Evoluir, servir, curtir

Gabriel Granjeiro


22/11/2021 | 18:24 Atualizado há 16 dias

“O significado da existência terrena não reside – como fomos acostumados a pensar – na prosperidade, mas, sim, no desenvolvimento da alma.” – Alexander Solzhenitsyn (1918-2008), escritor russo

Não sei o que fazer… Não sei para onde ir… Não sei o que a vida espera de mim… Não faço ideia de qual é meu propósito aqui. E agora? Talvez você já tenha se feito esse tipo de pergunta alguma vez na vida. Talvez esteja se perguntando algo assim neste exato momento… Ou talvez se sinta consumido pela agonia de não ter as respostas ou nada além de uma vaga noção do caminho a ser seguido.

Pois bem. Tenho algumas ideias para discutir sobre o assunto, então aqui vou eu tentar ajudar a diminuir um pouco sua aflição.

No penúltimo domingo, fiz uma live com o professor, escritor e mentor Geronimo Theml, fundador do instituto O Bem Nunca Para (IBnP), entidade que atua no combate à fome, prestando apoio sobretudo a crianças em risco alimentar. Foi uma conversa boa de cerca de uma hora sobre procrastinação, disciplina imparável, gestão do tempo, tomada de decisão, autoconhecimento, sentimento de culpa e autocontrole, entre outros assuntos.

Vale registrar, aliás, que o título deste artigo homenageia exatamente uma frase repetida sucessivas vezes por Geronimo, de autoria – que ele faz questão de mencionar – da mentora e coach-colaboradora do IBnP Taci Carvalho. Fica o devido crédito. E fica também o registro da minha admiração por todos do Instituto, que parecem compreender, como poucos, que ninguém está nesta vida para ficar rico. Estamos todos de passagem na Terra para EVOLUIR (crescer dia a dia, experiência após experiência, erro após erro), SERVIR (ao próximo, à família e a todos que cruzarem nosso caminho) e CURTIR (aproveitar a jornada, deleitar-se com cada experiência proporcionada pela senhora Vida).

Dito isso, nas linhas a seguir procurarei resumir algumas lições que extraí daquele bate-papo inspirador. A conversa integral você pode ver AQUI.

Primeiro: todo procrastinador contumaz é indisciplinado. Procrastinação é como uma doença que põe em perigo, em vez do corpo, os sonhos. Precisamos combatê-la, e, como diz Geronimo, uma das formas de fazer isso é comprometer-se para que “seu sim seja sim” e “seu não seja não”. Você falou ou escreveu em algum lugar que vai fazer algo? Então faça! Nada de deixar para depois, ou o vírus da procrastinação tomará conta.

Aqui me parece caber uma breve digressão para falar sobre emoções, sentimentos e a relação entre essas duas formas de expressão do nosso estado subjetivo.

Emoções, por funcionarem como uma espécie de mecanismo que aciona nossas reações, têm muito de instintivas. Não há racionalidade nelas, que, além disso, raramente são controláveis. Um exemplo é a raiva que sobe à cabeça quando se leva uma fechada no trânsito. Uma intercorrência trivial como essa pode tomar um rumo até trágico, se o motorista fechado ceder ao impulso – irracional, lembre-se – de ir ter com o motorista do outro carro.

Já sentimento é o que permanece no peito depois de passada a emoção. No exemplo dado, pode ser ódio em relação ao motorista imprudente ou, se as coisas se resolverem de forma mais amistosa, até orgulho de si mesmo por ter sido sábio e maduro o suficiente para administrar bem a situação. O sentimento é, portanto, uma espécie de produto da emoção, que é sintetizada como um estado mental mais profundo e duradouro, além de relativamente fácil de esconder e dissimular. Curioso é que um sentimento pode desencadear novas emoções, num ciclo que se retroalimenta.

É daí que vem o segundo ponto: para quem almeja ter mais controle sobre a própria vida, de forma a evoluir, servir e curtir mais sua trajetória no plano terreno, é crucial compreender a dinâmica entre emoções e sentimentos. Afinal, se o ciclo entre emoções e sentimentos é algo tão humano e inevitável, ajuda ao menos saber o que esperar. Na vida, ou se está no comando, ou se está sob o comando de alguém ou algo.

Retomo, então, a ideia inicial desta nossa conversa. Como conciliar emoções, sentimentos e autocontrole a fim de escapar à procrastinação e outros males? Geronimo resumiu bem ao dizer que “a vida é um cobertor pequeno”. Não se consegue cobrir tudo ao mesmo tempo: se cobrimos a cabeça, deixamos os pés descobertos; se cobrimos os pés, a cabeça fica de fora. O pulo do gato é, então, saber o que deve ser coberto no momento certo.

Em português coloquial: você conta, mas não de tudo, e com certeza não ao mesmo tempo. Nem mesmo o maior exército do mundo seria capaz de lutar todas as batalhas simultaneamente. Assim, faça um exercício de humildade e escolha suas lutas de agora, tratando de gerir o seu tempo com base no que escolheu. Decida se cobrirá os pés e o corpo, ou o corpo e a cabeça. Se um projeto seu ou um aspecto da sua vida tiver de ficar menos abastecido por um tempo, lembre-se de que depois será possível compensar isso. O cobertor ainda estará lá…

Há mais. Para vencer a procrastinação, você precisará de combustível diário, e, na vida, esse insumo são os sonhos. Eles estão no início de tudo e renovam as energias no caminho. O homem que não tem sonhos não encontra motivação para avançar, superar e conquistar. Simplesmente não consegue incorporar o espírito da disciplina imparável, pois não enxerga além do presente. É, então, tomado pelo prazer imediato – alimento da procrastinação – e acabará matando o seu eu do futuro. Como Geronimo provocou: “Que histórias você quer contar com mais idade?” Da resposta a essa questão depende todo o seu destino.

O ser humano foi feito para estar em movimento, sempre disposto a dar o passo seguinte. Daí a importância de se manter em contínua evolução, buscando servir e ser útil. Daí, também, a necessidade de se apreciar a jornada, ciente de que há muito por agradecer e para aprender, mesmo nas situações difíceis.

Autocontrole, capacidade de sonhar, disposição para persistir um dia depois do outro, tudo isso é imprescindível na construção de um futuro promissor, mas não para por aí. Não menos importante é tomar as decisões certas. O escritor Tony Robbins, sobre esse quesito, ensinaria: “É nos momentos de decisão que o seu destino é traçado”.

É por isso que, a partir do momento em que decidi escrever esta mensagem, e você, meu caro leitor, minha querida leitora, “decidiu” lê-la, você e eu mudamos nosso destino. A vida é fruto de decisões pontuais como essas. E é saber usar bem os talentos e dons recebidos. E é fazer tudo como se fosse a última oportunidade, com esforço, esmero, dedicação, paixão. É, enfim, seguir evoluindo, servindo, curtindo.

Vamos nessa?

“Se tem uma boa visão, use-a para compreender as coisas e julgar com sabedoria.” – Epiteto

 

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Gabriel Granjeiro

Presidente e sócio-fundador do Gran Cursos Online
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