Série Quebrando a Banca – FCC: Língua Portuguesa

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17/10/2016 | 15:40 Atualizado há 1788 dias

quebrando-a-banca-fcc-1Em continuação à nossa saga “Quebrando a Banca FCC”, que começou semana passada com a disciplina Direito Constitucional (confira AQUI), falaremos hoje de Língua Portuguesa. Para o artigo desta semana, contamos com a valiosa e competente colaboração do nosso mestre Elias Santana, que analisou profundamente o estilo da Fundação Carlos Chagas em relação aos conteúdos de gramática, de texto e de redação.

Não custa repetir a lista de concursos que serviram de amostra para a nossa análise: TJ/AP 2014 – Técnico Judiciário; TRE/AP 2015 – Técnico Judiciário; TJ/AP 2015 – Analista; TRE/AP 2015 – Analista; TRE/PB 2015 – Analista; TRE/PB 2015 – Técnico Judiciário; TRE/SP 2012 – Analista; TRE/SP 2012 – Técnico Judiciário; TRT1 2013 – Analista; TRT1 2013 – Técnico Judiciário; TRT4 2015 – Técnico Judiciário; TRT4 2015 – Analista; TRT9 2015 – Analista; e TRT9 2015 – Técnico Judiciário. Foram 14 provas, num total de 196 questões de 5 alternativas cada, o que soma 980 afirmativas destrinchadas pelo professor Elias.

Como você vê, o trabalho de interpretação e análise foi grande, e os dados que colhemos em nossa amostra também se mostraram bastante relevantes. Identificamos, por exemplo, que, das 196 questões, 71 (36%) eram sobre texto, distribuídas entre análise de textos propriamente dita (69 afirmativas) e coesão textual (2 itens). Outras 111 afirmativas, ou 57%, tratavam das regras de nossa gramática; 13, ou 6%, exploravam técnicas de reescritura (texto e gramática) e apenas 1 falava de redação oficial.

natureza-lingua-portuguesa

Quando dividimos em tópicos as 111 questões que tratavam especificamente de gramática, pudemos desenhar o seguinte quadro:

tabela-fcc-1

Mas o que identificamos de peculiar nas provas de Língua Portuguesa da FCC? Podemos afirmar que são comuns blocos de afirmativas isolados, em questões que podem ser resolvidas de forma independente e sem consulta ao texto-base. Outra característica típica dessa banca é que ela recorre muito frequentemente a enunciados repetidos: o estilo de cobrança das questões é idêntico; o que muda são apenas as frases que o candidato precisa analisar.

Há mais. Eis outras informações pertinentes que nosso mestre Elias Santana coletou na amostra e que podem fazer a diferença na preparação dos inscritos em concursos da FCC:

– Em qual(is) gramático(s) a banca mais costuma se basear? Em Celso Cunha, Evanildo Bechara (nos trechos da obra dele ligados à Nomenclatura Gramatical Brasileira) e Celso Pedro Luft (dicionários de regência verbal e nominal).

– De onde costumam ser extraídos os textos para interpretação e intelecção? A FCC prioriza periódicos (sobretudo reportagens) e artigos científicos. Também é possível encontrar, em suas provas, textos literários modernos.

– Qual é o grau de dificuldade das provas? Em geral, grau médio. Todavia, algumas questões podem ser consideradas difíceis.

– Quais são as principais diferenças observadas no comparativo entre a FCC e o Cespe/UnB? O Cespe se prende mais à análise linguística atrelada ao texto. Contudo, ambas as bancas prezam pela descrição gramatical em vez de pela prescrição de conceitos.

O professor Elias Santana concluiu que as duas bancas se comportam de forma bem diferente em relação, por exemplo, ao tema concordância verbal, muito cobrado em provas de concursos. A FCC costuma cobrar regras gramaticais, em questões que podem ser resolvidas sem o retorno ao texto apresentado na prova. Já o Cespe exige do candidato o retorno praticamente contínuo ao texto-base, para identificação da resposta correta. A FCC também explora mais do que o Cespe particularidades gramaticais: enquanto este dá preferência às regras gerais de concordância verbal, aquela explora casos mais específicos, como concordância facultativa com núcleos partitivos. Todavia, também é bom ressaltar o que as bancas têm de semelhante: por exemplo, nenhuma delas prioriza nos textos das questões o emprego de nomenclatura técnica. Tanto uma como outra preferem, portanto, a descrição dos eventos linguísticos em vez da prescrição de termos cunhados pela tradição gramatical.

É isso, amigo concurseiro de plantão. Na próxima semana, continuaremos a quebrar a FCC, tratando da disciplina de Informática. Esse artigo promete muitas dicas úteis aos membros da nossa família Gran Cursos Online.

Bons estudos e GRAN sucesso,

Gabriel Granjeiro

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Gabriel Granjeiro
Gabriel

Diretor-Presidente e Fundador do Gran Cursos Online. Vive e respira concursos há quase 10 anos. Formado em Administração e Marketing pela New York University, Leonardo N. Stern School of Business. Fascinado pelo empreendedorismo e pelo ensino a distância.

 

 

Elias Santana

Licenciado em Letras – Língua Portuguesa e Respectiva Literatura – pela Universidade de Brasília. Possui mestrado pela mesma instituição, na área de concentração “Gramática – Teoria e Análise”, com enfoque em ensino de gramática. Foi servidor da Secretaria de Educação do DF, além de professor em vários colégios e cursos preparatórios. Ministra aulas de gramática, redação discursiva e interpretação de textos. Ademais, é escritor, com uma obra literária já publicada. Por esta razão, recebeu Moção de Louvor da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

 

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