Elias Santana

Voz passiva e passividade. Por: Elias Santana

O título deste artigo é o mesmo de uma das seções mais bem elaboradas da Moderna gramática Portuguesa, de Evanildo Bechara. Digo isso porque, em poucas linhas, o célebre vernaculista conseguiu explicar o que muitas pessoas ainda não conseguem entender acerca do assunto. Para que não haja mais qualquer dúvida, vou detalhar, de maneira objetiva, qual é a diferença entre voz passiva e passividade.

Voz passiva é uma estrutura oracional. Portanto, quando se fala nesse conceito, é necessário, primeiramente, olhar os componentes morfossintáticos de um período. Ela pode ser representada em dois formatos:

• Por meio de uma locução verbal, em que o auxiliar é o verbo SER e o principal aparece no PARTICÍPIO. Ex.: Os crimes foram investigados pela polícia.

• Por meio de um verbo acompanhado do pronome -SE, que, necessariamente, deve ser uma PARTÍCULA APASSIVADORA [1]. EX.: Vendem-se

Portanto, para que haja voz passiva, é necessário identificar uma dessas duas estruturas. O fato de o sujeito sofrer a ação denotada pelo verbo (o famoso sujeito paciente) é uma consequência dessa estrutura.

Vejamos uma questão acerca do assunto:

(FCC/2017/TRT24) Está na voz passiva o verbo do seguinte fragmento do texto:

a) É produzido com matérias primas da própria região…

b) Essa cultura estadual retrata, também, uma mistura de várias outras contribuições das muitas migrações…

c) A cultura de Mato Grosso do Sul é o conjunto de manifestações artístico-culturais…

d) O artesanato, uma das mais ricas expressões culturais de um povo, no Mato Grosso do Sul, evidencia crenças, hábitos, tradições e demais referências culturais do Estado.

e) As peças em geral trazem à tona temas referentes ao Pantanal e às populações indígenas…

O gabarito só pode ser a letra A. Até coloquei em negrito cada um dos verbos. Não é adequado analisar primeiramente o sentido. É preciso olhar a estrutura oracional. Uma questão como essa é simples, desde que o estudante lance o olhar correto sobre ela.

Em contrapartida, existe a passividade, que é uma característica semântica. Ocorre quando o sujeito recebe ou sofre a ação verbal. As orações na voz passiva possuem a passividade, mas a passividade não existe apenas em orações na voz passiva! Veja os exemplos.

• O Brasil sofre com a corrupção.

• O funcionário recebeu o salário na data correta.

Nas duas construções, não há estrutura de voz passiva, mas os sujeitos (“O Brasil e “O funcionário”) são passivos em relação à ação verbal. É correto, por conseguinte, afirmar que há passividade em ambas, mesmo não ocorrendo voz passiva.

Espero que, a partir de agora, esse assunto esteja claro na sua cabeça! Bons estudos!

[1] Se você tem dificuldades em identificar as funções do SE, recomendo duas aulas, que estão nos seguintes links: bit.ly/eliasse1 e bit.ly/eliasse2

 


Elias Santana

Licenciado em Letras – Língua Portuguesa e Respectiva Literatura – pela Universidade de Brasília. Possui mestrado pela mesma instituição, na área de concentração “Gramática – Teoria e Análise”, com enfoque em ensino de gramática. Foi servidor da Secretaria de Educação do DF, além de professor em vários colégios e cursos preparatórios. Ministra aulas de gramática, redação discursiva e interpretação de textos. Ademais, é escritor, com uma obra literária já publicada. Por essa razão, recebeu Moção de Louvor da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 


 

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