Gabriel Granjeiro

A cultura do mais ou menos

A cultura do mais ou menos“Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.” – Jean-Paul Sartre (1905-1980), filósofo francês

Certa vez, a escritora Clarice Lispector disse que detestava coisas mais ou menos. “Não sei amar mais ou menos, não me entrego de forma mais ou menos”, escreveu. Confesso que eu também sou assim. Não consigo fazer nada mais ou menos, e, se tiver de me dedicar a algo, à participação em um curso, ao desenvolvimento de um produto, à redação de um artigo ou discurso, vou fazer o melhor que estiver ao meu alcance. Acredito que, agindo dessa forma, serei, de fato, merecedor – pelo esforço extraordinário, pelo trabalho duro e pela conduta ética –  de tudo que sonho realizar ou conquistar. Ajo assim apesar de estar convencido de que a média das pessoas é incapaz de suportar o talento e o sucesso dos que se destacam.

Quem nunca perguntou para um amigo ou colega como estavam as coisas e recebeu como resposta um cabisbaixo “Mais ou menos”? Para dizer a verdade, estamos cercados de mediocridade. Como vai a seleção brasileira? “Mais ou menos”. E o trabalho? “Mais ou menos”. E os estudos para passar em concurso público? “Mais ou menos”. Puxa vida, é muito triste deparar com gente que não sai da média, que se acomoda com ela!

Quem leva uma vida mais ou menos desde criança, provavelmente se tornará um profissional mais ou menos, um pai – ou mãe – mais ou menos, um esposo – ou esposa – mais ou menos, um concurseiro – ou concurseira – mais ou menos, um servidor – ou servidora – mais ou menos. Enfim, será uma pessoa medíocre (se não mudar, o que pode sempre ocorrer) na pura acepção do termo; alguém mais ou menos, até mais para menos do que para mais, puxando a média para mais baixo ainda. O pior é que parece que esse tipo de pessoa tem cruzado nosso caminho com cada vez mais frequência, não é? Será que estamos vivendo a era do mais ou menos?

“… toda vez que você se encontrar do lado da maioria, é hora de parar, refletir e mudar a rota.”

Seja franco: você conhece alguém bem-sucedido em qualquer negócio, atividade, ramo ou profissão que seja apenas mais ou menos em sua área de atuação? Alguém que não passe a impressão de ser o tipo de profissional que faz de tudo para se destacar em relação aos demais? Aposto que não. Muito cuidado, concurseiro, pois ser medíocre é ficar com a maioria, e estar no grupo da maioria é algo que você não quer, certo? A maioria não consegue montar um empreendimento de sucesso; a maioria não tem um casamento feliz; a maioria não vive uma vida saudável. A maioria não consegue passar em concurso público. Em qualquer certame de hoje, só é aprovado e classificado dentro do número das vagas o candidato que está (beeem) acima da média. Você precisa, portanto, trabalhar e se esforçar para isso. Pense assim: toda vez que você se encontrar do lado da maioria, é hora de parar, refletir e mudar a rota.

Quer saber como identificar uma pessoa com mentalidade mais ou menos? É aquele sujeito que cumprimenta com as pontas dos dedos e abraça como se tivesse nojo do outro. Ama mais ou menos, crê mais ou menos, serve mais ou menos. De verdade, não faz falta alguma, embora pudesse fazer toda a diferença. Ao contrário: quando se afasta de nós ou deixa de estar presente nos eventos dos quais participamos, nos faz um bem danado. Acho que isso acontece porque, no fundo, sabemos que a mediocridade é também um tanto perversa e tenta rebaixar os que lhe são próximos para que involuam até chegar ao seu patamar.

Não você, leitor amigo. Você é precioso e único. Não foi criado para ser uma pessoa com status de nem quente nem morno, nem mais nem menos. Mais ou menos é o lugar de gente que não faz a diferença no mundo; de pessoas que, quando se despedirem da vida terrena, não terão deixado legado algum.

Em tempo: alguém com dinheiro ou fama não é necessariamente alguém acima da média. Não confunda os dois conceitos. Existe muita gente com MUITO dinheiro e MUITA fama que, apesar disso, é medíocre; da mesma forma que há pessoas que vivem uma vida de poucos recursos, mas são excelentes figuras humanas: são bons pais, mães amorosas, excelentes colaboradores na empresa onde trabalham. Portanto, não se trata de dinheiro, embora estar acima da média no âmbito profissional costume produzir efeitos também na seara econômica.

“A perfeição é virtualmente inalcançável, mas pode servir de meta…”

Tampouco confunda o que estamos defendendo aqui com perfeccionismo. A perfeição é virtualmente inalcançável, mas pode servir de meta, desde que você siga este mantra, de autoria desconhecida: “Feito é melhor do que perfeito, desde que seja bem-feito!”. Em outras palavras, não fique adiando tudo para tentar fazer algo perfeito no dia de São Nunca. Faça o melhor que puder hoje.

Encerramos nossa conversa da semana com a sábia lição de um dos maiores médiuns do mundo, o irmão Chico Xavier (1910-2002):

A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos.

A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.

A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos…

Tudo bem!

O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum…

É amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos.

Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.

 

“Tomo a liberdade de incluir, entre as atitudes desaconselháveis, estudar mais ou menos.”

Tomo a liberdade de incluir, entre as atitudes desaconselháveis, estudar mais ou menos. Para você, concurseiro, essa não pode ser uma opção, ouviu? Além disso, eu não mediria as palavras para finalizar a lição: Ser mais ou menos, desculpe a sinceridade, é uma droga.

Amigo leitor, seu lugar não é a linha da mediocridade. Algo o trouxe até aqui que o faz ser diferenciado. Por isso, vamos combinar de seguir sempre em frente? A sabedoria popular não nos deixa esquecer de que atrás vem gente; que tal, então, você assumir o compromisso de estar sempre bem à frente, sendo especial, único, importante e útil?

Se está disposto a isso, registre nos comentários “Jamais serei mais ou menos!”.

Bons estudos e GRAN sucesso,

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Mais artigos para ajudar em sua preparação:


Gabriel Granjeiro – Diretor-Presidente e Fundador do Gran Cursos Online. Vive e respira concursos há mais de 10 anos. Fascinado pelo empreendedorismo, pelo ensino a distância e por mudar vidas. Formado em Administração e Marketing pela New York University, Leonardo N. Stern School of Business.

Cheguei Lá

141 Comentários

141 Comentários

  1. Luciândila Gomes

    15/10/2018 15:10 em 15:10

    Jamais serei mais ou menos.Texto Maravilhoso!!

  2. Jairo Casas

    23/10/2018 02:46 em 02:46

    Jamais serei mais ou menos!
    Sou eu e serei eu a força motriz
    Do caminhar que caminho confiante
    Na confiança do alcance
    Dos sonhos que vivo e respiro
    Que luto, busco e conquisto.
    Sou eu uma centelha de amor
    Cristalizado de puro júbilo.
    Sou eu mais um ser luzente
    Luzindo nesse caminho terráqueo
    No qual requer… como requer da gente muito mais…
    Por isso que sou eu e serei eu
    Vivo, sagaz, atrativo, eficaz etc.
    Confirmado! assim estarei eu sempre:
    Aprendendo sempre mais e muito mais
    Vivendo mais e muito mais
    Amando sempre mais e muito mais
    Sim! Sou mais e muito mais,
    Porque ser mais ou menos – jamais!
    Casas Novas

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