do acento grave: antes de casa e terra. Hoje, falaremos sobre mais um caso: com a palavra até.

Vou direto ao assunto: o emprego do sinal indicativo de crase é facultativo na locução até a (que pode ser até à, caso venha seguida de alguma palavra que admita o artigo “a”).

Veja os exemplos abaixo:

(1) Ele chegou até a/à porta em uma velocidade impressionante!

(2) Ele vai trabalhar até a/à meia-noite.

Esse é um caso realmente ímpar nosso vernáculo. Faça uma breve consulta ao seu cérebro e me responda: qual é a classe gramatical da palavra “até”? Talvez até uma musiquinha saia imperceptivelmente da sua boca:

a, ante, após, até

com, contra, de, desde, em, entre

para, per, perante, por

sem, sob, sobre, trás

Lembrou? “Até” é uma preposição! Daí surge um questionamento: por que a crase é admitida?

Pela lógica, o recomendado para os dois primeiros exemplos é até a, sem o emprego do acento (e com o entendimento de que ocorre a preposição “até” seguida do artigo “a”). Todavia, por uma concessão gramatical, aceita-se até à, com duas preposições! Repito: é uma concessão!

Circunstância semelhante ocorre quando há palavra masculina – e, obviamente, emprego de artigo masculino. Veja:

(3) Ele chegou até a/ao portão em uma velocidade impressionante!

(4) Ele vai trabalhar até a/ao meio-dia.

Agora, preciso fazer uma consideração importantíssima: essa “brecha na lei” só é válida para a preposição “até”. Em outros casos, não se empregam duas preposições simultaneamente! Em “ele vai trabalhar após a meia-noite”, nada de acento grave, ok?

Na semana que vem, abordaremos mais um caso especial de crase! Não perca!


Elias Santana

Licenciado em Letras – Língua Portuguesa e Respectiva Literatura – pela Universidade de Brasília. Possui mestrado pela mesma instituição, na área de concentração “Gramática – Teoria e Análise”, com enfoque em ensino de gramática. Foi servidor da Secretaria de Educação do DF, além de professor em vários colégios e cursos preparatórios. Ministra aulas de gramática, redação discursiva e interpretação de textos. Ademais, é escritor, com uma obra literária já publicada. Por essa razão, recebeu Moção de Louvor da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 


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1 comentário

1 Comentário

  1. Nazaré Barbosa

    09/07/2018 12:51 em 12:51

    Olá, professor!
    Fiquei um pouco confusa quanto ao uso do ATÉ A/AO.
    Posso dizer: Ele vai trabalhar até o meio-dia? Ou será sempre: Ele vai trabalhar até ao meio-dia?
    Obrigada, desde já.

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