Gabriel Granjeiro

Pare de sofrer à toa!

Pare de sofrer à toa“Viver sem sofrimento é impossível. O sofrimento nos constrói ou nos destrói.” – Augusto Cury

É isso mesmo que você leu: é impossível viver sem sofrer. Eventualmente, todos padeceremos de algum tipo de sofrimento, seja físico ou psíquico, seja de ordem moral ou de ordem ética. O sofrimento é de lei – da implacável lei da natureza – e se instala bem ali, no intervalo entre dois períodos de felicidade. Talvez ele seja inevitável porque nos humaniza, ou talvez por ser o melhor remédio para acordar o espírito; não tenho certeza. Sei apenas que, embora seja normal sofrer de vez em quando, as pessoas sofrem muito mais do que deveriam. Saber sofrer, meus caros, é saber amadurecer! É essa conversa que teremos hoje.

O que é, exatamente, sofrer? É experimentar uma dor provocada por um incômodo qualquer. Essa dor pode ser física, como a que irradia de um ferimento, a que é sintoma de uma doença… Pode ser psíquica, como a que nos aflige após a perda de um ente querido, o fim de um casamento… Pode, ainda, ser se ordem moral, como a de um desempregado ou a de uma pessoa que sofre sucessivos insucessos. Sobretudo o sofrimento afetivo, de natureza psíquica ou moral, está diretamente relacionado a uma expectativa, de um lado, e à frustração, de outro.

O sofrimento é um fenômeno amplo e complexo demais para ser facilmente curado ou minimizado (link). Contudo, embora não seja nada fácil lidar com dores físicas ou da alma, se há uma certeza, é a de que o medo de sofrer é pior do que o sofrimento propriamente dito, ainda que a dor nos pegue de surpresa e seja muito intensa. Quanto mais audaciosos forem nossos planos, quanto mais incríveis forem nossas ideias, quanto maiores forem nossos sonhos e nossas expectativas, mais sofrimento podemos experimentar, sobretudo se não estivermos prontos e maduros o suficiente para ajustar o radar, a bússola, as expectativas.

“…embora não seja nada fácil lidar com dores físicas ou da alma, se há uma certeza, é a de que o medo de sofrer é pior do que o sofrimento propriamente dito, ainda que a dor nos pegue de surpresa e seja muito intensa”

A chave para sofrermos menos, caro amigo, é prever o sofrimento em nossa vida. É incluí-lo em todos os nossos planos e em cada processo no qual estaremos envolvidos, de preferência no início de um novo projeto. Trate a possibilidade de sofrer como algo concreto e real, que você verá como será mais fácil lidar com as frustrações e, por conseguinte, evitar sofrimento desnecessário.

Vamos entender melhor – e na prática – essa história de parar de sofrer? Pense em um concurseiro que, depois de ter estudado por apenas 12 meses, reprova no primeiro certame de ampla concorrência que enfrenta. Ele sofre. Sofre muito. Começa a achar que não tem sorte e que tudo é muito difícil para ele. Cogita desistir, largar os estudos, deixar a preparação pra lá. Ora, se ele tivesse aceitado desde o início de sua preparação que o prazo médio para um candidato a uma vaga no serviço público ser aprovado é de 2 a 3 anos; se ele tivesse essa clareza, não sofreria tanto assim ao encarar a primeira reprovação. Lidaria melhor com a dura realidade e se conformaria com o fato de que passar antes desse tempo de estudo é exceção à regra.

Agora veja outro exemplo, mais concreto e simples de entender, que ensina como podemos parar de sofrer ou, pelo menos, como podemos controlar a intensidade do sofrimento em algumas situações e, quem sabe, em qualquer uma. Imagine que um amigo seu contraiu gripe e, por efeito da doença, está com dor, febre, cansaço e indisposição. Imagine, em resumo, que ele está sofrendo, fisicamente. O primeiro passo para ele ficar bem é aceitar sua condição. Só depois de aceitar que está doente, ele compreenderá que precisa mesmo tomar os remédios receitados pelo médico. Se optar por aguardar o organismo reagir e eliminar o vírus, sabe que vai amargar no mínimo sete dias para se sentir melhor. Nada muda essa realidade. É preciso aceitação para pararmos de sofrer à toa. Cedo ou tarde todos nós teremos problemas para enfrentar e resolver. Ninguém está livre deles (link).

“É preciso aceitação para pararmos de sofrer à toa. Cedo ou tarde todos nós teremos problemas para enfrentar e resolver. Ninguém está livre deles”

Em outras palavras, precisamos ter clareza acerca da vida e das coisas se quisermos evitar sofrimento desnecessário. É essa clareza que nos leva a aceitar melhor e sem resistência aquilo que é e sempre será de um jeito que talvez não nos agrade nem um pouco. Não estamos falando de resignação, de baixarmos a cabeça e simplesmente nos conformarmos com o destino. Estamos apenas constatando que problemas sempre existirão e obstáculos sempre surgirão em nosso caminho. Temos é de alimentar a certeza de que os enfrentaremos, sabendo perfeitamente o que precisamos fazer. Trata-se de carregar sempre consigo a esperança, do verbo “esperançar”. Trata-se de sempre agir para fazer diferente e vencer o que quer que seja.

Um adolescente que sofre demais quando leva o fora de uma garota muito especial, um trabalhador que se entrega à depressão após ser desligado de um cargo importante na empresa, uma pessoa que se revolta ao receber um não como resposta para um pedido que talvez fosse, de fato, absurdo, todos agem como crianças ao pensar que o mundo gira ao redor deles e que as suas vontades e os seus desejos devem ser sempre satisfeitos. A realidade não é essa, e é preciso aceitar que haverá frustrações no caminho de todos nós. Sem clareza dessa realidade, sem o amadurecimento necessário para lidar com ela, continuaremos a sofrer desnecessariamente.

“…é preciso aceitar que haverá frustrações no caminho de todos nós. Sem clareza dessa realidade, sem o amadurecimento necessário para lidar com ela, continuaremos a sofrer desnecessariamente”

O filósofo Aristóteles já dizia que “o sábio busca a ausência do sofrimento, e não o prazer”. O poeta Mário Quintana, por sua vez, ensinava que “a felicidade bestializa e só o sofrimento humaniza as pessoas”. Na mesma linha, pregava Gandhi: “É o sofrimento, e só o sofrimento, que abre o homem à compreensão interior”. Sim, estou convencido de que sempre haverá espaço para a dor e de que uma vez ou outra se abrirão em mim feridas aparentemente incuráveis. Mas estou tranquilo porque sei que muitas dessas feridas evoluirão para cicatrizes, mera lembrança do sofrimento que vivenciei, e de que muito desse sentimento de tristeza será suplantado por novos momentos de alegria e prazer.

O que importa é seguir em frente, concurseiro. Ainda que você esteja padecendo de algum tipo de sofrimento, mantenha-se firme em direção à posse no cargo público que escolheu.

Aceite aquilo que já é e não pode ser mudado.

Se nossa conversa de hoje fez a diferença para você, registre nos comentários: “Vou parar de sofrer à toa!”. Faça isso, e vamos em frente!

“Os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles.” – 2 Coríntios 4:17

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Gabriel Granjeiro – Diretor-Presidente e Fundador do Gran Cursos Online. Vive e respira concursos há mais de 10 anos. Formado em Administração e Marketing pela New York University, Leonardo N. Stern School of Business. Fascinado pelo empreendedorismo e pelo ensino a distância.

 

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