A depressão e o concurseiro. Por: Juliana Gebrim

Juliana Gebrim


24/09/2019 | 13:10 Atualizado há 723 dias

Você falaria para uma pessoa com a perna quebrada para ela continuar andando, afinal é uma coisa da cabeça dela? Se alguém estiver se afogando, você diria para essa pessoa que é “só um pouco de água no seu pulmão, vamos seguir em frente”? Ou questionaria um asmático o porquê de isso acontecer se tem tanto ar no mundo?

Uma das piores sensações que eu tenho é quando vejo algo, ou sinto com muita clareza, e as pessoas invalidam aquilo. Isso ocorre com quem tem depressão. Muita gente que tem o quadro também tem medo de falar por causa do estigma de ser louca ou de que é frescura. Frescura que mata.

Sim, em pleno ano de 2019, quando falamos sobre depressão, ansiedade ou outras doenças mentais, ainda nos deparamos com esse tipo de pensamento – costumo dizer que esse sim é bem louco. Muito baseado na ignorância de informações e conhecimento. Isso também ajuda as pessoas a adoecerem.

“Mas ela não estava bem???” Não, não estava. Existe a depressão atípica, muito usada na positividade tóxica das redes sociais.

Quando o concurseiro é depressivo, temos muitas questões sendo abaladas, como a dificuldade de concentração, memorização, sentimentos de inutilidade, falta de prazer nas pequenas coisas, falta de motivação, isolamento, procrastinação, baixa autoestima, frustração, desesperança, irritabilidade, distúrbios na qualidade do sono (excesso ou falta).

“Psiquiatra??? Mas você não é louco!” Essa é uma das piores observações.

Depressão é uma doença da mente e, como qualquer doença, necessita da ajuda de especialistas, como psicólogos e médicos psiquiatras, profissionais habilitados para esse tipo de situação. Mais da metade das pessoas que possuem depressão não procuram ajuda. E ainda temos aquelas pessoas que possuem a doença e não sabem.

Em um país tão festivo como o Brasil, como que quadros de ansiedade, depressão e suicídio avançam de forma tão exponencial? A resposta está em vários fatores desencadeadores e na intervenção sem habilidade de pessoas que não entendem do assunto e querem falar sem o conhecimento prévio. Isso também não ajuda e só cria mais estados mentais em que a pessoa vive, pois, “se é tão fácil seguir com aquelas ‘dicas’, então eu não tenho solução???”

“Não fique nessa cama.” “Saia desse quarto.” “Faça uma forcinha.” “Eu sei disso tudo e sei aquilo que deve ser feito, mas não consigo.” Depressão é perder o prazer.

No mundo em que vivemos, nunca as doenças mentais foram tão subtratadas ou banalizadas de uma forma assustadora. Nós que fazemos parte da área de saúde e sabemos como as emoções funcionam ficamos estarrecidos de como alguns temas emocionais são abordados.

Depressão não é preguiça, coisa da cabeça, falta de Deus, diabo no corpo, cansaço, falta de alegria ou tristeza passageira. Depressão é uma doença.

E a batalha não tem nada de fácil. Não podemos banalizar as nossas emoções, pois a evolução pode te levar ao fundo do poço. E muitas vezes é nessa hora que as pessoas procuram ajuda. Ou não. Depressão mata.

Depois de um episódio de muita ansiedade e estresse, pode-se evoluir para uma depressão. O kindling, que é um fenômeno que tenho estudado, funciona mais ou menos assim: imagine que você tenha um episódio de muito estresse na sua vida. Como uma montanha-russa, o primeiro episódio ocasiona uma queda brusca. Nesse fenômeno, outros quadros posteriores podem ser desencadeados por descidas muito pequenas que agravam o quadro após aquele evento estressante. A pessoa fica irritada, vulnerável e suscetível a pequenas coisas do dia a dia.

Depressão é luta.

Se não tratarmos, ficaremos como fios desencapados, expostos a situações que irão nos abalar cada vez mais. A rede neuronal pode enfraquecer, causando danos cerebrais. Caso ocorra o tratamento, já está comprovado que a rede neuronal fica protegida com algumas medicações. É por isso que, muitas vezes, a depressão aparece depois de um quadro ansioso muito forte.

Na subvalorização, encontramos também a supervalorização ao misturarmos os conceitos de cansaço, tristeza e depressão. Solomon, com sua genialidade no livro “O Demônio do meio-dia”, fala que o contrário da depressão não é a alegria ou a felicidade, e sim a vitalidade. A tristeza tem sempre um motivo, uma perda, não passar em uma prova, uma frustração. A depressão pode ter uma evolução lenta, gradativa, e quando ela aparece, ceifa toda forma de prazer em prosseguir. E quando atinge esse nível, é muito fácil de ser detectada. Só que ela já invadiu.

Como ajudar alguém com depressão?

  1. A pessoa que tem depressão tem muito medo de ser julgada como louca ou de ser um peso. Acolha-a e não julgue. Ouça e fale olhando nos olhos. Isso é fundamental, e existem pesquisas que comprovam que olhar nos olhos faz bem.
  2. Acolha: acolher é entender que cada um tem o seu tempo. E não se coloque como o centro da situação. Se você reagiu assim perante essa situação e aquela pessoa não, não compare. A depressão tem diferentes formas de se manifestar nas diferentes pessoas.
  3. Estimule que a pessoa procure ajuda com profissionais habilitados. Medicação e psicoterapia são excelentes aliados. Como ela pode estar fraca e sem atitude, você pode acompanhá-la inicialmente no tratamento. Depois dê independência.
  4. Relacionamentos sociais são muito importantes, visto que a pessoa deprimida tende a se isolar. O isolamento desde as cavernas mata. O homem que ficava acuado pelas feras nas cavernas foi exterminado, já aquele que caçava e se socializava foi se perpetuando.
  5. Álcool e drogas atrapalham e muito a recuperação.
  6. Não ignore falas suicidas. Ao contrário do que dizem, a maioria das pessoas que cometeram suicídio deram algum tipo de indício.
  7. 7.Escute a pessoa e responda de acordo com aquilo que ela fala. Não minimize aquilo que ela sente. Escute. Escutar é diferente de ouvir.
  8. Muitas frases pioram o estado das pessoas depressivas, como “saia disso” (ela sabe que tem que sair, só não tem vontade), “tem muita gente pior”, “você tem tudo”, “todo mundo tem problema”, “vamos sair e beber”, ‘você é muito sensível” ou “se esforce mais”. Elas são desserviços para quadros depressivos.
  9. O foco são pequenos passos, pois a pessoa irá melhorar gradativamente. O tempo dela não é o seu tempo. Tenha paciência.
  10. Procure a pessoa. Quem tem depressão tende a se isolar, e o apoio da família e dos amigos é muito importante nessa hora. É inesquecível para quem está em tratamento e recuperação.

Existe um vazio que só pode ser preenchido pela própria pessoa com depressão. Se você está deprimido, o mundo pode fazer você se questionar se este é o lugar ideal para você. Alguns dizem que é doença da cabeça, outros do coração por causa aperto no peito. Eu diria que é também da alma.

Quer saber mais sobre depressão?

Iremos falar dos sintomas, sinais, como tratar o quadro, como o cérebro depressivo funciona, como ajudar alguém depressivo, como se ajudar, suicídio, dentre outras questões importantíssimas.

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Juliana Gebrim

Psicóloga clínica e neuropsicóloga conhecida e reconhecida por seu trabalho e palestras em todo o Brasil. Inúmeras especializações. Psicóloga clínica (UNB – Universidade de Brasília). Mestrado (UNB). Trabalho de 2 anos com o gênio Luiz Pasquali (LABPAM-UNB). Neuropsicóloga (IPAF-Instituto de Psicologia Aplicada e Formação de Portugal). Terapeuta com certificado internacional pelo Institute EMDRIA e EMDR Ibero-Americano-Francine Shapiro-(EUA). Terapeuta especialista em Brainspotting com David Grand(CA-EUA). Psicóloga perita(UNB-CEFTRU). Psicóloga especialista em Play of Life com CarlosRaimundo (Austrália). Terapeuta especialista em Barras de Access Conciousness com Jeffrey L. Fannin. Especialista em Thetahealing com Leonardo Codignoli(Brasília). Especialista em PMK(Psicodiagnóstico Miocinético). Experiência de 20 anos em psicoterapia,sendo 10 anos atuando em ambulatório e hospital-dia psiquiátrico(CAAP-VIDA). PRIMEIRA e ÚNICA psicóloga no BRASIL a fazer uma teoria usada em clínica , e patenteada em 5 esferas, sobre EQUILÍBRIO EMOCIONAL PARA CONCURSOS PÚBLICOS. Trabalho com dezenas de resultados e amplamente divulgado em todo o Brasil, pelos pacientes. Palestrante, professora de EQUILÍBRIO EMOCIONAL PARA CONCURSOS PÚBLICOS,em vários cursinhos preparatórios. Palestra já vista por mais de 20 mil pessoas. Programa na plataforma do Gran Cursos Online: Divã do Concurseiro.

Juliana Gebrim

Psicóloga clínica e neuropsicóloga com mais de 20 anos de experiência em psicoterapia
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