Inteligência emocional: o que é e como usar no Exame OAB?

Estudou tudo e teme o "branco" na hora da prova? Saiba como a Inteligência Emocional pode ser o diferencial para a sua aprovação no Exame OAB!

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Se você está se preparando para o Exame OAB, provavelmente já sabe que o conhecimento jurídico não é o único fator que influencia o resultado, né?! Isso porque há algo que acontece antes, durante e depois da prova que reflete diretamente no seu desempenho, e esse algo tem nome: inteligência emocional.

Neste texto, você vai entender o que a ciência diz sobre esse conceito, como ele funciona no cérebro humano, quais habilidades ele envolve e de que forma ele pode ser desenvolvido. Leia até o final, porque cada parte deste conteúdo foi pensada para te dar uma visão completa do tema e, claro, te auxiliar a vencer o Exame de Ordem!

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Primeiramente, o que é inteligência emocional?

O termo inteligência emocional foi formalizado academicamente por Peter Salovey e John D. Mayer em um artigo publicado em 1990 na revista Imagination, Cognition and Personality.

Naquele texto, os autores definiram inteligência emocional como um subconjunto da inteligência social que envolve a capacidade de monitorar os próprios sentimentos e os sentimentos dos outros, de discriminar entre eles e de usar essa informação para orientar o pensamento e as ações.

Salovey e Mayer partiram de uma perspectiva funcionalista, já que, para eles, as emoções são respostas organizadas que atravessam os sistemas fisiológico, cognitivo, motivacional e experiencial do indivíduo. Em vez de considerar as emoções como perturbações do pensamento racional, os autores argumentaram que elas carregam informações adaptativas e podem, quando bem processadas, melhorar a tomada de decisões e o comportamento social.

O modelo original de Salovey e Mayer organizou a inteligência emocional em três grandes domínios, a saber:

  • Avaliação e expressão das emoções, tanto em si mesmo quanto nos outros, por meios verbais e não verbais;
  • Regulação das emoções, em si mesmo e nos outros; e
  • Utilização das emoções, o que inclui planejamento flexível, pensamento criativo, redirecionamento da atenção e motivação.

Mais tarde, Daniel Goleman popularizou o conceito em seu livro Inteligência Emocional (1995) e o expandiu em publicações subsequentes, incluindo O Cérebro e a Inteligência Emocional: Novas Perspectivas (2011).

Goleman organizou a inteligência emocional em quatro domínios genéricos, são eles:

  • Autoconsciência;
  • Autogestão;
  • Consciência social; e
  • Gerenciamento de relacionamentos.

Continue a leitura para entender mais sobre cada um desses domínios!

Os 4 domínios da inteligência emocional no modelo de Goleman

Autoconsciência

A autoconsciência é a capacidade de reconhecer e compreender os próprios estados emocionais no momento em que eles ocorrem. No nível neurológico, ela depende da interação entre o neocórtex, responsável pelas funções cognitivas, e as áreas subcorticais, em que os processos emocionais mais básicos têm lugar.

Goleman explica que António Damásio documentou um caso em que um advogado, após uma cirurgia que desconectou o córtex pré-frontal da amígdala, manteve todas as suas capacidades cognitivas intactas, mas perdeu a habilidade de tomar decisões práticas. Ao ser perguntado sobre o melhor horário para uma consulta, conseguia listar racionalmente os prós e contras de cada opção, mas não conseguia escolher.

A razão, segundo Damásio, é que a tomada de decisões depende da capacidade de sentir algo sobre os próprios pensamentos. Sem esse componente emocional, as alternativas passam a ter peso igual e a escolha se torna impossível.

Essa descoberta tem implicações diretas para qualquer prova de alto desempenho, já que quem não tem acesso às próprias emoções perde a capacidade de hierarquizar prioridades e de agir com eficiência sob pressão.

Autogestão

A autogestão é a capacidade de regular as emoções e os impulsos, sobretudo diante de situações de estresse. Ela depende da zona dorsolateral da área pré-frontal, que regula a atenção, a tomada de decisões, o raciocínio e a flexibilidade de resposta.

Goleman distingue dois estados polares nesse espectro:

  • Quando o córtex pré-frontal esquerdo está mais ativo, o indivíduo tende a apresentar estados positivos como entusiasmo, energia e motivação; e
  • Quando o córtex pré-frontal direito predomina, há maior tendência à ansiedade, ao pessimismo e ao abandono de metas diante de obstáculos.

Essa relação esquerda-direita de atividade pré-frontal funciona como um marcador individual do estado emocional habitual, o que o pesquisador Richard Davidson chama de set point emocional.

A boa notícia, segundo Davidson, é que esse marcador pode ser alterado por práticas regulares como a meditação de atenção plena — tanto que, em um estudo conduzido com funcionários de uma empresa de biotecnologia em situação de alto estresse, oito semanas de prática diária de atenção plena foram suficientes para deslocar o set point emocional dos participantes em direção a estados mais positivos.

Consciência social

A consciência social envolve a capacidade de perceber, compreender e responder às emoções dos outros. Ela é sustentada pelos neurônios-espelho, estruturas que se ativam no observador quando ele percebe uma ação ou emoção em outra pessoa, como se ele próprio estivesse realizando aquela ação ou experimentando aquela emoção.

Salovey e Mayer identificaram a empatia como uma das componentes do processamento emocional voltado para os outros. Goleman, por sua vez, distinguiu três tipos de empatia: (i) a empatia cognitiva, que é a capacidade de entender como o outro vê uma situação; (ii) a empatia emocional, que é a capacidade de sentir o que o outro sente; e (iii) a preocupação empática, que é a disposição espontânea de ajudar quando se percebe que outra pessoa precisa de apoio.

Gerenciamento de relacionamentos

O gerenciamento de relacionamentos é a capacidade de influenciar os estados emocionais dos outros de forma produtiva. Em grupos com diferenças de hierarquia, como equipes de trabalho ou ambientes organizacionais, a pessoa com maior poder tende a ser o principal emissor emocional do grupo.

Isso quer dizer que o estado emocional do líder se propaga para os demais por meio do contágio emocional, um processo automático, inconsciente e imediato mediado pelos neurônios-espelho.

Goleman cita estudos em que equipes cujos líderes mantinham estados emocionais positivos apresentavam melhor desempenho coletivo do que equipes cujos líderes projetavam estados negativos, independentemente da natureza da tarefa realizada.

Qual a relação entre inteligência emocional, estresse e desempenho?

A relação entre estresse e desempenho é mapeada pela lei de Yerkes-Dodson, formulada há mais de um século. Essa lei descreve uma curva em formato de U invertido:

  • Em níveis muito baixos de estresse, o desempenho é fraco por falta de motivação;
  • Em níveis moderados, o desempenho é alto; e
  • Em níveis muito altos, o estresse passa a prejudicar a capacidade cognitiva.

O ponto alto dessa curva corresponde ao estado que Mihaly Csikszentmihalyi, da Universidade de Chicago, chamou de fluxo. No estado de fluxo, a atenção é total, a execução ocorre no limite das capacidades do indivíduo e há uma experiência de prazer associada à atividade.

Goleman aponta que esse estado envolve a ativação do córtex pré-frontal esquerdo e a presença de neurotransmissores como a dopamina.

No polo oposto, o estresse crônico ou excessivo pode danificar o hipocampo, estrutura fundamental para a conversão de memórias de curto prazo em memórias de longo prazo.

Para nós, isso significa que um candidato que chega ao Exame OAB em estado de esgotamento emocional ou de estresse extremo pode apresentar dificuldade de acesso ao conteúdo que estudou, mesmo que o tenha aprendido adequadamente!

Como a inteligência emocional pode ser desenvolvida?

A neuroplasticidade, ou seja, a capacidade do cérebro de reorganizar suas conexões com base em novas experiências, torna o desenvolvimento da inteligência emocional possível em qualquer fase da vida.

Todos os dias, o cérebro gera novas células-tronco que migram para onde o aprendizado está ocorrendo e formam novos circuitos ao longo de aproximadamente quatro meses.
Assim, para desenvolver uma competência emocional, Goleman recomenda um processo em etapas:

  • O primeiro passo é o comprometimento com a mudança, que ativa o circuito motivacional do córtex pré-frontal esquerdo;
  • O segundo passo é tornar a meta de desenvolvimento concreta, traduzindo-a em comportamentos específicos e observáveis; e
  • O terceiro passo é a prática repetida, já que novos hábitos só substituem os antigos quando o novo circuito neural se torna mais forte do que o anterior (e esse processo costuma levar de três a seis meses de prática em situações reais).

Você sabia que o chamado “ensaio mental”, prática comum entre atletas de alto desempenho, ativa os mesmos circuitos neurais que a atividade real? Por isso, imaginar situações de prova com calma e foco ativa os mesmos caminhos que serão usados no dia do Exame OAB!

Por que a inteligência emocional importa para o Exame OAB?

O Exame OAB é uma prova aplicada em condições de muita pressão. O tempo é limitado, o conteúdo é amplo, o ambiente é quase sempre novo e a preocupação com o acerto da quantidade mínima de questões são apenas exemplos de fatores com os quais os examinandos têm que lidar no grande dia.

Assim, um candidato que não desenvolveu autoconsciência emocional pode não perceber quando está sob estresse extremo e continuar tentando resolver questões neste estado mental que compromete a memória, a flexibilidade de raciocínio e a capacidade de inovar na interpretação de enunciados.

Por outro lado, o candidato que reconhece seus estados emocionais sabe como interrompê-los e retorna ao foco com mais facilidade, acessando, então, uma capacidade cognitiva que os outros não conseguem mobilizar sob pressão.

Logicamente, isso não substitui o estudo do conteúdo jurídico, mas adiciona uma “camada” de desempenho que comprovadamente pode fazer diferença na hora da prova e te auxiliar a garantir os pontos que separam aprovados de reprovados.

Além disso, vale lembrar que a inteligência emocional influencia a qualidade do estudo mesmo antes da prova! Quem sabe regular o próprio estado emocional consegue manter atenção por períodos mais longos, converte melhor a informação em memória de longo prazo e persiste diante das dificuldades do processo de preparação!

Referências

GOLEMAN, Daniel. O cérebro e a inteligência emocional [recurso eletrônico]: novas perspectivas. Tradução Carlos Leite da Silva – Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

SALOVEY, Peter; MAYER, John D. Emotional Intelligence. Imagination, Cognition and Personality, v. 9, n. 3, p. 185-211, 1989-1990. Baywood Publishing Co., Inc.

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