Reconstruindo a mente

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23/05/2022 | 16:52 Atualizado há 35 dias

“Se você quer uma mudança permanente, pare de focar no tamanho de seus problemas e comece a focar no seu tamanho.” – T. Harv Eker, 67, empresário, escritor e palestrante canadense

Como você sabe, o cérebro está envolvido em tudo que fazemos e é o grande responsável pelas decisões que tomamos. Cada uma delas. Órgão da inteligência, da personalidade e do caráter, é ele que molda a forma como pensamos, agimos e nos relacionamos. Diante disso, quando esse órgão tão importante não funciona bem, estamos em maus lençóis. Cérebro saudável é sinônimo de felicidade e prosperidade, enquanto cérebro doente é a antessala da tristeza e do retrocesso. Em tudo. Se a mente sofre, o corpo padece. Daí a importância de cuidarmos dela e, se necessário, reconstruí-la ou ao menos reformá-la.

Muitos confundem mente e cérebro, equívoco justificável na medida em que ambos os termos denotam uma espécie de comando central do corpo. Mas a diferença é evidente: a mente é algo abstrato, intangível, ao passo que o cérebro é concreto, palpável. Na prática, os dois atuam juntos, com a mente abrigando os pensamentos que fazem o cérebro trabalhar. Numa analogia com um carro, a mente está para a fagulha da ignição enquanto o cérebro está para as engrenagens que manterão o veículo em funcionamento.

Importa saber que ambos, mente e cérebro, são moldáveis. “Como assim?”, você pode perguntar. O poeta inglês John Milton (1608-1674), em seu Paraíso Perdido, criou uma imagem interessante sobre isso:

Recebe o novo rei cujo intelecto

Mudar não podem tempos nem lugares;

Nesse intelecto seu, todo ele existe;

Nesse intelecto seu, ele até pode

Do Inferno Céu fazer, do Céu Inferno.

 

Numa interpretação livre desses versos, a mente é um lugar em si mesma, livre para transformar fogo em água, e vice-versa. Para ela, tudo é possível, desde que haja vontade de nossa parte. O cérebro, por sua vez, é capaz de direcionar o corpo no rumo ditado por nossos pensamentos. É por isso que nossas escolhas são tão importantes; elas orientam a mente, o cérebro e, por extensão, o corpo. Mas note que isso pode servir para o bem ou para o mal. Da mesma forma que nossos pensamentos estão aptos a nos mover degraus acima na escalada rumo à realização de projetos, podem nos afundar ainda mais num poço de frustração e descrença.

Tudo depende de a quais pensamentos damos vazão. Eles são como vozes que ouvimos na mente, e acredite: algumas estão interessadas em nos guiar na direção errada. São ladras de sonhos. Cabe a nós termos cuidado para não lhes dar ouvidos, ao menos não com ingenuidade. Quem baixa a guarda, por exemplo, para a desesperança, provavelmente ouviu algumas dessas vozes ladras e se deixou guiar por elas. Na contramão disso, quem nutre a mente com bons pensamentos assiste aos demônios associados ao medo desaparecer.

A natureza humana é curiosa… Somos propensos a nos esquivar de mudanças necessárias até a situação se tornar insustentável a ponto de não conseguirmos sequer continuar com nossas atividades normais. Esperamos a crise chegar para só então nos dispormos a refletir sobre o que estamos fazendo com nós mesmos. Infelizmente, a epifania capaz de nos tirar da inércia só costuma surgir quando se desenha o pior cenário. É então que passamos a implementar mudanças verdadeiras no corpo e na mente. Ciente disso, Steve Jobs, recém-diagnosticado com o câncer no pâncreas que acabou por ceifar sua vida, fez um discurso sincero e inesquecível aos formandos da Universidade de Stanford. Na oportunidade, aconselhou: “Não deixe as vozes das opiniões dos outros afogarem sua voz interior. E, mais importante, tenha a coragem de seguir seu coração e sua intuição. De alguma forma, eles já sabem o que você realmente quer se tornar”.

Entenda que a mente cria narrativas boas ou ruins a partir de pensamentos igualmente benéficos ou nocivos, e o cérebro reage na mesma linha. O resultado é uma vida moldada num ou noutro sentido. Quem percebe isso logo conclui que pode ditar os rumos da própria vida. Como disse o filósofo e psicólogo americano William James, “a maior descoberta de minha geração foi que um ser humano pode modificar sua vida apenas mudando suas atitudes mentais.” Mesmo a Bíblia corrobora essa percepção: “Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, nisso pensai” (Filipenses 4:8).

Sim, amigo leitor, a neurociência comprovou a capacidade humana de mudar a conformação do cérebro – e, por extensão, de comportamentos, atitudes e crenças – mediante modificações na forma de pensar. Num ensaio mental em que os sujeitos da análise eram orientados a imaginar repetidamente a execução de uma ação, ficou demonstrado que os circuitos cerebrais se reorganizam a fim de refletir nossos objetivos. Os pensamentos se tornam tão palpáveis que o cérebro muda a si mesmo para assumir que o evento já se tornou uma realidade física. Reprogramado o cérebro, ele ficará à frente de qualquer experiência real no mundo exterior. Nossos pensamentos são, assim, a semente das ações que nos conduzirão aonde queremos ir.

O que se sugere, portanto, é remodelar a mente de forma que ela encaminhe o cérebro e, por consequência, as ações na direção dos nossos projetos. Nesse processo, será preciso refrear pensamentos e hábitos nocivos. Muitos de nós simplesmente desistem. Outros poucos têm consciência de que a reconstrução acarretará algum desconforto no início, sem falar no medo decorrente de tantas incertezas. Importa, então, criar o campo de energia apropriado, estabelecendo-se a frequência correta – ou “assinatura eletromagnética” – para que as coisas que o seu Eu deseja passem a ser atraídas.

Em resumo, amigo, se você almeja novos e melhores resultados, não há alternativa: precisará quebrar hábitos ruins e reinventar um novo Eu. Segundo o neurocientista Joe Dispenza, que escreveu best-sellers como Cure-se a Si Próprio, “podemos moldar, transformar nosso cérebro prestando atenção. Se conseguirmos nos apegar a uma ideia, começamos a conectar e moldar o nosso cérebro”. Na mesma linha, James Clear, autor de outro best-seller, Hábitos Atômicos, fala em quatro Leis que, se observadas, ajudam na criação de hábitos melhores e na reprogramação da mente. Em resumo, segundo ele, se você quer desenvolver um novo comportamento, deve primeiro torná-lo claro, depois torná-lo atraente, em seguida torná-lo fácil e, por fim, torná-lo satisfatório. Seguir à risca essas Leis aumenta as chances de o comportamento pretendido vir a se consolidar no lugar do antigo.

Então, em vez de atribuir a culpa dos seus insucessos aos outros, seja honesto consigo mesmo e modifique o seu olhar, a sua disposição mental e a sua perspectiva. Vibrando na frequência da alegria e da gratidão, reprograme sua mente e redirecione sua energia, que os resultados melhores pelos quais você tanto batalha virão. Pense (deseje ativamente), faça, seja e deixe o “como” por conta de Deus, do Universo, ou de qualquer que seja a força maior na qual você acredita. Agindo assim, tenho certeza de que você será positivamente surpreendido.

“Não posso impedir que os pássaros voem sobre a minha cabeça, mas posso impedi-los de fazer ninhos nela.” Martinho Lutero (1483-1546), sacerdote católico alemão idealizador da Reforma Protestante.

 

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