Gabriel Granjeiro

Às vezes, você precisa apertar esta tecla

No meu último aniversário, ganhei dois exemplares de um livro que, apesar do linguajar um tanto deselegante – a começar pelo título –, é atualmente um dos mais vendidos no Brasil e em outros lugares do mundo. Estou falando do best-seller “A sutil arte de ligar o f*da-se”, escrito pelo americano Mark Manson. Imagino que meus amigos e colaboradores que me deram esse livro de presente tenham percebido que eu precisava entrar em contato com uma forma bem fora do convencional – e que às vezes até vai contra algumas de minhas crenças – de refletir sobre sucesso, felicidade, perseverança, coragem; enfim, sobre a vida.  Por isso, hoje convido vocês, meus leais leitores, a me acompanhar através das palavras desse corajoso escritor. Peço que relevem o palavrão contido no título do livro e se atenham às lições que a obra nos ensina.

Afinal, não custa lembrar: o não nós já temos. As consequências? Que se danem. O importante é você ir lá e fazer. Pronto. Não há nada pior do que o arrependimento de nem sequer ter tentado.

Em outras ocasiões, já escrevi sobre como somos gigantes, imparáveis, antifrágeis, corajosos, guerreiros. Hoje, vou além para dizer que quem é gigante, imparável, antifrágil, corajoso sabe quando deve apertar a tecla D. D de “Dane-se!”, expressão que, numa tentativa de ser menos rude do que o autor do livro que motivou esta conversa, empregarei aqui no lugar do palavrão que foi a opção do autor. É gigante quem aperta a tecla D para os fracassos e derrotas, é imparável quem aperta a tecla D para o risco de se fazer passar por bobo ou de se dar mal, é antifrágil quem aperta a tecla D para a maldade das pessoas que só falam bobagem, e é corajoso quem aperta a tecla D para os medos que paralisam até mesmo as pessoas mais responsáveis. Muitas vezes, precisamos apertar a tecla D para enfrentarmos nossos maiores receios, para arriscarmos e ousarmos um pouco mais, para pedirmos algo. Somos guerreiros quando fazemos isso. Afinal, não custa lembrar: o não nós já temos. As consequências? Que se danem. O importante é você ir lá e fazer. Pronto. Não há nada pior do que o arrependimento de nem sequer ter tentado. Simples assim.

Nos sentimos felizes de verdade quando temos um propósito, algo para resolver. Pode reparar: somos todos movidos a desafios.

Como explica Mark Manson, não se trata de fingir que não há problemas em nosso caminho. O que o autor nos aconselha a fazer é descobrir com quais desses problemas preferimos lidar e até onde estamos dispostos a ir para resolvê-los. Primeiro devemos escolher nossas batalhas e, em seguida, passar por uma dolorosa autocrítica que nos mostrará o quanto estamos preparados para suportar. A vida é basicamente uma sucessão interminável de dificuldades. Os problemas nunca somem; só diminuem. E o curioso, amigo leitor, é que só nos sentimos felizes de verdade quando temos um propósito, algo para resolver. Pode reparar: somos todos movidos a desafios.

O mundo é mesmo uma loucura. Nós somos uma loucura. Isso nunca mudará. Nós nos culpamos por sentirmos culpa, ficamos mal por estarmos mal, nos irritamos com a nossa própria irritação, sofremos de ansiedade por causa da nossa ansiedade. Percebe como, embora seja fundamental ter autocontrole, em algumas situações é impossível? Se não tivermos domínio sobre a mente, ela pode nos enlouquecer. Se eu ou você sairmos por aí nos importando em demasia com tudo e todos, sem nenhum critério, acabaremos mal. Por isso, se sentir que não dá mais, que a situação está insuportável, aperte logo a tecla D e enfrente de uma vez o mundo cão. Descubra o que é realmente importante na sua vida, e dane-se o resto. Apertar a tecla D é encarar os desafios mais difíceis, mais assustadores, e agir. Enfrentar seus medos e suas ansiedades é o que vai fazer você ter coragem e perseverança, e isso exige esforço permanente, constante, duradouro, firme.

Alguns podem me criticar, considerando tais ideias egoístas, mas quero que você, leitor, entenda qual é a minha verdadeira intenção aqui. Não estou sugerindo que ignoremos o próximo nem que deixemos de ajudar as pessoas. Não é nada disso. Estou apenas dizendo para não darmos importância demais a fatos ou comentários irrelevantes, que tiram a nossa paz e desviam o nosso foco. Servir ao próximo é essencial; diria até que essa é nossa principal missão na terra como seres humanos. Ajudar o próximo traz felicidade, como indicam inúmeros estudos. Entretanto, perder energia e tempo na tentativa de agradar a tudo e a todos é destrutivo. Nem Jesus Cristo conseguiu.

Aceite a sua existência como a de alguém ao mesmo tempo único e comum, alguém que precisa agir para as coisas acontecerem.

Você, meu amigo, minha amiga, é um gigante, é imparável, é antifrágil. No entanto, tal como afirma Mark Manson – de maneira, digamos, mais assertiva do que o usual –, não é tão especial. Nada na vida está garantido para você. O mundo não está preocupado nem com os problemas que você tenha nem com os maus momentos pelos quais você passe. Você é uma pessoa comum, que, embora seja insubstituível – uma vez que só existe um de você –, ainda busca a excelência e tem de batalhar todos os dias para se tornar melhor. Aceite a sua existência como a de alguém ao mesmo tempo único e comum, alguém que precisa agir para as coisas acontecerem. Faça isso e liberte-se para realizar o que você realmente deseja, sem autojulgamento excessivamente rigoroso ou expectativas altas demais.

Entenda que não há outro jeito de agir com excelência senão com disposição para falhar. Se você se recusar a correr riscos, nunca estará preparado de verdade para ser bem-sucedido. Faça algo; só não fique parado. As respostas surgirão pelo caminho, ainda que você não saiba direito o que está fazendo. Mova-se! Saia do lugar e da zona de conforto.

Imagino que você aprecie pequenos prazeres, como uma boa leitura, uma gostosa risada ao lado de alguém de quem você goste, a companhia de amigos. Satisfações maiores, como a de ajudar alguém em necessidade e a de atingir uma meta no trabalho, lhe devem ser igualmente caras. Se é assim, então viva a sua vida e tente realizar todos os seus desejos. Aperte a tecla D para tudo, menos para seus sonhos, não importa o tamanho deles.

Lembre-se de que as conquistas que mais valem a pena só se tornam possíveis quando superamos tudo de ruim associado a elas. Sofrimento, dificuldades, fracassos e vergonha são experiências ruins porém necessárias. Evitar o sofrimento da reprovação em concurso é uma forma de atrair ainda mais sofrimento. Fugir das dificuldades é uma dificuldade por si só. Negar o fracasso já é fracassar. Esconder o que é vergonhoso é, em essência, uma vergonha. Compreenda isso e acione a tecla D para tudo que sabota você, concurseiro.

Dane-se o que os outros digam a nosso respeito. Dane-se que o primo do cunhado do tio de um amigo passou sem estudar. Sério mesmo. Dane-se. Não faz a mínima diferença.

Tape os ouvidos e fique surdo para quem tentar desviá-lo do caminho da felicidade, de tudo que lhe é importante. Lide com a sua insegurança, com os seus medos, com os seus erros, com os seus fracassos. E não subestime o poder de mudança que o erro tem: as falhas cometidas por quem estuda para concurso público permitem que o candidato compreenda melhor do que ele precisa para ser bem-sucedido no certame seguinte. É errando – e aprendendo com os erros – que todos nós conseguimos identificar os próprios pontos fracos. Dane-se o que os outros digam a nosso respeito. Dane-se que o primo do cunhado do tio de um amigo passou sem estudar. Sério mesmo. Dane-se. Não faz a mínima diferença.

Apertar a tecla D é um jeito simples de reorientar nossas expectativas e descobrir o que é e o que não é importante para nós. Quando enfim entendemos como é libertador dizer “Dane-se!”, experimentamos, nas palavras de Manson, uma espécie de “iluminação prática”. Não estamos falando de uma epifania babaca, idealista e até ingênua, no sentido de que é possível viver em êxtase eterno, sem nenhuma forma de dor nem de problemas. Estamos falando em se sentir tranquilo com a ideia de que um pouco de sofrimento é inevitável. A vida é feita de fracassos, perdas, arrependimentos e até morte. Suporte-os. Aceite-os. Liberte-se!

Eu farei isso, pois sei que no fim vai ter valido a pena.

Se concorda com esta mensagem, registre nos comentários “Já apertei a tecla D!”.

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Gabriel Granjeiro – Diretor-Presidente e Fundador do Gran Cursos Online. Vive e respira concursos há mais de 10 anos. Formado em Administração e Marketing pela New York University, Leonardo N. Stern School of Business. Fascinado pelo empreendedorismo e pelo ensino a distância.

 

 

 

 

Cheguei Lá

97 Comentários

97 Comentários

  1. Sulivane

    02/11/2018 18:00 em 18:00

    DANE-SE! Uma vaga será minha!

  2. Josiely

    08/11/2018 13:17 em 13:17

    “Já apertei a tecla D!”.

  3. sandro emilio

    19/11/2018 21:39 em 21:39

    Boa noite meu nobre,

    1. Minha 7a aprovação será uma das mais desafiadoras, mas faz parte do show. Já apertei a tecla D faz um tempo. Agora basta agir com qualidade e aguardar a boa colheita.

    Abraço e gratidão pelos artigos
    #FocoNosFiscos

  4. Ester França

    21/11/2018 16:37 em 16:37

    “Já apertei a tecla D!”. Obrigada!

  5. MARCIO

    11/12/2018 07:00 em 07:00

    JA APERTEI A LETRA D

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