A árvore foi cortada. Haverá esperança?

“Nada é bastante ao homem para quem tudo é demasiado pouco.” – Epicuro (341-271 a.C.), filósofo grego

Na última segunda-feira, em uma live, conversei com o juiz e nosso professor Enedino das Chagas. De família pobre da região do Gama, no entorno do Distrito Federal, Dr. Enedino é dono de uma daquelas biografias que confirmam o poder da persistência. Para se ter uma ideia de sua história, o hoje magistrado, quando criança, usava um saco de açúcar como mochila de escola. Vendedor de bananas desde os 6 anos de idade, trabalhou, ainda, como flanelinha e copeiro, entre outras profissões, antes de alçar voos mais altos. Em nossa conversa, perguntei que conselho ele daria para o concurseiro seguir em frente neste difícil momento de isolamento social que atravessamos. A resposta dele foi tão boa que decidi transformá-la em artigo.

Foi na Bíblia que Enedino buscou inspiração para nos brindar com uma bela reflexão, bastante oportuna para quem precisa renovar a esperança e a fé, como acredito ser o caso de todos nós neste primeiro semestre de 2020. Mas um alerta: embora a referência seja um livro cristão, quero deixar claro, desde logo, que a mensagem que compartilharei aqui é laica. Lembre-se de que a Bíblia reúne, acima de tudo, ensinamentos de extrema sabedoria. Você pode, portanto, interpretar sua mensagem com ou sem óptica vinculada a uma crença específica. Fica a seu critério.

A reflexão trazida por Enedino começa remetendo ao legado do Rei Salomão. Tido como o homem mais sábio de seu tempo e autor de diversos provérbios, tudo indica que Salomão escreveu também o livro de Eclesiastes, no qual é possível colher algumas lições bem simples e verdadeiras. Em Eclesiastes 11:3, por exemplo, encontramos esta passagem: “Quer uma árvore caia para o sul quer para o norte, onde cair ficará”. Em outras palavras, o que aconteceu, aconteceu. Já era. Não há nada mais a fazer.

Parece algo duro de dizer, concorda? Mas será mesmo? Tenho que a mensagem é mais profunda do que soa e logo mais vou explicar por quê. Antes, porém, vejamos uma segunda reflexão, extraída das palavras de outro filósofo e sábio, Jó, homem piedoso e extremamente correto. Está em 14:7-9: “Porque há esperança para a árvore que, se for cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus renovos. Ao cheiro das águas brotará”. Jó fora muito rico, mas perdeu tudo. Em dado momento, após a própria ruína, ele percebeu que havia esperança para si, assim como havia para a árvore cortada. Ao observar a natureza, ele notou o simples: que, ao cheiro das águas, mesmo a árvore tombada brotava novamente, e dava folhas, e dava caule, e dava tronco, e frutificava.

Agora quero que você me acompanhe neste exercício de análise: contraponha as duas mensagens, de Salomão e de Jó. Notou a aparente contradição? Você pode pensar: está muito estranho tudo isso! Um sábio diz que, se a árvore cair, onde ela cair, ficará, tão condenada quanto quem quer que se agarre a ela. Outro parece afirmar o contrário, que há esperança até mesmo para a árvore caída. Ora, amigo leitor, a incoerência está só na superfície. A verdade que se extrai das duas ideias é uma só: quando uma árvore é cortada, a parte que tombou – e apenas essa parte – vai ficar ali, apodrecendo; todavia, há enorme potencial no tronco ainda preso à terra, plenamente capaz de florescer novamente.

Entendeu agora? A Bíblia está nos ensinando que, quando uma situação é ruim e temos nossa esperança roubada, podemos tomar uma dentre duas atitudes: depositar toda a nossa energia naquilo que perdemos e, então, apenas lamentar, ou voltar-nos para o que restou e recomeçar. Em poucas palavras, é possível ceder à derrota ou optar pela reconstrução. Há uma floresta inteira que pode germinar a partir da nossa persistência. A decisão é exclusivamente nossa.

Agora vamos pensar um pouco sobre esta fase ruim que estamos passando. É tempo de peste e de crise, mas vamos nos apegar à parte que tombou de nossa árvore, ou ao que restou dela, o tronco firmemente preso à terra?

Pode ser que as coisas se desenrolem de maneira dramática para mim ou para você, caro leitor. Pode ser que apenas você, em seu núcleo familiar, se mantenha apto a reconstruir tudo que tiver tombado. Nesse caso, será VOCÊ o tronco no qual brotará tudo de novo: a esperança, a história, os sonhos. Se se vir nessa situação extrema e absolutamente indesejável, procure pensar no que a pessoa que se foi desejaria. Tenho um palpite: ela ia querer ver você feliz. Seja forte e agarre-se a essa certeza, meu amigo, minha amiga. Olhe para o que ficou e retome sua vida a partir disso, tendo sempre em mente que a alegria é capaz de ressurgir.

Não podemos levar a vida inteira presos ao que não existe mais, lamentando continuamente o que se perdeu ou o que nunca chegamos a conquistar. Devemos, sim, é buscar renovação com a lembrança das boas experiências que tivemos. Temos de recorrer ao apoio dos familiares, à sabedoria dos livros, ao valor da nossa capacidade, ao poder dos nossos talentos, mantendo firme a convicção de que não somos do time que desiste. Ao contrário, somos imparáveis.

É uma questão de sobrevivência. A semente está em nossas mãos, e só depende de nós e do nosso esforço trabalhar para fazer a planta nascer e dar novos frutos. Você e eu somos o tronco. Podemos reconstruir tudo ao cheiro das águas, renovados pela fé. A fé, que é o tal “cheiro das águas”, nos impede de ceder e abrir mão das vitórias, dos sonhos, da felicidade.

Esta crise vai passar. Sairemos dela fortalecidos como pessoas, como família, como nação, como sociedade, como humanidade. Será tempo de mais solidariedade e compreensão. Então sejamos proativos. Sigamos em frente, na direção dos nossos objetivos, caminhando com firmeza rumo ao nosso abençoado futuro.

Em tempo de pandemia, tenhamos a paciência de JÓ e a sabedoria de SALOMÃO. Sejamos exemplos de serenidade e fé para suportar as aflições.

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“Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento. Porque é melhor a sua mercadoria do que artigos de prata, e maior o seu lucro que o ouro mais fino.” – Provérbios 3:13,14

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Gabriel Granjeiro – Diretor-Presidente e Fundador do Gran Cursos Online. Vive e respira concursos há mais de 10 anos. Formado em Administração e Marketing pela New York University, Leonardo N. Stern School of Business. Fascinado pelo empreendedorismo e pelo ensino a distância

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Gabriel Granjeiro
Gabriel Granjeiro
Diretor-Presidente e Fundador do Gran Cursos Online
187 Comentários

187 Comentários

  1. Samuel de Oliveira

    16/11/2020 18:29em18:29

    Muito bom, sua colocação

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