Gabriel Granjeiro

Vou EXPLODIR. O que faço?

Cerca de duas semanas atrás, alguém muito querido me perguntou o que podemos fazer quando estamos prestes a atingir o limite, na iminência de explodir mesmo. Perguntou, ainda, se eu já havia passado por alguma situação como essa e, se sim, como a contornei. Refletindo um pouco sobre isso, decidi escrever este artigo, pois o questionamento reflete uma situação bem comum em nosso caótico mundo, sobretudo quando falamos em concurso público.

Já dizia Sigmund Freud (1856-1939), pai da psicanálise, que somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro. Ah, como essa reflexão é verdadeira… A vida sabe nos proporcionar incríveis momentos de felicidade e, ao mesmo tempo, nos dificultar tremendamente a jornada. Sabe ser bela e, no mesmo passo, extremamente difícil, estressante e até cruel.

É nessas fases mais dificultosas, quando estamos verdadeiramente cansados e no limite das forças, que, se não mantivermos o equilíbrio emocional, corremos sério risco de perder o eixo. É no meio de uma crise de ansiedade que tendemos a dizer o que não devíamos e a agir como não queríamos, magoando pessoas importantes para nós e dando abertura ao mau humor, à falta de paciência, ao pessimismo. Afastamo-nos do convívio social, desenvolvemos dificuldades de relacionamento, irritamo-nos com tudo e todos; entramos, enfim, em colapso físico e mental. Esses são todos sintomas de uma situação-limite conhecida no meio profissional como burnout.

Esse tipo de distúrbio psíquico atinge profissionais em geral, mas, em especial, aqueles que gerenciam vários projetos simultaneamente e vivem atarefados e ansiosos, perdidos entre tantos prazos e metas. Naturalmente, sendo cobrados o tempo todo e correndo sempre contra o tempo, os concurseiros não poderiam ficar de fora do grupo de risco. No caso deles, aliás, à Síndrome de Burnout somam-se outras duas igualmente graves: a TPC – Tensão Pré-Concurso e a SPP – Síndrome Pós-Prova. Haja coração, haja controle emocional!

A impressão de estar em via de explodir tem relação direta com outros sintomas – psicológicos e físicos – da ansiedade. Segundo os especialistas nesse assunto, alguns desses sintomas são: boca seca, tensão muscular, dor de barriga, irritabilidade, dificuldades de concentração, sensação de que algo ruim está para acontecer, constante tensão ou nervosismo e ataques de pânico. Se não for controlada, a ansiedade se transforma em depressão em 24% dos casos. A explicação, segundo o estudo conhecido como Kendell, está nos pensamentos negativos do ansioso sobre si mesmo. Note a importância de assumir postura mais positiva – conciliada, é claro, com visão realista – no dia a dia.

Assim como temos de estar prontos para aceitar a morte quando ela chegar, o fato de a vida cobrar na exata medida do nosso destempero é, afinal, uma das certezas com que precisamos lidar desde logo, se quisermos viver em nossa plenitude humana.

Se uma pessoa perde o controle e sucumbe a um ataque de fúria ou de desespero, tem de estar preparada para as consequências. A realidade é cruel e não tem filtros: algumas vezes, a situação pode ser irremediável, e não importa a dor nem o sentimento de culpa do indivíduo responsável. Assim como temos de estar prontos para aceitar a morte quando ela chegar, o fato de a vida cobrar na exata medida do nosso destempero é, afinal, uma das certezas com que precisamos lidar desde logo, se quisermos viver em nossa plenitude humana. Todos nós aprenderemos isso na prática, cedo ou tarde. A propósito, volto a citar Freud: “Um dia, quando olhares para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles em que lutou”. Assim é a vida: uma contínua, doída e bela luta.

Quem é impulsivo, irritadiço e ansioso demais tende a sofrer acessos de frustação e raiva exacerbada, podendo desenvolver grande desequilíbrio emocional e mesmo alguma agressividade. Esses aspectos, somados, potencializam problemas de saúde como enxaqueca, gastrite, úlcera, estresse, dermatites e queda de cabelo, entre outros. Até a aparência física reflete o estado de quem está “prestes a explodir”: vêm as olheiras, a palidez, a imagem envelhecida…

Você não pode mudar os acontecimentos, mas tem total domínio sobre a forma como vai lê-los. Colocá-los em perspectiva é medida básica a ser adotada por todos nós.

Retomo a pergunta do meu amigo, inspiradora destas linhas, para fazer uma confissão: é claro que já vivi experiências extremas, e também já me senti a ponto de estourar. Todavia, a vida me ensinou algo precioso: momentos de desequilíbrio, resultem eles de uma grande frustração, do cansaço, da raiva ou de tudo isso junto, podem e devem ser controlados. Nada que uma análise mais apurada dos fatos, uma boa conversa com alguém mais experiente e, por fim, o entendimento da situação não resolvam… Vigília e controle são palavras de ordem, concurseiro. Lembre-se: há os fatos, e há a sua interpretação deles. Você não pode mudar os acontecimentos, mas tem total domínio sobre a forma como vai lê-los. Colocá-los em perspectiva é medida básica a ser adotada por todos nós.

Acredite em mim quando digo: com um pouco mais de paciência, e a despeito do cansaço dominador, somos todos capazes de criar soluções para qualquer problema. O ser humano é dotado de racionalidade e deve empregá-la para aliviar a tensão e deixar a vida seguir seu curso. Se há algo a ser evitado em momentos de estresse, é cuspir as primeiras palavras vindas à mente. Controle-se. Contenha-se. Distensione-se. Se for preciso, procure a ajuda de um bom terapeuta. Ele pode guiá-lo na solução de questões comportamentais e psicológicas e no manejo da sua tolerância e paciência. Por fim, tenha em mente que o sofrimento é solo onde afloram os espíritos mais fortes e as personalidades mais sólidas.

Com o intuito de ajudar os concurseiros mais ansiosos, reproduzo a seguir alguns conselhos do médico e psiquiatra Dr. Augusto Cury. Se é o seu caso, leia com atenção:

1. Incorpore exercícios em sua rotina;

2. Seja consciente sobre a quantidade de informações absorvidas por você, especialmente durante a preparação;

3. Use as novas tecnologias com parcimônia, lembrando sempre que elas podem ser uma bênção ou uma maldição, a depender da forma como você as emprega;

4. Entenda que os problemas são uma constante e foque em resolvê-los;

5. Adquira o hábito de documentar suas preocupações em uma folha de papel, comunicando, assim, ao cérebro que elas foram devidamente transferidas para um outro processo e não serão mais fonte de cansaço para a mente;

6. Leia diariamente; a leitura ajuda a diminuir o estresse;

7. Gerencie melhor os pensamentos negativos; saiba como AQUI;

8. Esteja pronto para perdoar, libertando-se das mágoas e dos rancores;

9. Faça orações ou medite; e

10. Mantenha seu senso de competição em nível saudável, trabalhando todos os dias para se tornar uma pessoa melhor, e não aquela determinada a vencer a qualquer custo.

Se nada disso funcionar e você sentir a explosão chegando, tome uma medida de urgência, fazendo algo que alivie prontamente o estresse. Saia para uma corrida ou descanse alguns minutos assistindo a um episódio de um programa engraçado ou escutando uma música tranquila. Nada de menosprezar seus sentimentos! Insistir em seguir em frente durante uma crise de ansiedade pode resultar no colapso que você vem tentando a todo custo evitar.

Lembre-se de seu propósito e reflita: o que está causando tanta dificuldade e angústia? Seja o que for, é mais importante que todas as pessoas dependentes de você e importantes em sua vida? É algo, assim, tão forte, que justifique você abrir mão de tudo e decepcionar todos a sua volta e, pior, a si mesmo?

Por fim, me responda com uma frase curta: qual é a sua principal motivação para seguir em frente? Pense agora sobre a sua resposta.

Ninguém pode impor uma motivação a ninguém; logo, o máximo que eu, Gabriel, posso fazer é tentar ajudá-lo a descobrir a sua. Ela está bem aí, em seu interior, e só precisa despertar. Não tenha a menor dúvida, amigo: essa motivação é maior do que qualquer problema. Ela é o seu principal motivo de ação. Lembre-se disso quando estiver muito desgastado e se sentindo no limite.

Sempre existirão mil motivos para você não seguir em frente, mas basta um para você persistir. E esse motivo você já sabe.

Se concorda com esta mensagem, escreva nos comentários: Minha motivação é maior!

PS: Siga-me (moderadamente, é claro) em minha página no Facebook e em meu perfil no Instagram. Lá, postarei pequenos textos de conteúdo motivacional. Serão dicas bem objetivas, mas, ainda assim, capazes de ajudá-lo em sua jornada rumo ao serviço público.

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Gabriel Granjeiro – Diretor-Presidente e Fundador do Gran Cursos Online. Vive e respira concursos há mais de 10 anos. Formado em Administração e Marketing pela New York University, Leonardo N. Stern School of Business. Fascinado pelo empreendedorismo e pelo ensino a distância.

 

 

Cheguei Lá

52 Comentários

52 Comentários

  1. Paula Souza

    12/07/2019 00:13 em 00:13

    Minha motivação é maio!

  2. Paulo

    12/07/2019 20:29 em 20:29

    Minha motivação é maior!

  3. Edivalgo Alves de Oliveira

    15/07/2019 15:04 em 15:04

    Boa tarde!

    Concordo plenamente com esse artigo ( Minha motivação é maior ).

    Tudo, depende do meu ponto de vista.

    Obrigado pelas belas palavras motivadoras…

  4. matheus andrade

    16/07/2019 11:28 em 11:28

    Minha motivação é maior.

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