Redação discursiva nos concursos públicos

Redação discursiva nos concursos públicos

Caros alunos, eu sei quão “batido”, repetitivo está o tema da “redação nos concursos”, mas gostaria de, mais uma vez, tocar no assunto com vocês!

Em sala, converso diuturnamente com meus alunos sobre o problema da falta de prática de leitura e, sobretudo, de escrita no dia-a-dia dos brasileiros e como isso afeta uma pessoa que quer ingressar numa carreira cujo certame apresenta a redação discursiva como uma das principais formas de avaliação do candidato.

Muitas pessoas, pelos mais diversos motivos, deixam para fazer um curso rápido de redação poucos dias antes da prova. Entretanto, essa é uma decisão perigosa, já que para escrever bem sobre qualquer assunto é necessário que se tenha a prática de escrever.

VOU APROVEITAR AS PERGUNTAS QUE OUÇO EM SALA E ESCLARECER ALGUNS MITOS SOBRE A REDAÇÃO:

1ª pergunta: “Se eu tiver um ‘esquema-modelo’ – com algumas expressões prontas ou frases de efeito – dá para enganar o examinador?”.

Não. O examinador, nos concursos, tem o olhar direcionado para o conteúdo e, portanto, não existe redação boa que seja feita por meio de esquema pré-desenhado por algum “especialista” de plantão. Além do mais, se grande parte dos candidatos tiver acesso a esse esquema milagroso, grande parte das redações ficarão iguais.

2ª pergunta: “Se eu não souber o conteúdo, posso parafrasear o tema e (ou) os aspectos abordados no comando?”.

Não. Se fosse para parafrasear, o comando traria essa informação “parafraseie” e todas as redações certamente estariam iguais.  Sejamos honestos, o examinador deve procurar extrair de cada redação informações para avaliar qual candidato está mais preparado para a função que irá exercer e, para isso, deve identificar quem tem maior domínio do assunto exigido no comando da redação. Consequentemente, será aprovado o candidato que detiver mais informações sobre o conteúdo e não o que melhor souber parafrasear texto alheio.

3ª pergunta: “Se eu não souber o conteúdo, já que não posso parafrasear, o que devo fazer?”.

Não espere passar por uma situação conflitante como esta: prepare-se com antecedência, comece a ler imediatamente e, na esteira da leitura, inicie a prática da escrita. Treine, treine e treine! Quem, ao chegar o dia da prova, lê o comando da redação e percebe que não conhece nada do assunto, dificilmente conseguirá escrever e, dependendo da importância atribuída à produção de texto, pode ter o seu destino selado ali mesmo na sala em que está fazendo a prova. Só para exemplificar, existe o caso da prova de redação para Policial Legislativo da Câmara Federal, cujo tema versava sobre o conflito entre a Rússia e a Ucrânia pela posse da região da Crimeia. Quem não havia lido sobre o tema ou, pelo menos, “ouvido” nos telejornais não conseguiria nem começar a escrever. Resultado? Esperar por um novo certame… Não, definitivamente, você não merece isso! Então, comece a ler hoje!

4ª pergunta: “Como eu não posso adivinhar o tema da redação, como vou conseguir ler sobre o assunto?”.

Você não vai ler especificamente sobre o assunto. Você vai começar a ler sobre os assuntos mais relevantes da atualidade. Mas seja seletivo: é melhor ler e obter informações concretas sobre alguns assuntos do que ler sobre tudo de modo artificial e rápido e depois não conseguir se lembrar de nada. É por meio da leitura que fazemos no cotidiano que vai se formando, de maneira paulatina, um corpus de informações que nos darão segurança para discutir o tema proposto pelo examinador.

5ª pergunta: “Eu odeio ler. Como posso começar a gostar de ler?”.

O primeiro passo é fazer uma “reprogramação neurolinguística”, ou seja, tire o reforço negativo da cabeça e torne um candidato pró-ativo: 1- Eu vou aprender a gostar de ler!; 2- Eu sei que a leitura vai mudar a minha vida para melhor; 3. Depois que eu começar a ler e a entender bem o que leio, passarei a sentir mais prazer na leitura!  Jamais se esqueça de que a leitura não é um dom que se tem, é um hábito (saudável) que se cria! Clarice Lispector dizia “Tenho medo de tudo que é novo”. Então, compre uma revista semanal de informações (como Época, Veja ou Istoé) para começar. Quando já estiver mais maduro em relação à leitura, vá migrando para revistas com conteúdo mais bem consubstanciado e que utilizem uma linguagem mais próxima daquela que o examinador quer ver no seu próprio texto, ou seja, que siga a norma culta, efetivamente.  Comece a ler editoriais, artigos de opinião e, até mesmo, as cartas de leitores dos principais jornais brasileiros e vá fazendo a confrontação dos fatos e opiniões, pois assim você vai formando, sem perceber, a sua própria opinião sobre os mais diversos assuntos. Escolha articulistas desses veículos com os quais você se identifique e passe a “segui-los”.

6ª pergunta: “Quando o tema da redação versar sobre conteúdo específico do edital, eu não preciso treinar redação: posso apenas memorizar a estrutura do texto e esperar o momento da prova. Certo?

Errado. O treino da escrita no cotidiano faz com que você tenha maior desenvoltura em relação a qualquer assunto abordado e maior domínio das estruturas gramaticais adequadas para a transmissão clara e concisa das suas ideias – isso é o que aporta maior fluidez e eficácia à sua redação.  Ademais, mesmo que o tema aborde um conteúdo específico – das áreas de direito administrativo, direito penal ou gestão de competências, por exemplo – você só conseguirá manifestar-se com propriedade sobre o assunto se puder fazer a sua devida contextualização – a qual depende, sobremaneira, da sua vivência e das diversas leituras que fizer de livros, do mundo e das apostilas.

Enfim, não existe uma fórmula mágica, não existem esquemas milagrosos, pois, se assim fosse, todos seríamos concursados e doutorados neste País. Não acredite em falsas promessas de sucesso rápido ou de macetes. Não queira entrar no serviço público pela porta dos fundos, tentando enganar o examinador.

Estude, se prepare, cultive o saber. Lembre-se de que não adianta tentar passar sem ter conhecimento, pois no dia-a-dia do trabalho que irá desenvolver (depois de aprovado no concurso) essa falta de conhecimento será cobrada de modo doloroso e, às vezes, até humilhante.

Fuja daquela velha máxima de que “em terra de cego quem tem um olho é rei”, pois ela nos nivela por baixo. Esforce-se ao máximo para ser o melhor. Quem se prepara como deve não teme nenhum examinador; ao contrário, aceita de bom grado os desafios, pois sabe que eles serão o diferencial!

No mais, desejo a todos bons estudos e… SUCESSO!

 

Professora Vânia Araújo: Licenciada em Letras, pela Universidade de Brasília (UnB). Ministra aulas de Interpretação de textos e de Redação Discursiva há mais de dez anos nos principais cursos preparatórios para vestibulares e concursos do Distrito Federal. Já trabalhou também em cursos de Belo Horizonte e Goiânia. Professora do Gran Cursos.

Confira os cursos ministrados pela professora:

Dissertação Argumentativa

Dissertação Expositiva

Dissertação Argumentativa, Expositiva, Estudo de Caso e Questão Discursiva Aberta

 

Bom trabalho!

Willian Chimiti
Willian Chimiti
Equipe de Comunicação do Gran Cursos Online
2 Comentários

2 Comentários

  1. elizabeth rodrigues

    04/02/2015 15:32em15:32

    Olá tudo bem? gostaria de aprender fazer a redação discursiva para prova tre mg, quero saber o valor! ou se puder gratuito cmo fazer ou o tema. desde ja agradeço.

  2. Sílvia

    20/01/2016 21:21em21:21

    Olha gostaria de me mandarem
    As três redações prontas pra mim ler..
    Estou com probleminhas..

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