Vende-se um apartamento. Por: Elias Santana

Um dos grandes sonhos de todo brasileiro é ter a casa própria. Durante o processo de buscar um novo imóvel e fazer uma reforma, uma palavra pequena palavra torna-se comum: o pronome “se”.

O primeiro passo é procurar um lugar que atenda aos anseios do futuro morador. Então, é comum encontrar diversos anúncios com a seguinte frase:

• Vendem-se apartamentos.

E é essa a forma correta. Nessa construção, o “se” funciona como partícula apassivadora, pois a oração está na voz passiva analítica. É o mesmo que dizer que apartamentos são vendidos (essa é a forma em voz passiva sintética). Poucas pessoas entendem que fazer uma voz passiva significa transformar o objeto direto em sujeito paciente. Isso significa dizer que “Apartamentos” não é o objeto direto, mas o sujeito paciente – em razão do pronome “se”. Como o sujeito está no plural, o verbo deve estar no plural!

Após a aquisição do novo lar, talvez sejam necessárias algumas reformas. Novamente, o pronome “se” aparece:

• Precisa-se de pedreiros.

Notou que, desta vez, o verbo está no singular? O termo “de pedreiros” não pode ser sujeito, uma vez que está preposicionada – na verdade, essa expressão funciona como objeto indireto. O “se” agora não consegue ter a mesma função que em 1; agora, ele é um índice de indeterminação do sujeito; portanto, o verbo só pode ficar no singular.

Apesar das diferenças, há algo em comum entre 1 e 2. Em ambas, o emissor tem um objetivo: omitir o agente da ação verbal (que não é o mesmo que omitir o sujeito). Por isso, atualmente, muitas pessoas adotam outras formas também gramaticalmente corretas: vendo apartamentos e preciso de pedreiro. São sentenças menos impessoais, mas que, a depender do contexto, são bem-vindas, pois passam o mesmo conteúdo sem gerar polêmicas gramaticais! Felizmente, a língua portuguesa é dinâmica e sempre oferece alternativa aos nossos entraves linguísticos. Em um texto dissertativo, essa pessoalidade não é recomendada; mas, em um anúncio, não há problema! O nosso vernáculo pode ser moldado para atender a circunstâncias diferentes!

 


Elias Santana

Licenciado em Letras – Língua Portuguesa e Respectiva Literatura – pela Universidade de Brasília. Possui mestrado pela mesma instituição, na área de concentração “Gramática – Teoria e Análise”, com enfoque em ensino de gramática. Foi servidor da Secretaria de Educação do DF, além de professor em vários colégios e cursos preparatórios. Ministra aulas de gramática, redação discursiva e interpretação de textos. Ademais, é escritor, com uma obra literária já publicada. Por essa razão, recebeu Moção de Louvor da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 


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Elias Santana
Elias Santana
Professor e Mestre em Língua Portuguesa
3 Comentários

3 Comentários

  1. Ernesto De Luca (Escreverati)

    04/08/2018 20:52em20:52

    Obrigado sempre, Mestre!

  2. Glauciany

    08/08/2018 11:35em11:35

    Bom dia, acredito que houve um equívoco com relação ao verbo estando na terceira Pessoa + se + sujeito paciente, pois a gramática classifica como: verbo na voz passiva sintética

  3. sretger

    08/06/2020 09:09em09:09

    VTD ou VTDI + SE = sujeito paciente – voz passiva sintética: verbo concorda com o sujeito
    VTI, VI ou VL + SE = sujeito indeterminado – voz ativa: verbo na 3ª pessoa do singular, independentemente do restante da frase estar no singular ou no plural

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