Gabriel Granjeiro

Todos nós temos cicatrizes

“Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado?! Este vai ser o nosso segredo. Uma cicatriz significa: EU SOBREVIVI.” – Caio Fernando de Abreu

Quem não tem pelo menos uma cicatriz na pele, na alma, no coração, que atire a primeira pedra. Claro que todos carregamos uma ou várias delas. E é bom que seja assim. Cicatrizes são fruto dos perrengues da vida, das lutas, dos embates. São tudo que os covardes e os falsos amigos conseguem provocar em nós com suas armadilhas e palavras insensatas e inoportunas. Apenas cicatrizes, nada mais.

A verdade é que temos de ter orgulho desses sinais que carregamos. Eles são o símbolo da nossa fortaleza e o lembrete de que somos mais fortes do que pensamos. Cada pequena marca é a prova de que um dia fomos capazes de transpor obstáculos intimidadores e de vencer quem já tentou nos destruir. Nossas cicatrizes são o legado da vida eternizado na pele e na alma.

Não tenho nenhuma vergonha das minhas. Elas começaram como feridas, que foram desbotando, sumindo… até que praticamente desapareceram, deixando apenas uma linha como sinal de que um dia estiveram ali. Algumas dessas feridas eram pequenas e superficiais; outras me atingiram mais fundo. Aquelas resultaram em cicatrizes quase invisíveis, bem escondidas no peito; estas deixaram marcas profundas, cravadas no coração. Todas elas, não importa o quão horríveis sejam, fizeram a diferença em minha história e tiveram papel importantíssimo na construção da minha personalidade.

As cicatrizes nos ajudam a criar uma couraça de justiça, um escudo de fé. Quando precisamos tomar uma decisão, é natural surgirem conflitos. Abrem-se feridas, que mais tarde se tornam cicatrizes a nos lembrar continuamente do golpe físico, moral ou psicológico que então sofremos. As cicatrizes demostram que somos sobreviventes, lutadores fortes e destemidos, vencedores nas sucessivas batalhas contra os predadores, os inimigos, os concorrentes, os desleais, os sorrateiros.

O tempo cura as feridas, mas as cicatrizes deixadas por elas não somem nunca.

Cada um de nós está fadado a carregar as próprias marcas para sempre. O tempo cura as feridas, mas as cicatrizes deixadas por elas não somem nunca. Ao longo de nossa trajetória, enfrentamos injustiça, dor, humilhação, abandono, inveja, solidão, ingratidão. Essas e outras experiências ruins machucam a alma, mas logo o tempo passa e as transforma em meras lembranças. Às vezes, cicatrizes são provocadas diretamente pelo amor que o Universo tem por nós, nos impedindo de cair, de desistir, de ir embora. E, acredite, até uma pessoa especial – a melhor tatuagem possível – pode se tornar, um dia, uma horrível cicatriz que teremos de carregar, uma marca da qual talvez seja difícil nos orgulharmos.

A natureza confirma que cicatrizes denotam valor. Veja que dado curioso: os golfinhos fêmeas preferem machos com muitas cicatrizes no corpo. Em seu instinto, elas sabem que tais marcas são indício de que o eleito é um vencedor de batalhas contra os predadores, um destemido, um sobrevivente, um forte guerreiro. É, portanto, o tipo de “marido” ideal para constituir família.

Nós, seres humanos, não precisamos do instinto para ter consciência do valor das nossas cicatrizes. Quando você, meu leitor, estiver tentado a desistir dos seus maiores projetos e interromper os estudos, olhe para as suas, que a vontade logo passará. Desistir agora implica retornar à estaca zero e sofrer com os sentimentos ruins que o levaram a querer mais. Significa reviver os momentos em que algumas de suas piores feridas se abriram e experimentar novamente a sensação de derrota. Autocomiseração não é uma atitude sábia e não traz nada de bom. O melhor a fazer é tratar as cicatrizes como sinais de vitória e seguir em frente.

Se somos receptáculo para cicatrizes, também somos sujeitos ativos na produção delas.

Se somos receptáculo para cicatrizes, também somos sujeitos ativos na produção delas. Ainda que de forma inconsciente, estamos sempre dispostos a ferir os outros, seja com palavras, seja com atitudes. É relativamente fácil provocar cicatrizes nos outros; difícil é escapar dos efeitos nocivos que a lei do retorno impõe por não termos controlado a língua ou contido um ato inconsequente. Quando vemos, é tarde demais. Entra em cena o arrependimento, e até pedimos perdão; mas a ferida já foi aberta, tanto no outro, como em nós mesmos. E forma-se uma nova cicatriz. Há que exercer muito autocontrole, há que desenvolver muita paciência, há que amadurecer de verdade para não repetir todo esse ciclo outras vezes.

Vou me permitir partilhar com você uma bela mensagem que fala da relação entre as cicatrizes e o amor. Havia um menino que tinha uma cicatriz muito feia no rosto. A marca era tão feia que os colegas da escola o evitavam sempre. Ninguém falava com ele nem se sentava ao seu lado. A situação chegou a tal ponto, que um dia a turma se reuniu com o professor e sugeriu que o menino não frequentasse mais o colégio. O professor levou o caso à diretoria. O diretor ouviu atentamente e tomou uma decisão: pediria para o menino ser sempre o último a entrar em sala de aula e o primeiro a sair.

Assim foi feito, e o menino aceitou prontamente a imposição do colégio, com apenas uma condição: que ele tivesse a oportunidade de dizer, face a face com os demais alunos, qual era a origem daquela cicatriz. A turma concordou, e, no dia marcado, o menino entrou na sala, posicionou-se na frente de todos e relatou: “Sabe, turma, eu entendo vocês. Minha cicatriz é mesmo muito feia, mas queria que vocês soubessem como eu a adquiri. Minha mãe era muito pobre e, para ajudar na alimentação de todos lá em casa, passava roupa para fora. Eu tinha por volta de 7, 8 anos de idade…”

A turma estava em silêncio, atenta. O menino continuou: “Eu tinha três irmãos: um de quatro anos, outro de dois e uma irmãzinha com apenas alguns dias de vida…” O silêncio na sala só aumentava. “Nossa casa era muito simples, feita de madeira. Um dia, começou um incêndio. Minha mãe correu até o quarto em que estávamos, pegou meu irmãozinho de dois anos no colo, segurou a minha mão e a de meu outro irmão e nos levou para fora. Havia muita fumaça, e as paredes ardiam. O calor era imenso. Minha mãe me pôs sentado no chão, do lado de fora da casa, e mandou que eu ficasse ali com meus irmãos até ela retornar. Ela disse que tinha de voltar para buscar minha irmãzinha, que continuava dentro da casa. O problema é que, quando minha mãe tentou fazer isso, as pessoas que estavam ali não a deixaram entrar na casa em chamas. Eu a ouvi gritar: “Minha filhinha estar lá dentro!”. Vi em seu rosto o desespero, o horror… Fui me esquivando das pessoas e, quando perceberam, eu já tinha entrado na casa. Eu mal conseguia enxergar através da fumaça e precisei lutar contra o calor, mas tinha de salvar minha irmã. Quando cheguei aonde ela estava, encontrei-a enrolada em um lençol e chorando muito. Nesse momento, vi alguma coisa cair e me joguei sobre minha irmã para protegê-la. Foi quando aquela coisa quente tocou meu rosto…”

A turma estava quieta, atenta e envergonhada. O menino continuou: “Vocês podem até achar esta CICATRIZ feia, mas tem alguém lá em casa que a acha linda. Todo dia, quando chego em casa, minha irmãzinha a beija porque sabe que é marca de AMOR.”

Tocante, não?

Reflita comigo, amigo leitor: o mundo está cheio de CICATRIZES. Não me refiro às CICATRIZES visíveis, mas às que não podemos enxergar. Há aproximadamente 2 mil anos, um Homem foi tomado por inúmeras CICATRIZES no corpo para redimir a mim e a você. Ele recebeu chagas nas mãos, nos pés e na cabeça. Não importa qual é a sua religião nem se você acredita no propósito de vida desse Homem, mas uma coisa é certa: Ele mudou a história para sempre com suas cicatrizes, que, para bilhões de pessoas, representam marcas de amor infinito.

Por favor, leitor amigo, não tenha vergonha das suas cicatrizes. Elas são o lembrete de toda a sua luta e a marca do seu amor, da sua experiência, da sua sabedoria. Elas fazem de você quem você é: a mais rara das pedras, alguém único e insubstituível.

Eu tenho orgulho das minhas cicatrizes e de quem sou. E você?

Se concorda com esta mensagem, registre nos comentários: “Eu sou insubstituível!”. 

“Os defeitos da alma são como os ferimentos do corpo; por mais que se cuide de os curar, as cicatrizes aparecem sempre, e estão sob a constante ameaça de se reabrirem.” – François La Rochefoucauld (1613-1680), escritor francês

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Gabriel Granjeiro – Diretor-Presidente e Fundador do Gran Cursos Online. Vive e respira concursos há mais de 10 anos. Formado em Administração e Marketing pela New York University, Leonardo N. Stern School of Business. Fascinado pelo empreendedorismo e pelo ensino a distância.

 

 

 

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