Elias Santana

Aprenda português com Zezé di Camargo e Luciano (I)

Preciso revelar um fato a meu respeito: desde criança, sou muito fã de Zezé di Camargo e Luciano (quem me conhece sabe). Em várias aulas minhas, uso exemplos retirados de canções da dupla. Como essa metodologia sempre foi bem recebida pelos que me acompanham, resolvi estender isso aos meus artigos. Mensalmente, falaremos sobre língua portuguesa por meio dos versos desses notáveis artistas!

Para começar, um clássico:

É o amor que mexe com a minha cabeça e me deixa assim.”

Quero falar sobre as estruturas destacadas acima. Vamos fazer uma experiência – retirá-las do trecho:

“O amor mexe com a minha cabeça e me deixa assim”.

Note que, do ponto de vista gramatical, a sentença permanece correta e compreensível. Portanto, é possível perceber que o par “é…que” foi usado para realçar, dar ênfase ao trecho. Tal construção tem um nome: partícula expletiva.

A partícula expletiva (ou partícula de realce) serve para colocar em evidência alguma informação do texto – no trecho da música, o foco está em “o amor”. A inserção ou retirada desse recurso enfático não altera a correção gramatical ou o sentido original.

Veja mais um exemplo:

O Neymar é que sofre muitas faltas.

Vale a pena perceber que a oração acima poderia ser reescrita sem o “é que” (“O Neymar sofre muitas faltas”). Estamos, novamente, diante de uma partícula expletiva.

Zezé di Camargo e Luciano fizeram uso desse recurso em mais de uma oportunidade! Na canção Indiferença, o trecho “é a sua indiferença que me mata” também apresenta a partícula de realce! Logo, em momentos distintos da carreira, a dupla colocou em evidência sentimentos diferentes! Em outra belíssima canção, mais uma partícula expletiva: “no inferno é que se vê o paraíso” (Diz pro meu olhar).

Aposto que, de agora em diante, será fácil se lembrar dessa função do “que”! Difícil vai ser tirar essa música da cabeça nas próximas horas!

 


Elias Santana

Licenciado em Letras – Língua Portuguesa e Respectiva Literatura – pela Universidade de Brasília. Possui mestrado pela mesma instituição, na área de concentração “Gramática – Teoria e Análise”, com enfoque em ensino de gramática. Foi servidor da Secretaria de Educação do DF, além de professor em vários colégios e cursos preparatórios. Ministra aulas de gramática, redação discursiva e interpretação de textos. Ademais, é escritor, com uma obra literária já publicada. Por essa razão, recebeu Moção de Louvor da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 


 

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1 comentário

1 Comentário

  1. Carlos Pereira

    15/12/2018 15:53 em 15:53

    Segundo melhor opinião (eu não sou gramático, mas uso a língua portuguesa há perto de 70 anos) falta explicar QUANDO se utiliza a dita partícula de realce.

    Embora se perceba naturalmente que a dita serve para realçar, o realce nasce de uma necessidade de clarificação de uma frase ou de uma ideia anterior (explícita ou implícita), e não deve ser aplicada isoladamente.

    Talvez o que digo acima não seja verdade, eu É QUE penso que sim.

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