Gabriel Granjeiro

Lições de uma concurseira, um concursado e um empreendedor

“Tempo é a vida passando que não volta mais. Perder tempo é perder vida. Deixar de avançar por causa do medo, da desconfiança, da covardia, dos complexos, da acomodação, é desperdiçar tempo e desperdiçar vida.” – Flávio Augusto

Dias atrás, pedi para os meus seguidores no Instagram me indicarem pessoas que eles consideram inspiradoras. Eu selecionaria três delas, cujas lições de vida seriam o tema de um dos meus próximos artigos. Cumpri minha promessa e aqui estou para falar sobre as histórias de superação da aluna Dani Farias, do professor e juiz Aragonê Fernandes e do megaempreendedor brasileiro Flávio Augusto. Este será, de fato, como anunciei, um texto produzido a muitas mãos.

A concurseira-aluna Dani Farias, a quem já tive o prazer de conhecer pessoalmente em Recife, é humilde, batalhadora, esforçada, disciplinada, tal como são muitos dos que estão na fila por uma vaga no serviço público. Trabalha na feira desde os sete anos de idade – com o pai, depois com o avô –, mas sempre teve o sonho de se formar em Direito e se tornar advogada e servidora pública.

Para viabilizar o seu projeto e financiar os estudos acadêmicos, Dani teve a presença de espírito de, primeiro, concluir um curso de técnico de enfermagem e começar a trabalhar em um hospital. Quando juntou um dinheirinho, deixou o hospital, prestou o vestibular e ingressou na faculdade de Direito, ao mesmo tempo que se matriculou em um curso de espanhol para ter a opção de ministrar aulas particulares e não precisar depender de “Seu Ninguém”. Saiu à procura de emprego e foi contratada como secretária em uma pequena empresa.

Dani nunca teve medo nem vergonha de trabalhar no que fosse. Fazia de tudo: varria, faxinava, organizava eventos, cobrava dívidas, solicitava orçamentos, sem nunca perder o pique. É mesmo alguém inabalável, incansável. A vida é justa, e essa moça, que é um exemplo de superação, foi progredindo e sendo promovida na empresa, até que chegou ao cargo de coordenadora de cursos. Hoje, ela acumula essa função com a de professora de espanhol. Acorda cedo para malhar e antes das 7 horas está na academia. Cursa a faculdade de Direito, continua estudando língua espanhola e está em franca preparação para concursos públicos. Como toda guerreira, não inventa desculpas, cria oportunidades para si mesma e topa prestar concursos até para fora de seu estado. (E pensar que tanta gente não tem coragem nem mesmo de se inscrever em seleções para a própria cidade…)

Tudo pelo sonho da estabilidade financeira e do governo como patrão.

Dani é tão querida que, se lhe faltam recursos para custear os estudos ou o valor da taxa de inscrição em algum concurso, os amigos promovem rifas para ajudar a bancar as despesas. Tudo pelo sonho da estabilidade financeira e do governo como patrão.

Gabriel Granjeiro e Dani

É claro que a Dani vai realizar todos os seus projetos. Sabe por quê? Porque ela é resiliente, persistente, imparável, inabalável, guerreira. O Universo conspira em favor de pessoas assim. Confio tanto nisso que faço aqui um compromisso público: assim como postei, em minhas redes sociais, uma foto com ela no aulão do TRT-PE, em breve postarei uma foto dela já como servidora pública. Essa se tornou uma missão pessoal minha, pois quero lhe mostrar, caro leitor, como tem muita gente na mesma estrada que você.

O professor Aragonê, por sua vez, começou a estudar para concursos aos 16 anos de idade. Colecionou grande número de reprovações e um punhado de aprovações. Na primeira prova que prestou, para Técnico Judiciário do TJDFT – área telefonista –, foi reprovado, mas em uma colocação não tão ruim, o que lhe deu ânimo para insistir nos estudos. Pegou o dinheiro de uma rescisão trabalhista e investiu no melhor curso que havia em Brasília na época, num tempo em que a cidade só oferecia três opções de escolas preparatórias.

O hoje professor e juiz confessa que, por ter passado pelo ensino fundamental e pelo ensino médio com relativa facilidade, no início da preparação para concursos não se dedicou como deveria, acreditando que passar num bom concurso seria fácil. Faltou a muitas aulas do “cursinho”, e o resultado disso foi uma posição na lista de aprovados equivalente ao ano da Revolução Francesa: 1.789ª. Sua mãe, que também prestou o concurso, foi classificada quase mil posições à frente. Ele não se julga melhor do que ela, obviamente, mas entendia que era sua obrigação apresentar desempenho mais satisfatório.

Depois desse “tapa na cara”, Aragonê acordou e passou a se dedicar com afinco aos estudos. Os bons resultados não vieram de imediato, mas chegaram: ele foi aprovado para o IBGE, na função de recenseador (contratação temporária), e depois para a CAESB, Companhia de Saneamento do DF, todos cargos modestos. Cabe lembrar que o nosso mestre, antes de chegar aonde chegou, foi até mesmo vendedor de cachorro-quente em frente ao curso preparatório onde estudava. Sua irmã, que na época estava estudando para Técnico Judiciário do STJ, passou e foi nomeada. Certo dia, ela o convidou para visitá-la no trabalho, e foi então que Aragonê, encantado, decidiu que ingressaria no Judiciário.

Pouco tempo mais tarde, saiu o concurso do STJ. Aragonê estudou em um curso preparatório perto de casa, na periferia de Brasília, e dessa vez se dedicou pra valer. Veio o resultado: 76º lugar. Ainda havia a prova prática de digitação, e ele teve de superar uma tendinite para encará-la. Conseguiu. Já servidor da Justiça, começou a faculdade de Direito. O dinheiro continuava pouco, pois a remuneração de Técnico Judiciário, na época, estava bastante defasada. O professor conseguiu se formar mesmo assim, ainda que tenha levado um pouco mais de tempo: seis anos, em vez dos usuais cinco da graduação em Direito.

Formado, prestou o concurso para Analista Judiciário do TST. Infelizmente, durante a prova, aconteceu algo que o marcaria profundamente. Ele cometeu um deslize terrível: quando foi ao banheiro jogar água nos braços e no pescoço para em seguida voltar com tudo para a sala, não se lembrou de que estava com a chave do carro no bolso da calça. Resultado: quando o controle remoto do alarme embutido na chave foi identificado pelo detector de metais a que todo candidato é submetido na entrada dos banheiros, Aragonê foi eliminado do concurso – para o qual havia estudado MUITO, é importante dizer.

Ele ficou muito mal. Chegou a parar de lecionar, atividade que havia iniciado alguns anos antes. “Se eu não sirvo nem para tirar a chave do bolso, como vou ensinar os outros a passar em concurso?”, pensou. Uma bobagem, sabemos bem; mas, naquele momento, a dor e o sentimento de frustração eram muito fortes.

Veja aqui a importância de ser imparável e a verdade contida no lema: “Ao fechar uma porta, a vida abre outras melhores”.

Aragonê Fernandes e Gabriel Granjeiro

Felizmente, porém, o nosso mestre não desistiu. Saiu o edital do STF, e ele passou entre os primeiros colocados. Veja aqui a importância de ser imparável e a verdade contida no lema: “Ao fechar uma porta, a vida abre outras melhores”. A competência do professor já era notória no STJ, tanto que ele nem chegou a atuar no STF. No mesmo Diário Oficial, foi publicada sua nomeação para o cargo no STF e, logo abaixo, sua cessão para o STJ, para trabalhar como assessor de ministro. Na prática, ele permaneceu no mesmo tribunal de antes, considerado um dos melhores órgãos públicos do País, apenas com ganhos muito superiores aos de Técnico.

Na sequência, o professor resolveu tentar os grandes concursos da área jurídica. Novamente, os bons resultados não vieram imediatamente. Houve reprovações para promotor em Sergipe, Rondônia, São Paulo e Goiás. Também foi reprovado na Defensoria da União. Depois, o jogo começou a virar. Ele obteve aprovação na Defensoria do estado do Rio Grande do Sul, a qual está entre as melhores do País. Ele nem chegou a tomar posse, pois passou e foi chamado para Promotor de Justiça no Distrito Federal. Visando ao cargo de juiz, reprovou no concurso para a Paraíba, mas passou no do Distrito Federal, tido como um dos mais difíceis certames para a magistratura. Hoje está no TJDFT, como juiz substituto, há mais de seis anos, tendo ‘pendurado as chuteiras’ quando o assunto é prestar concursos públicos.

Aragonê nos contou toda essa história para que todo concurseiro entendesse que dias de tristeza e frustração são normais, assim como dias de glória. Ele também teve os seus. Em suas próprias palavras, dirigidas a quem ainda está na estrada: “Saiba que boa parte das suas angústias também eram as minhas. Se puder deixar um recado, eu direi a você que valeu a pena!”

Flávio Augusto da Silva é um dos empreendedores brasileiros mais bem-sucedidos no país e no exterior. Nascido e criado na periferia do Rio de Janeiro, cresceu no seio de uma família de classe média baixa, filho de pai militar e de mãe professora da rede pública. Aos 19 anos de idade, começou a trabalhar no departamento comercial de uma escola de inglês. Determinado a ser o melhor vendedor dali, não media esforços para bater as metas. Para vender os cursos, usava fichas telefônicas e ligava de um telefone público para os potenciais clientes. Em quatro anos, tornou-se diretor regional comercial da empresa. Aos 23, enxergou uma oportunidade no mercado e não titubeou: contraiu um empréstimo no cheque especial e abriu sua própria escola. Em um ano, a empresa já lhe havia rendido seu primeiro milhão de reais.

Ao vermos como o empresário está bem hoje, é difícil acreditar que sua trajetória foi marcada por inúmeros perrengues. Mas foi. Apesar disso, hoje ele é bilionário e emprega mais de 10 mil pessoas.

Flávio tem outra característica: adora desenvolver pessoas. A seguir, resumirei algumas das lições que ele ensina a quem tem vontade de construir uma bela história de vida:

Seja protagonista da sua própria vida. (…) Para escrever a nossa história, devemos ser os redatores. Não podemos delegar a função a outra pessoa. Uma onda de “coitadismo” invadiu nosso país. A mentalidade “coitadista” faz mal para quem quer ter uma carreira de sucesso, porque detona a autoconfiança. Como você acha que vai conseguir construir alguma coisa se você se acha um coitado?

É preciso mudar os hábitos. A gente cultiva e herda hábitos da família, da sociedade. Eles estão em nossa forma de pensar. E podem ser hábitos de galinhas ou de águias. Em algum momento, será preciso ter humildade e revisar a própria vida. Você vai descobrir que está errando alguma coisa ou vai se achar vítima de tudo. Não dá para construir um prédio em cima de entulhos.

Assuma a responsabilidade. Pensar fora da caixa é entender que, para escrever sua própria história, você não pode ser a pessoa que dá desculpa para tudo. Não transfira para alguém a razão do seu próprio fracasso. O que você está colhendo agora é resultado do que você plantou em anos anteriores. Nós somos responsáveis pelo que fazemos. Você tem a chance de pegar o leme da sua vida e assumir o controle.

Nada é impossível. Se alguém diz que algo é impossível, essa pessoa quer roubar os seus sonhos. (…) Você sempre vai culpar um terceiro por achar que não é culpado. Quem quer ter o controle de sua história, sabe que é responsável pelo que faz. E percebe que o problema é você. Mas a solução também está em você.

Seja perseverante. O senso comum pode querer convencê-lo de que não é possível realizar algo. Romper isso é um desafio que cada um de nós tem desde cedo. Veja os exemplos de quem começou do zero, era pobre, teve disciplina e não aceitou um não como resposta. Até que ponto você está disposto a perseverar por seu projeto? Esteja disposto a contrariar a estatística e até a opinião de quem você ama, que gosta de você e quer o seu bem. O contexto desafia (…) a avançar ou recuar. É um desafio natural do dia a dia.

Não tenha medo de crises. Mentalidade é tudo. Forma de pensar é tudo. (…) A crise não deve ser um fator intimidador. A pessoa precisa ter cuidado, mas não se intimidar. (…) Às vezes, você só precisa de um posicionamento novo num contexto que já existe. Sempre vai existir uma oportunidade para quem quer empreender e fazer acontecer.

Você tem uma missão. Cada um de nós tem algo dentro, que clama para você ser você mesmo e cumprir sua missão, sem se importar com o que os outros vão pensar. Se criamos um país de gente dependente, comprometemos o futuro das pessoas. E lembre-se: quem tem uma missão não tem relógio de ponto. Faça o que você ama.

Uma última lição de Flávio Augusto: “’Você é louco.’ Esse será o melhor elogio que você vai receber.”

Amiga e amigo leitor, vamos sempre em frente, como protagonistas e donos de nosso destino!

Se concorda com esta mensagem, registre nos comentários: “Eu sou dono do meu destino!”

“Estudar não é ruim. Ruim é ser pobre.” – Professor Aragonê Fernandes, juiz do TJDFT aprovado em diversos concursos e professor exclusivo de Direito Constitucional do Gran Cursos Online

PS: Siga-me (moderadamente, é claro) em minha página no Facebook e em meu perfil no Instagram. Lá, postarei pequenos textos de conteúdo motivacional. Serão dicas bem objetivas, mas, ainda assim, capazes de ajudá-lo em sua jornada rumo ao serviço público.

Mais artigos para ajudar em sua preparação:

 


Gabriel Granjeiro – Diretor-Presidente e Fundador do Gran Cursos Online. Vive e respira concursos há mais de 10 anos. Formado em Administração e Marketing pela New York University, Leonardo N. Stern School of Business. Fascinado pelo empreendedorismo e pelo ensino a distância.

 

 

 

 

 

Para o Topo