Liderando a si mesmo

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21/09/2020 | 17:55 Atualizado há 525 dias

“Se suas ações inspiram os outros a sonhar mais, a aprender mais, a fazer mais, você é um líder.” – John Quincy Adams (1767-1848), sexto presidente dos Estados Unidos

Quando se pensa em liderança, logo vêm à mente executivos engravatados e dirigentes de organizações – públicas ou privadas – focados em bater metas e alcançar resultados. Está certo, liderança passa, sim, pela geração de retorno, seja para a organização propriamente dita, seja para a sociedade em geral, ou, ainda, grupos de interesse da empresa e colaboradores, em particular. Mas esse é, digamos, o objetivo de um bom líder. Quais serão os meios?

Uma liderança eficiente ajuda na tomada de decisões e na concretização de ideias. O bom líder mostra o caminho até o local de destino marcado em nosso GPS dos sonhos. E sabe que, para guiar os liderados, precisa exercer influência. Sabe também que, se há um atalho para desenvolver essa competência, é descobrir como liderar, primeiro, a si mesmo. Foi das primeiras lições que aprendi, na escola formal e na vida: só serei capaz de conduzir alguém rumo ao que julgo importante depois de tomar as rédeas da minha própria vida. Levo comigo a lição de Alexandre, o Grande: “Eu não temeria um grupo de leões conduzido por uma ovelha, mas sempre temeria um rebanho de ovelhas conduzido por um leão”. E acrescentaria: ou por uma leoa.

Governar a si mesmo é extremamente difícil e, ainda assim, condição para exercer influência sobre terceiros. A fórmula é simples. Se quero orientar meus filhos, preciso dar o exemplo. Se fui designado para guiar um povo ou um exército, devo ser fonte de inspiração para eles. Se peço disciplina a alguém, não posso me dar o luxo de ser indisciplinado. Se exijo comprometimento dos meus colaboradores, tenho de ser comprometido em tudo que faço. Se incentivo a caridade em alguém, o mínimo que podem esperar de mim é que também seja caridoso.

Agora reflita um instante. Você tem agido assim, está praticando a autoliderança ou tem se deixado levar pelas circunstâncias? Tem sido o seu maior exemplo de líder? Está no palco ou assistindo da plateia a vida passar? Na arena ou na torcida, lá longe, na arquibancada? Pense um pouco sobre isso. A depender das respostas, talvez caiba fazer alguns ajustes para aprimorar sua capacidade de se autoliderar. Mas não se apavore. Isso é perfeitamente normal. É para isso mesmo que serve um exercício de autoanálise como esse que propus.

É muito raro ter espírito de liderança. Sabe por quê? Porque liderança combina senso de propósito, compromisso, audácia, coragem, força interior e uma boa dose de sabedoria. Alguém disposto a ser líder de si mesmo precisa ter certeza se possui alguma ou algumas dessas competências. Deve, para isso, mergulhar em seu interior em busca de seus valores mais genuínos. Não importam bens materiais nem títulos acadêmicos, tampouco um currículo de respeito, que reflita grande experiência gerencial. Tudo isso diz muito sobre você, é claro, mas é inútil quando se trata de princípios. Mais importante é descobrir qualidades como humildade para ouvir, capacidade de servir e disposição para pôr a mão na massa. Elas não estão presentes? Meu conselho é: tente desenvolvê-las.

Todos nós temos um lado sombrio. A autoliderança exige reconhecê-lo e dominá-lo, para depois aprender a iluminar o dos outros. Você tem monitorado a sua fisiologia, o seu foco e a sua linguagem no dia a dia? Por que pergunto isso? Porque um líder que se vê como derrotado, focado mais nos problemas que nas soluções, dificilmente consegue atingir bons resultados com seu time, e não poderia ser diferente com o líder de si mesmo. Daí a importância de ressignificar derrotas do passado, problemas do presente e desafios do futuro. Eles têm o peso que atribuímos a eles. Tome como exemplo o momento que estamos atravessando, de pandemia. Desde que tudo começou, cada um de nós se viu obrigado a liderar mais e mais a si e às pessoas próximas, e é notável como alguns de nós têm se saído melhor nesse “novo normal”. Será por que conseguem transformar adversidades em uma grande fonte de aprendizado, de desenvolvimento pessoal e coletivo? Volto a citar o líder Alexandre, o Grande: “Da conduta de cada um depende o destino de todos”.

Dirigir a si próprio é ter sensibilidade para lidar bem com fraquezas, medos, frustrações. Liderar a si mesmo é, antes de tudo, saber perder, compreender que nossa existência é falha e efêmera, circundada por vales e montanhas, caracterizada pela alternância entre choro e alegria, fraqueza e coragem. Há que ser livre para seguir o curso da vida, percebendo bem a situação para fazer o que tem de ser feito. Liderar a si mesmo é parar de colocar a responsabilidade no outro, no passado, na pandemia. É assumir que talvez as coisas não estejam dando certo porque EU ainda não consegui acertar o ponto, encontrar o melhor caminho. É, enfim, ter clareza de quem sou e por que faço o que faço.

Em termos práticos, caro leitor, talvez você precise mudar sua linguagem, sua alimentação, os cuidados que tem consigo mesmo. Tire o foco do que vem dando errado e direcione-o para como fazer dar certo. Tome seus pontos fortes como combustível para turbinar sua autoconfiança e olhe para os pontos fracos como oportunidades de melhoria. Seja um bom líder de si e ajuste o que precisar ser ajustado. E lembre-se: a procrastinação funciona como juros compostos para os problemas. Quanto mais você adia decisões e ações como líder, mais problemas a sua equipe – você mesmo, nesse caso – terá no futuro.

As dificuldades às vezes consomem tanto, que o indivíduo acaba se esquecendo do que o trouxe até aqui. Por isso é tão bom de vez em quando retomar o contato consigo mesmo e com as próprias motivações. Por que você está lendo este artigo? Por que você iniciou este projeto de estudos? Será porque quer mudar de vida? Será porque vislumbra no concurso público uma oportunidade de dar mais segurança a sua família? Essas razões permanecem firmes em sua alma? Aí vai outra lição de Alexandre, o Grande: “Ou você muda de atitude, ou de nome”. Cito também um ensinamento do eterno Peter Drucker, ícone da administração: “Se você quer algo novo, precisa parar de fazer algo velho”.

Certa vez, um ex-subsecretário de Defesa dos Estados Unidos faria um discurso para uma plateia considerável. Antes de começar a falar, deu um gole de café na xícara de isopor que levara ao palco. Deu outro gole, olhou para o copinho e sorriu. Começou o discurso: “No ano passado, quando eu ainda era subsecretário, apresentei-me neste mesmo palco. Viajei de classe executiva, tinha alguém esperando por mim, já haviam me registrado no hotel. No dia seguinte, me pegaram para vir a este local. Fui conduzido a uma sala reservada e recebi café em uma bela xícara de porcelana. Este ano, não sou mais subsecretário, voei de classe econômica, não havia ninguém à minha espera, registrei-me no hotel, peguei um táxi para vir até aqui. Chegando, perguntei a um dos técnicos se havia café e ele apontou para a máquina sobre a mesa encostada na parede. Fui lá e despejei a bebida neste copo de isopor que vocês estão vendo. Pois é, a xícara de cerâmica que me deram no ano passado nunca foi entregue a mim. Foi entregue ao cargo que eu ocupava. Eu mereço uma xícara de isopor.”

Contei essa pequena história para ilustrar como é a vida real de quem se apega a status e aparências. Cabe a cada um de nós fazer por merecer a tal “xícara de cerâmica” em vez do copinho de isopor, mas pelo ser humano que somos de fato, não pelo valor que os outros veem em nós por circunstâncias externas. Você, meu amigo, minha amiga, merece tomar café em uma xícara de porcelana porque sabe do seu verdadeiro valor. Não deixe a realidade atual determinar quem você é. Pode ser que você já mereça a porcelana, mas o mundo vai demorar um pouco para reconhecer isso, fornecendo-lhe apenas isopor durante algum tempo. Persista, fazendo os ajustes necessários, monitorando e criticando constantemente a forma como lidera a si próprio. Você não precisa de um time grande para guiar. A pessoa mais importante que precisa de sua liderança está aí, bem na frente do espelho. Lidere-a.

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Gabriel Granjeiro – Diretor-Presidente e Fundador do Gran Cursos Online. Vive e respira concursos há mais de 10 anos. Formado em Administração e Marketing pela New York University, Leonardo N. Stern School of Business. Fascinado pelo empreendedorismo e pelo ensino a distância.

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Presidente e sócio-fundador do Gran Cursos Online
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