Gabriel Granjeiro

O mundo é dos constantes

 “A constância é o único escudo que embota a navalha da adversidade.” – Mário Quintana

Você conhece alguém que – provavelmente num início de ano – se matriculou na academia com a maior determinação do mundo e treinou com toda a energia quase que diariamente durante umas duas semanas, período em que chegou até a postar nas redes sociais, todo satisfeito, “Tá pago!”? Passado esse período inicial de euforia, essa pessoa foi diminuindo a frequência dos treinos, sem chegar a interrompê-los totalmente, e hoje em dia treina apenas quando está “animada” ou “quando dá”? Numa semana, ela vai à academia três vezes; na outra, apenas uma; e, em algumas, nem vai?

E será que você conhece algum concurseiro que tenha começado a preparação todo animado, estudando cinco, seis, até dez horas por dia, mas em pouco tempo perdeu o fôlego e desanimou? Não que seu amigo tenha desistido de vez, mas, sim, passado a se dedicar de forma inconstante ao projeto de estudar? Nos últimos tempos, ele aparece apenas esporadicamente nos aulões presenciais, ou assiste a um ou outro aulão ao vivo no YouTube? Estuda online exclusivamente as matérias de que gosta e lê os PDFs só quando está “a fim”? Ora estuda o dia todo, ora não pega num livro sequer?

Eu conheço inúmeras pessoas com esse perfil, e em várias áreas. É como se elas não conseguissem avançar em ritmo constante, passando progressivamente da primeira marcha para a segunda, depois para a terceira, depois para a quarta, depois para a quinta, e permanecendo na marcha mais alta quando estão prontas para seguir em velocidade de cruzeiro. Ansiosas, querem ir de 0 a 100 em 3 segundos, e até começam muito bem nesse projeto, geralmente bem à frente dos demais, mas não se sustentam nesse ritmo e acabam batendo o carro ou rodando que nem barata tonta na pista de corrida.

Há quem culpe as fases da vida para tentar se justificar. “Ah, agora está muito difícil estudar. Estou passando por um período atribulado”, alegam. E há quem se apoie nos problemas do País ou do mundo. “Sabe como é! Está muito difícil viver no Brasil agora”, dizem. Desculpe-me a sinceridade, mas é importante que você entenda de uma vez: o mundo real e o concurso público não estão nem aí para as fases da sua vida ou para os problemas do universo. Digo isso sem a menor intenção de desmerecer as dificuldades que talvez você esteja enfrentando; mas é sério: e se o concurso dos seus sonhos sair durante uma de suas fases difíceis? Você não tem como pedir para a banca adiar a prova, tem?

Digo mais: às vezes, as coisas precisam piorar muito para só então melhorarem. Quando tudo está apenas ruim, é tentador para qualquer um de nós seguir levando, embora, obviamente, tal passividade e conformismo não sejam nada, nada recomendáveis. Já quando a situação alcança um patamar insustentável, não conseguimos mais reter o grito. É então que dizemos “Chega!” e passamos efetivamente a agir. Portanto, se tudo parece ruim para você agora, saiba que (1) não adianta culpar a fase em que você está e (2) tamanha dificuldade talvez seja para o seu bem. Digo isso por experiência própria.

Ser constante é tão difícil quanto não parar, mas você, caro leitor, jamais pode entregar os pontos.

E como deixar de ser inconstante?

Tenho alguns conselhos:

  1. Seja humilde ao reconhecer onde você está e trace um plano a partir desse ponto.

Se você não é, assim, nenhum atleta, não adianta começar a treinar quatro horas por dia imediatamente. Não insista, ou você pode sofrer uma lesão séria. Igualmente, se você não estuda há muitos anos, não queira se entregar, desde já, a dez horas por dia de estudo, ou você não vai aguentar. Passe as marchas nas velocidades corretas, amigo concurseiro. Veja como foi comigo: quando comecei a malhar, há quatro anos, treinava três vezes por semana, frequência que me pareceu viável e, convenhamos, o mínimo para ter bons resultados. Algum tempo depois, aumentei os treinos para quatro vezes por semana, depois para cinco, depois para seis… Hoje treino praticamente todos os dias, alternando os grupos musculares para evitar lesões. Note que fui humilde em minha autoavaliação inicial e progredi aos poucos. Não é difícil aplicar aos estudos esse modo de proceder.

  1. Seja coerente.

Você precisa agir como a pessoa que pretende se tornar. Não adianta dizer que quer ser um servidor de alto nível se você não se dedica como quem já chegou lá. Não adianta falar que quer ser um empreendedor de sucesso se não se esforça como deve para montar uma empresa, passando por todos os percalços inerentes à atividade de empreender. Suas ações precisam guardar coerência com o seu discurso.

  1. Não deixe nada para amanhã.

Comece agora! Quer começar aquela dieta? Faça isso HOJE. Particularmente, fico muito irritado quando alguém me fala que vai começar uma dieta na segunda-feira porque quer aproveitar para se despedir dos doces em excesso no fim de semana. Fico aborrecido porque, em outras palavras, o que essa pessoa quer mesmo é se destruir de tanto comer – até porque, diga-se, muitas vezes a dieta nunca é de fato iniciada. Quando, quatro anos atrás, eu resolvi cuidar melhor de mim mesmo, sabe o que eu fiz? Da noite para o dia, cortei todos os alimentos que me faziam mal e comecei a praticar atividades físicas. Parei de consumir energéticos prejudiciais à saúde e mudei radicalmente meus hábitos de vida. Dei uma de doido, na visão de alguns, mas funcionou. Deu certo pra mim e, com as devidas adaptações, pode dar certo para você. Ficou animado com a ideia de estudar para o concurso do MPU, por exemplo? Comece AGORA. Os nossos cursos online têm início imediato, literalmente. Pode ser a oportunidade para você mostrar que está mesmo determinado.

  1. Aceite que a vida é feita de recomeços.

Aceitar que é preciso lidar com recomeços é uma forma de manter a constância. Não importa qual é o seu passado; ele não pode determinar o seu futuro se você estiver disposto a recomeçar sempre que necessário.

Conhece a fábula de Esopo sobre a lebre e a tartaruga? É a história de uma lenta tartaruga que vence uma corrida contra uma lebre veloz. A vitória só foi possível porque, ao longo de toda a prova, a tartaruga caminhou de maneira constante e determinada, sem perder o foco, ao passo que a lebre, depois de largar rapidamente e perceber que estava muitíssimo à frente da concorrente, resolveu tirar um cochilo, pensando, arrogante, que dispunha de muito tempo para relaxar. A lebre acaba despertando com os gritos dos animais que torciam pela tartaruga, a qual continuava caminhando firme e forte. Ao acordar e, desesperada, descobrir que estava atrás da tartaruga, a lebre, incrédula, reúne todas as suas forças para dar um sprint e tentar reparar o efeito da soneca irresponsável. Mas já é tarde demais.

A moral da história é que nem sempre vence o mais rápido, o mais capaz, o mais talentoso, o mais inteligente. Vence quem tem constância para dar o seu melhor sempre, e não só quando está em condições favoráveis. Vence quem é mais constante, pois o destino não é sorte nem acaso; é trabalho duro alinhado com constância e foco nos objetivos. Podemos até acreditar que o Universo tem um lápis com o qual desenha o mapa da nossa vida; mas, se é assim, somos nós que ficamos com a borracha. Nossas decisões podem engrossar ou afinar os traços, mudá-los de direção ou até mesmo apagá-los de vez.

O que importa é seguirmos em frente, constantes e imparáveis, rumo à vitória da corrida da vida, independentemente de quão talentoso for o adversário. Está comigo nessa?

Se concorda com esta mensagem, registre nos comentários: “Seguirei firme e constante!”.

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Gabriel Granjeiro – Diretor-Presidente e Fundador do Gran Cursos Online. Vive e respira concursos há mais de 10 anos. Formado em Administração e Marketing pela New York University, Leonardo N. Stern School of Business. Fascinado pelo empreendedorismo e pelo ensino a distância.

 

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