Cultive a atitude da gratidão

Gabriel Granjeiro


31/07/2017 | 16:42 Atualizado há 285 dias

“A gratidão é a virtude das almas nobres.” Esopo

Há alguns dias, postei nas minhas redes sociais uma mensagem sobre gratidão que me rendeu recorde de curtidas e de comentários. Ela falava da importância de reconhecermos motivos para agradecer, ainda que estejamos passando por momentos de dificuldades, e aconselhava meu leitor a demonstrar gratidão, renovar suas energias e planejar sua rotina para enfrentar e vencer todos os entraves da semana que começava.

Poucos dias depois da publicação do texto, recebi da aluna Maria de Lourdes Oliveira Cruz, de Teresina/PI, um pedido para que eu escrevesse sobre a influência da gratidão na vida de quem estuda para concursos. Gostei muito do tema e vi a sugestão como bastante oportuna. É hora, portanto, de atender ao pedido.

O que é gratidão?

A palavra “gratidão” é um substantivo feminino. Traduz a qualidade de ser grato, a vontade de retribuir um momento maravilhoso. Trata-se de reconhecer quando uma pessoa praticou uma boa ação ou nos fez algum favor, nos prestou algum tipo de auxílio ou nos beneficiou de alguma forma. É querer agradecer a alguém por ter feito algo bom ou a Ele por nos ter permitido alcançar uma graça. Gratidão se complementa com outros sentimentos, como amor, lealdade, nobreza. Para mim, ser grato é uma das maiores virtudes que o ser humano pode cultivar.

O que a ciência tem a dizer sobre a gratidão?

Pesquisadores da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, chegaram à conclusão de que ser grato pelas pequenas coisas da vida tem potencial para efetuar grandes transformações em um indivíduo – inclusive em seu cérebro. Eles constataram que, depois de poucos meses manifestando por escrito a gratidão, uma pessoa condiciona o cérebro a replicar essa atitude, o que lhe traz enormes benefícios.

Participaram da experiência 43 voluntários que passavam por terapia para tratar depressão e problemas relacionados à ansiedade. No experimento, todos eles foram recrutados para uma terapia em grupo, porém apenas 22 foram chamados para o que se chamou de “sessão semanal de gratidão”. Nos 3 primeiros encontros, os 22 participantes passaram 20 minutos escrevendo cartas em que exprimiam sua gratidão ao destinatário. O outro grupo não participou desse exercício.

O resultado foi bastante claro: nos sujeitos que haviam se dedicado a redigir as cartas três meses antes da avaliação, identificou-se mais atividade cerebral nas áreas relacionadas ao sentimento de gratidão. Vale ressaltar que essas áreas responderam especificamente ao sentimento gratidão: ações como se colocar no lugar do outro, demonstrando empatia, não tiveram o mesmo efeito sobre o cérebro. A gratidão demonstrou ser, portanto, um sentimento ímpar.

O mais empolgante é que o efeito de exercitar a gratidão se mostrou realmente duradouro. Não interessava se haviam se passado duas semanas ou três meses desde a experiência de redigir as cartas; era como se a massa cinzenta se lembrasse do comportamento carinhoso e passasse a fazer o indivíduo a agir mais dessa forma. A comparação entre o treinamento do cérebro e o exercício físico que condiciona um músculo foi inevitável: aparentemente, quanto mais se pratica a gratidão, mais propenso se está a senti-la – espontaneamente – no futuro. Isso ajuda a diminuir a depressão e a passar mais tempo com aquele calorzinho bom de se sentir feliz com a ajuda de alguém.

As pesquisadoras Sara Algoe, Laura Kurtz e Nicole Hilaire, da University of North Carolina, foram além e distinguiram duas formas de expressar a gratidão. Na primeira delas, um indivíduo elogia o outro, reconhecendo e validando as ações de quem ajuda. Na outra, descreve para o interlocutor os benefícios que ele – quem foi ajudado – colheu graças à ação do outro.

Para chegar a essa conclusão, as cientistas observaram casais no momento em que expressavam gratidão por algo que o parceiro fizera recentemente. As formas de exprimir o sentimento foram, então, classificadas pelo grau em que representavam um elogio ao outro ou eram focadas no benefício próprio. Para ficar mais claro, vamos a alguns exemplos dos dois tipos de expressão:

Elogio ao outro

  • “Isso mostra como você é responsável…”;
  • “Você realmente se esforçou para ajudar…”;
  • “Eu acho que você é realmente bom em…”.

Benefício próprio

  • “Isso permitiu que eu relaxasse…”;
  • “Isso me deu a possibilidade de barganhar no trabalho…”;
  • “Isso me faz feliz…”.

Além de perceber os dois padrões de manifestação do sentimento, a ciência descobriu que a gratidão na forma de elogio ao outro desencadeia neste mais emoções positivas. Ele tende a se sentir mais reconhecido e a notar mais carinho da parte de quem lhe é grato. Por outro lado, a gratidão manifestada com foco no benefício próprio produz menos sentimentos desse tipo.

Você que me lê há de concordar comigo que vale a pena parar e pensar um pouco sobre isso, porque a maioria das pessoas entende a gratidão de forma completamente errada. Por natureza, os seres humanos são um tanto egocêntricos. Temos tendência de falar de nós mesmos até quando deveríamos estar pensando nos outros ou falando sobre eles. Por isso, é natural, quando recebemos ajuda e apoio de alguém, manifestarmos como isso nos fez sentir bem. O foco costuma ser no “eu” em vez de no “outro”. Na realidade, partimos do pressuposto de que a pessoa que nos ajudou gostaria de ouvir expressamente de nós como a conduta dela foi importante para nós. Afinal, ela estava nos ajudando com a intenção de nos fazer felizes, logo deve querer ouvir sobre o quanto ficamos, de fato, contentes.

Todavia, tal suposição não é lá muito correta. Sim, a pessoa que nos ajuda quer que sejamos felizes, mas a motivação real dela, muitas vezes, está diretamente ligada à sua autoestima. Na prática, ajudamos os outros porque queremos ser boas pessoas e viver em consonância com os nossos objetivos e valores, mas também – temos de admitir – para sermos admirados.

Lembre-se disso da próxima vez que você receber o apoio de um amigo, de um membro da família, de um colega de trabalho ou de estudos. A pessoa que ajuda quer ver a si mesma de forma positiva e se sentir compreendida e cuidada – o que, convenhamos, é difícil quando você não para de falar sobre si mesmo.

Diante disso, fica a dúvida: como ativar o poder da gratidão?

Esse sentimento passa por três estágios, cada um mais eficaz do que o anterior. São eles:

  1. Sentir-se grato pelas coisas boas da vida;
  2. Expressar gratidão às pessoas que contribuíram para melhorar a sua vida;
  3. Adotar um comportamento novo como resultado da interação com aqueles que o ajudaram.

Todos nós já vivenciamos a primeira fase. Afinal, cada um de nós tem algo para o qual somos gratos. Quem nunca agradeceu por ter se livrado de uma ameaça, como o diagnóstico de uma doença séria que não passou de alarme falso, por exemplo? Para transformar esse sentimento em algo maior, é preciso torná-lo recorrente. Sugiro manter um pequeno diário (pode ser só mental) que contenha apenas manifestações de gratidão. Isso basta para desencadear os benefícios que o sentimento oferece para a saúde e representa um bom começo para qualquer um.

O segundo estágio é mais desafiador. É difícil se expressar para outra pessoa, sobretudo porque muitos pensam que se abrir e manifestar apreço por alguém pode resultar em maior vulnerabilidade. De fato, é mais fácil se fechar dentro da própria concha. Entretanto, quando se expressa gratidão a outra pessoa, firma-se com ela um vínculo emocional, e a presença de vínculos emocionais é uma das principais características das pessoas verdadeiramente felizes. Alguns dos primeiros estudos sobre a relação corpo-mente mostraram como a solidão e o isolamento – o oposto da conexão com outros – conduziram a uma piora na saúde e a um risco maior de mortalidade. Se for o seu caso, é hora de reverter o foco e enfatizar o lado positivo da equação, colocando conexões emocionais no topo da sua lista de cuidados pessoais.

O terceiro e último estágio é o mais poderoso, porque tem o potencial de efetivamente mudar o futuro das pessoas, e para melhor. Quando a gratidão leva alguém a nutrir mais compaixão, a ser menos crítica em relação aos outros e a valorizar mais a própria vida, está sendo preparado o palco para anos de reforço positivo.

Ao adotar a gratidão como padrão, por assim dizer, essa pessoa sinaliza para o cérebro que, ao longo da vida, o retorno positivo superará o negativo. E agir assim de forma consistente e reiterada leva a transformações no cérebro que resultam em inúmeros benefícios no longo prazo. Está claro que o caminho da gratidão é um dos mais naturais para se alcançar a inteireza. O corpo, a mente e o espírito são afetados em todos os níveis, tudo praticamente sem esforço algum.

Não custa lembrar que as escrituras sagradas vêm ao encontro do que estou dizendo e pregam o poder da gratidão. O apóstolo Paulo escreveu: “Mostrem-se gratos”. Jesus ensinou: “Deus não é injusto para se esquecer da sua obra e do amor que vocês mostraram ao nome dele”. Nosso Salvador disse ainda: “Pratiquem o dar, e lhes será dado”. Para Deus, a falta de gratidão é uma forma de injustiça. Ele aconselha: “Estejam sempre alegres. Deem graças por todas as coisas e em todas as circunstâncias”. Extraímos da Bíblia, ainda, este outro poderoso conselho: “Tudo que é verdadeiro, tudo que é amável, tudo de que se fala bem, tudo que é virtuoso e tudo que é digno de louvor, continuem a pensar nessas coisas”.

É isto: a gratidão nos faz felizes. Ela cura ressentimentos e faz surgir o perdão. A ingratidão, por outro lado, define grande parte da natureza dos infelizes. Nesse sentido, a gratidão é a maior medida do caráter de uma pessoa. Expresse – sem pudor e sem limites – a gratidão com palavras e, acima de tudo, com atitudes, e você verá como sua vida melhorará.

Se a gratidão é de extrema importância para qualquer ser humano, é mais ainda, em particular, para o concurseiro, que passa por inúmeros momentos de angústia e de dificuldade até alcançar a aprovação dos sonhos. Para ele, pode ser especialmente difícil encontrar razões para se sentir grato, já que o reforço é quase sempre negativo, na forma de sucessivas reprovações.

Sei que a realidade de concurseiro é dura, mas lembre-se: embora não pareça, você pode ter muito a pedir, mas tem ainda mais para agradecer. Agradeça pelo fato de você poder estudar, mesmo que não seja da forma ideal. Agradeça por você ter o que comer, em um mundo onde bilhões de pessoas passam fome todos os dias. Agradeça por ter onde morar, mesmo que a sua não seja a casa dos sonhos. Agradeça por ter algum meio de transporte, público ou privado, mesmo que ele não seja tão confortável como você gostaria. Saiba agradecer o que você tem hoje para fazer jus ao que pretende conquistar amanhã, como a nomeação para o cargo desejado. Esforce-se para sempre nutrir o sentimento de gratidão como forma de desenvolver uma atitude mais otimista na vida.

Dito isso, aproveito a oportunidade para externar minha mais profunda gratidão pela dica do tema da nossa mensagem de hoje. Também agradeço pela companhia; pelas palavras de incentivo ao nosso empreendedorismo; pelos mais de 2 mil comentários que já recebi em aproximadamente 70 artigos que escrevi nos últimos 18 meses; pela confiança dos alunos que contribuíram para o crescimento exponencial do Gran Cursos Online nos últimos 2 anos; pelo esforço e pela dedicação diária dos nossos colaboradores, dos nossos professores e do meu sócio Rodrigo; pela minha família, que me apoia em qualquer circunstância. Acima de tudo, sou grato a Deus, que me guia e ajuda todos os dias.

GRAN sucesso a todos!

“Não há no mundo exagero mais belo que a gratidão.” Jean de la Bruyere

Gabriel Granjeiro

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Gabriel Granjeiro


Diretor-Presidente e Fundador do Gran Cursos Online. Vive e respira concursos há quase 10 anos. Formado em Administração e Marketing pela New York University, Leonardo N. Stern School of Business. Fascinado pelo empreendedorismo e pelo ensino a distância.

 

 

 


Gabriel Granjeiro

Presidente e sócio-fundador do Gran Cursos Online
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