Custo padrão: conceito, finalidades e utilidades, tratamento contábil e contabilização, aplicação e análises das variações.
O custo padrão representa o custo previsto de produção ou serviços, calculado com base em condições normais de eficiência operacional, servindo como referência para controle gerencial e análise de variações, conforme complementado pelo CPC 16 (Estoques) e normas do CFC.
Sua finalidade principal é estabelecer benchmarks para planejamento orçamentário, permitindo a comparação entre custos reais e esperados para identificar desvios e responsabilidades gerenciais de forma precisa e tempestiva. Entre as utilidades, destacam-se o suporte à precificação de produtos, a avaliação de estoques em balanço, a motivação de equipes por metas alcançáveis e a promoção de melhoria contínua nos processos produtivos, especialmente em indústrias de manufatura contínua.
No tratamento contábil, os estoques registram-se pelo custo padrão no momento da baixa para produção ou venda, com ajustes posteriores por variações debitadas ou creditadas diretamente ao resultado do período, garantindo que o Balanço Patrimonial reflita valores planejados enquanto a DRE absorve os impactos reais (CPC 16.10).
A contabilização inicial ocorre via débito em Estoque de Matéria-Prima ou Produtos Acabados pelo custo padrão, creditando Fornecedores ou Caixa, enquanto as variações acumulam em contas transitórias de resultado, encerradas na apuração do lucro ou prejuízo do exercício.
Essa aplicação é comum em centros de custo segmentados — materiais diretos, mão de obra direta e manufatura indireta —, com padrões revisados periodicamente, como anualmente ou semestralmente, para manter sua relevância diante de inflação ou mudanças tecnológicas.
A análise das variações decompõe os desvios em categorias específicas, como materiais (preço e quantidade), mão de obra (taxa e eficiência) e overhead (gasto e volume), fornecendo insumos essenciais para auditoria de eficiência operacional e correção de rumos gerenciais.
A variação de preço de materiais calcula-se por (Preço Real – Padrão) × Quantidade Real, resultando em débito desfavorável se o preço efetivo superar o planejado, o que sinaliza falhas em negociações com fornecedores ou flutuações de mercado. Já a variação de quantidade de materiais corresponde a (Quantidade Real – Padrão para produção real) × Preço Padrão, revelando desperdícios, quebras ou ganhos de eficiência no consumo de insumos.
Para mão de obra, a variação de taxa surge de (Taxa Horária Real – Padrão) × Horas Trabalhadas Reais, destacando discrepâncias salariais, horas extras não previstas ou qualificações inadequadas da força de trabalho.
A variação de eficiência de mão de obra mede (Horas Reais – Padrão para produção real) × Taxa Padrão, avaliando diretamente a produtividade e o cumprimento de metas de tempo padrão pelos operários. No overhead fixo, a variação de gasto limita-se a Overhead Fixo Real – Overhead Fixo Padrão, isolada do volume de produção e focada no controle de despesas indiretas fixas como aluguéis ou depreciação.
A variação de overhead variável de eficiência aplica (Horas Reais – Padrão) × Taxa Variável Padrão, vinculando-se à utilização da capacidade instalada e revelando sub ou superutilização de recursos indiretos.
No Balanço Patrimonial, os estoques permanecem pelo custo padrão, enquanto as variações transitam para a DRE como ajustes ao Custo dos Produtos Vendidos ou contas não operacionais, preservando a comparabilidade histórica dos ativos.
A FCC, em provas para Auditor (SEFAZ), cobra cálculos numéricos precisos dessas variações, exigindo decomposição detalhada e demonstração do impacto no resultado líquido, como em exemplos com MP padrão de R$ 10/unidade, preço real de R$ 12 e quantidade real de 1.100 versus padrão de 1.000 para 1.000 unidades produzidas, gerando variação de preço desfavorável de R$ 2.200.
A revisão de padrões considera fatores como inflação acumulada, avanços tecnológicos ou curvas de aprendizado, evitando variações crônicas que distorcem a análise gerencial; padrões obsoletos devem ser atualizados para refletir condições normais atuais.
A integração com sistemas ERP automatiza a apuração, gerando relatórios gerenciais com análise ABC para priorizar variações significativas acima de 5% do padrão, facilitando decisões baseadas em dados.
Na auditoria, verifica-se a razoabilidade dos padrões — devendo estar documentados e aprovados pela diretoria —, além da segregação de funções entre definição de padrões, apuração de reais e análise de variações, prevenindo manipulações.
Do ponto de vista fiscal, o custo padrão é aceito para estoques se as variações forem ajustadas anualmente no LALUR para IR/CSLL (Lei nº 12.973/2014), embora o custo real prevaleça para apuração tributária definitiva.
As demonstrações financeiras exigem divulgação da política de custo padrão nas notas explicativas (CPC 26), incluindo reconciliação entre custo padrão e real, com detalhamento das principais variações, o que assegura transparência para usuários externos como auditores fiscais e investidores.
Estas questões refletem o padrão FCC:
Questão 1: Variação de Materiais (FCC – Adaptada de Manaus 2019)
Cia. Só Máquinas: Matéria-prima padrão 3 kg/unidade a R$ 10/kg (R$ 30/unid.). Real: 3,1 kg/unidade a R$ 11/kg (R$ 34,10/unid.). Para 1.000 unid. produzidas, variação total de preço é:
a) R$ 1.000 desfavorável
b) R$ 3.000 desfavorável
c) R$ 100 desfavorável
d) R$ 2.900 desfavorável
e) R$ 4.100 desfavorável
Resposta: a) R$ 1.000 desfavorável [(11-10) × 3.100 kg].
Questão 2: Variação de Eficiência MO (FCC – TER/PA)
Mão de obra padrão: 2 hs/unid. a R$ 15/h. Real: 2,2 hs/unid. a R$ 15/h, 10.000 unid. Variação de eficiência:
a) R$ 6.000 favorável
b) R$ 6.000 desfavorável
c) R$ 3.000 desfavorável
d) R$ 30.000 desfavorável
e) Zero
Resposta: b) R$ 6.000 desfavorável [(2,2-2) × 15 × 10.000].
Questão 3: Overhead Variável (FCC – Adaptada)
CIF variáveis padrão R$ 0,80/unid., 500.000 unid. previstas. Real: 490.500 unid., CIF R$ 975.000 (fixos). Variação de eficiência CIF variáveis (taxa R$ 2/unid.):
a) R$ 6.000 desfavorável
b) R$ 6.000 favorável
c) R$ 981.000 favorável
d) R$ 975.000 desfavorável
e) R$ 6.815 desfavorável
Resposta: b) R$ 6.000 favorável [Padrão volume real 490.500 × 2 = 981.000 – 975.000].
Questão 4: Variação Mista Materiais (FCC)
MP: padrão 120 kg a R$ 12/kg. Real: 125 kg a R$ 13/kg. Variação preço:
a) R$ 125 desfavorável
b) R$ 600 desfavorável
c) R$ 125 favorável
d) R$ 1.625 desfavorável
e) R$ 500 desfavorável
Resposta: a) R$ 125 desfavorável [(13-12) × 125].
Questão 5: Conceito e Aplicação (FCC)
Custo padrão predeterminado serve para:
a) Registro único de estoques no BP
b) Estabelecer metas e analisar variações
c) Substituir custo real na DRE
d) Eliminar ajustes fiscais
e) Calcular apenas CMV
Resposta: b) (Controle gerencial, CPC 16).
Convido você a seguir comigo nessa viagem pelo mundo da contabilidade, explorando sua história, conceitos, aplicações e inovações, além de praticarmos questões já cobradas pelas principais bancas de concursos.
Espero que a leitura deste e dos próximos artigos seja útil para sua jornada. Um abraço e até nosso próximo encontro!
Autora: Nayara Mota – Professora de contabilidade. Graduada em Ciências Contábeis em 2015 pela UNOESC, com especialização em Administração Pública pela UFRGS e em Contabilidade e orçamento público pela Universidade Metropolitana.
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