Palavras para desatar nós

Gabriel Granjeiro


14/10/2019 | 11:55 Atualizado há 711 dias

“Só os que se arriscam a ir longe demais são capazes de descobrir o quão longe se pode ir.” – T.S. Eliot (1888-1965), poeta e professor norte-americano 

O psicanalista é alguém que, usando de seus conhecimentos e muita conversa, auxilia as pessoas no processo de autoconhecimento e transformação. Não sou psicanalista, vocês bem sabem disso, mas me considero um estudioso contumaz de tudo que há sobre o poder mágico das palavras. Não tenho a menor dúvida: frases e textos têm o poder de construir ou destruir. Se forem usados para o bem, ajudam a desatar nós, ou seja, na solução de problemas, conferindo autoridade e autoconfiança para a tomada de decisões.

As palavras operam milagres. Em geral, quem procura a ajuda delas nos livros, nos Evangelhos, nos consultórios médicos busca o mesmo: felicidade. Sabendo disso, procuro dar minha contribuição. Meus artigos, mensagens e posts são todos voltados a oferecer um pouco de alimento à alma dos leitores. Só o que quero é espalhar um pouco de alegria entre eles. Entendo que, quando estamos alegres, experimentamos exatamente aquilo para que fomos criados. 

Não é por outra razão que acredito ser nosso dever vigiar as palavras que escolhemos lançar ao vento. Afinal, como nos ensina o escritor francês Victor Hugo, “as palavras têm a leveza do vento e a força da tempestade”. Faço questão de propagar as minhas com paixão, refletindo bastante antes de escrevê-las ou pronunciá-las. Meu propósito com elas é a busca da verdade, o que só é possível, na minha visão, com sinceridade e senso de missão e de propósito. Procuro observar o conselho de Sêneca: “O que você vai dizer, antes de dizer a outra pessoa, diga a você mesmo”. Tudo para evitar palavras equivocadas. 

“Já reparou como nossa imaginação perturbada prevê para o futuro coisas assombrosas?”

Já reparou como nossa imaginação perturbada prevê para o futuro coisas assombrosas? Já notou como sofremos por antecipação só de imaginar esses acontecimentos? Eu, por exemplo, receio que tentem alguma injustiça contra mim, mas veja bem: é um receio, não exatamente medo. Vivo minha vida com a certeza de que a melhor escolha é vivenciar a dor apenas no momento em que ela ocorrer, e não agora, quando ela ainda não existe. Jesus, uma das personalidades que mais ajudaram a desatar nós de que se tem notícia, dizia que sabedoria é viver apenas o dia presente: “Qual de vós, com sua ansiedade, será capaz de alterar o curso da vida?” Ensinava, ainda: “Os olhos são a lâmpada do corpo. Quando a lâmpada espalha luz, o mundo fica colorido. Quando a lâmpada espalha escuridão, o mundo fica tenebroso”.  

Menciono tudo isso, amigo leitor, para lembrá-lo de que a tristeza que certamente o acomete em alguns momentos, em frente aos PDFs ou à tela do computador, não tem origem na solidão. Vem, na verdade, das fantasias que tomam conta da mente de qualquer um que esteja passando por uma fase de renúncia em prol de um futuro melhor. O desânimo vem chegando, saído de imagens diversas: pessoas se divertindo, adultos e crianças viajando, grupos de amigos sorridentes bebendo juntos… Eis que a melancolia penetra fundo a alma, parecendo ter vindo para ficar. 

Quando isso acontecer, faça um esforço por si mesmo e lembre-se de que as coisas são conforme o nome que lhes damos: se chamamos a solidão de inimiga, ela será nossa inimiga. Pode, no entanto, se tornar uma forte aliada; basta pronunciá-la como tal. Jean Paul Sartre, maior representante do existencialismo, costumava dizer que “não importa o que tenham feito com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você”. Prestou bastante atenção? Não? Releia. Entendeu agora como podemos encarar a solidão como maldade da vida ou como o lugar certo para plantarmos nosso jardim? 

Estou lendo mais um livro do escritor mineiro Rubem Alves, autor de dezenas de obras que ensinam lições preciosas. Uma delas, aliás, empresta o título a este artigo, mas a outra, que hoje quero compartilhar com você, leva o título “Ostra feliz não faz pérolas”. Há nela uma passagem incrível. Veja por si mesmo:

Toda pérola esconde uma dor no fundo da sua beleza. Ostra feliz não faz pérola. Ostra que faz uma pérola é ostra que sofre. Porque a pérola, lisa esfera sem arestas, a ostra a produz para deixar de sofrer, para se livrar da dor das arestas de um grão de areia que se aninhou dentro dela. Isso é verdade para as ostras. Isso é verdade para os seres humanos… São os que sofrem que produzem a beleza, para parar de sofrer. 

Van Gogh, Beethoven, Fernando Pessoa, Steve Jobs… Em comum, todos eles converteram em genialidade momentos de dificuldade e dor. Fizeram tal como orienta a sabedoria popular: pegaram o limão que a vida lhes deu e dele fizeram uma deliciosa limonada.

Como você sabe, a missão do Gran Cursos Online é garantir uma carreira de sucesso aos concurseiros que nos procuram. Mas é, antes disso, educar. E a primeira tarefa do educador é, como dizia Nietzsche, ensinar a ver. O dever dos nossos professores – homenageados, no Brasil, todo 15 de outubro – é, portanto, ensinar a ver, para que, mais tarde, nossos discentes finalmente possam transformar a si mesmos e ao mundo. 

Quem sabe ver está sempre viajando, mesmo sem sair do quartel-general dos estudos. Quem ensina a ver com outros olhos desperta o gosto pelo conhecimento, muda vidas. Logo, merece todo o nosso respeito, toda a nossa gratidão. Aproveitando que o dia 15 está próximo, quero deixar, aqui, desde logo, meu muito-obrigado aos mestres pela dedicação, lealdade e comprometimento com a nossa missão de oferecer educação transformadora e de qualidade, formando profissionais qualificados e dedicados a bem servir a sociedade.

Concluo citando mais algumas palavras desatadoras de nós, desta vez proferidas por Guimarães Rosa: “O real não está nem na saída nem na chegada. Ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”. É isto, concurseiro: sua realização não reside no passado de boas – e não tão boas – recordações, tampouco no futuro cargo público no qual você tomará posse; ela acontece mesmo é no dia a dia. A felicidade, nos dizeres do mestre Rubem Alves, “é fruto na beira do abismo. É preciso colhê-lo e degustá-lo agora. Amanhã, ou ele já caiu, ou você já caiu…” 

Acredite: estamos, juntos, nos aproximando cada vez mais da realização dos nossos sonhos, desatando nós e comendo dos frutos coletados à beira do abismo.

Se esta mensagem de alguma forma ajudou a desatar alguns nós em sua vida, amigo, registre nos comentários “Eu vou longe!” e siga em frente.

Bons estudos e GRAN sucesso,

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Gabriel Granjeiro – Diretor-Presidente e Fundador do Gran Cursos Online. Vive e respira concursos há mais de 10 anos. Formado em Administração e Marketing pela New York University, Leonardo N. Stern School of Business. Fascinado pelo empreendedorismo e pelo ensino a distância.

 

Gabriel Granjeiro

Presidente e sócio-fundador do Gran Cursos Online
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